Sistematizar o conhecimento

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“Cada qual deve assimilar, principalmente, o que for útil e vantajoso para a profissão ou para a vida quotidiana”

Certa ocasião, estando na aldeia de minha mãe, a veranear, fui convidado por abastado lavrador, casado com jovem professora, para ir almoçar a sua casa.
Durante a refeição, esta, reparando que olhava para antigo relógio de pêndulo, que estava suspenso da parede, voltou-se para mim, e disse-me contristada:
– “ Nunca está certo! Adianta-se muito… Já o levei a relojoeiro. Anda certo, uns dias, mas volta ao mesmo.”
Expliquei-lhe: os relógios de parede, acertam-se, encurtando ou alongando o pêndulo. Basta um pouco de paciência e tempo, e o relógio dará horas certas.”
– “ Mas isso é a Lei do Pêndulo! Aprendi em Bragança”, exclamou atónita a jovem.
A professora tinha aprendido, no liceu, entre outras disciplinas, a Física. Fora – segundo soube – excelente aluna, mas mostrava-se incapaz de utilizar os conhecimentos que adquirira.
Como ela, muitos de nós, somos simples repetidores do que aprendemos. Somos gravadores. Papagueamos o que nos ensinam, mas somos incapazes de utilizar o que aprendemos e decoramos.
Pouco interesse há em acumular “saber”, se não conseguimos, depois, usar esse conhecimento na vida.
Muitos, que são conhecidos como sapientes, não passam de “contadores”, de muitas gavetinhas.
Cada compartimento, está repleto de “saber” de determinada matéria; mas, como são incapazes de ponderar e raciocinar, nenhum proveito obtêm desse amontoado de “saber”. São enciclopédias ambulantes, incapazes de sistematizar o conhecimento adquirido.
Podem passar por sábios, acumular graus académicos, mas nada disso lhes servirá para a vida, porque quando deparam um problema, uma dificuldade, não conseguem recordar o que a memória reteve.
Essa professora tinha estudado, recentemente, Física. Sabia na ponta da língua, toda a matéria, que lhe ensinaram, mas era inábil para acertar o relógio de pêndulo…
Eu sei, por experiência própria, que cada um tem que ser autodidata. Aprender, atualizar-se, constantemente.
Cada qual deve assimilar, principalmente, o que for útil e vantajoso para a profissão ou para a vida quotidiana.
A escola educa o intelecto, ensina a pensar e fornece meios para pesquisar e progredir nos estudos.
Dá “asas” para voar livremente, mas só voa quem quer; quem, depois de obter o diploma, continua a educar-se, a progredir, consoante os interesses e necessidades.
Saber a lei do pêndulo, não basta, é preciso saber aplicá-la.

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