Arqueólogos descobrem em Moura vestígios dos séculos V a I antes de Cristo

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A escavação arqueológica está a decorrer no Castelo Velho de Safara, concelho de Moura, Alentejo. Reúne uma equipa internacional dirigida por arqueólogos portugueses.

Foram necessárias apenas duas semanas de escavação no Castelo Velho de Safara, concelho de Moura, para a equipa internacional da South-West Archaeology Digs (SWAD), sob a direção científica de arqueólogos portugueses encontrar vestígios interessantes remetentes ao período compreendido entre o século IV e I antes de Cristo.
“O Castelo Velho de Safara é um sítio da Idade do Ferro localizado no sul de Portugal, na confluência dos rios Ardila e Safareja. Localizado no topo de uma colina em posição de comando, apresenta três muralhas defensivas alternadas com três valas”, explicam os arqueólogos no site da SWAD na internet.
A datação do período de tempo a que pertence os material já encontrado no sítio arqueológico foi baseada na coleção de cerâmica de superfície, que evidencia pertencer entre o 4º e o 1º séculos antes de Cristo.
“Este projeto começou em novembro de 2017 e rapidamente tivemos o apoio de universidades internacionais como a University College London e da University College Dublin”, recorda a arqueóloga que lidera a equipa.
Mariana Nabais revela que já descobriram “vestígios muito interessantes do Calcolítico, da segunda Idade do Ferro e Romano Republicano, contribuindo assim para a relevância deste projeto”.
O sítio arqueológico do Castelo Velho de Safara foi ocupado principalmente durante a Idade do Ferro, sendo um dos grandes povoados fortificados da época no Alentejo. No entanto, regista uma ocupação mais antiga do Calcolítico e outra mais recente de cronologia Romana.
As descobertas feitas até agora permitem aos arqueólogos perceber que a área residencial parece estar dividida de acordo com o estatuto social dos habitantes, e que estes já trabalhavam o metal.
“O local pode ter servido como um posto comercial com conexões importantes com as minas próximas, de cobre e prata, e com produtos manufaturados do Mediterrâneo Oriental, que chegavam de barco”, revela ainda a equipa da SWAD.

Estão previstos dias abertos aos visitantes para que possam participar ativamente nos trabalhos, manusear e reconstruir os materiais recolhidos

Objetos vão ser expostos

O sítio do Castelo Velho de Safara é conhecido desde os anos 70 do século XX, mas não tinha sido realizada, até hoje, nenhuma escavação arqueológica.
Focados na arqueologia local e nacional, a SWAD quer também sensibilizar a população residente para a valorização patrimonial, potenciar a região do Alentejo e captar a atenção do público estrangeiro.
“A SWAD é uma escola de campo de arqueologia de periodocidade anual que tem como objetivo munir os alunos convidados de outras universidades, de ferramentas necessárias para a boa condução dos trabalhos de campo e de laboratório em âmbito de escavação, existindo sempre uma componente prática muito forte”, informa a organização numa nota de imprensa enviada ao ‘Mundo Português’.
“A SWAD pretende ir mais além que o simples trabalho arqueológico e ser um dos embaixadores da promoção da interação cultural entre portugueses e estrangeiros no concelho de Moura. Pretendemos passar o verão a escavar e atrair novos públicos para uma zona remota” revela Mariana Nabais.
Embora a língua oficial durante os trabalhos seja o inglês, numa equipa onde constam mais de 12 nacionalidades, estão previstos dias abertos de escavação aos visitantes, para que possam ter a experiência de participar ativamente nos trabalhos, manusear e reconstruir os materiais recolhidos.
No final dos trabalhos, a SWAD pretende criar uma exposição com todo o material recolhido e organizar um congresso que atraia a comunidade arqueológica ao concelho de Moura.
Ana Grácio Pinto

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