Alberto Mano: um português há 60 anos em Amesterdão…

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Alberto Roxo Fernandes, para os amigos, Alberto Mano, tem hoje 84 anos. Há cerca de 60 anos, e depois duma vida difícil na capital portuguesa, resolveu emigrar para Amesterdão…

Dando continuidade do artigo publicado no passado dia 4 de Maio, sob o titulo ‘Portugueses em Amsterdam’, era imperioso ouvir o português que há mais anos reside naquela cidade holandesa.
Trata-se do lisboeta Alberto Roxo Fernandes, para os amigos, Alberto Mano, hoje com 84 anos e que há cerca de 60 anos, e depois duma vida difícil na capital, resolveu emigrar para Amesterdão.
Nasceu em Lisboa em 1934 e era o mais velho de 10 irmãos oriundos duma humilde família que da província foi até à capital tentar a sorte. E o Alberto, como filho mais velho, foi o que mais acabou por sofrer, embora o seu temperamento não desse muito para sofrimentos, mas para levar uma vida toda ela sem compromissos ou responsabilidades.
Assim sendo, a escola que naquele tempo não era obrigatória, ficava para segundo plano. De rua em rua foi fazendo amigos que mais tarde lhe valeram para ter a vida que hoje tem. E naquele tempo fez de tudo… só não arrumava carros porque, por essa altura, poucos havia. Entretanto, foi militar e quando terminou a tropa montou uma banca de jornais junto ao elevador da Glória que acabou por vender por 20 contos ao seu colega e amigo ‘Carlos dos Jornais’ e talvez por via disso, o gosto pelas quadras e poesia seja uma das sua paixões.
Mas deixemos ser o próprio Alberto a contar como foi o que a seguir se passou: “Com esse dinheiro tirei o bilhete de identidade e era minha ideia emigrar, pois a vida em Lisboa da maneira que a fazia não me agradava. Encontrei então uma pessoa muito minha amiga e com ‘poder’ que me ajudou bastante. Mandou-me à Junta de Emigração que me sugeriram emigrar para a Austrália ou Canadá. Eu disse que era para muito longe e que como o dinheiro era pouco teria dificuldades em vir a Portugal. Então pedi: caso houvesse uma oportunidade cá pela Europa, agradecia”.
E continuando: “Assim aconteceu. Apareceu um convite da KLM. Fui lá e contrataram-me e assim fui um dos primeiros a vir para Amesterdão. Isto foi em 1963 e viemos seis para cá. Vim trabalhar para a cozinha e ajudar a carregar e descarregar os aviões. Viemos viver num hotel e posteriormente casei-me por procuração, a minha mulher veio e arranjamos casa”.
Alberto Fernandes está ainda desde sempre ligado ao associativismo português na capital holandesa, e foi co-fundador dos Lusitanos. “Como nada mais havia e poucos éramos, encontravamo-nos num café. E daí começou a nascer a ideia de criar uma Associação. Nasceram então os Lusitanos. Criou-se uma direção e mais tarde encontramos a sede que teve o grande apoio da KLM, que por meu intermédio, pois lá trabalhava e tinha grandes amigos, nos ajudou monetariamente para criar essa sede que ainda hoje se mantém viva. Fui então o primeiro presidente com instalações próprias dos Lusitanos”.
Alberto Fernandes afirma que a vida na Holanda foi muito diferente da de Lisboa, cidade on regressa sempre que vem a Portugal. “De facto aquela vida errante e difícil que tive em Lisboa, cá, modificou-se totalmente. Mandei vir um irmão e algum tempo depois estavam cá oito. Não só fruto de ter trabalhado na KLM, mas porque gosto de viajar, já percorri grande parte do mundo. Hoje reformado, continuo a ir várias vezes a Portugal. Embora tenha casa em Santa Iria de Azoia, o bairro da Boavista e a baixa de Lisboa, são de facto os locais onde sou acolhido com amizade e onde ainda hoje, passadas décadas de lá ter vivido, tenho grandes e bons amigos. E o fado continua a ser para mim o grande ícone da cultura portuguesa. Tive e tenho grandes amigos fadistas de alguns deles consegui que cá viessem especialmente o Fernando Maurício que para mim era quase um irmão”.
Sobre o associativismo português em Amesterdão, Alberto Fernandes vê com “muita apreensão” o seu futuro. “Porque no meu tempo os Lusitanos tinham cerca de 500 associados e hoje pouco mais de 40. Vejo de facto que a APA talvez e porque tem magníficas instalações possa sobreviver mais tempo. Mas mesmo assim é difícil e isto porque os jovens habituados a outro tipo de vida que por cá se pratica não frequentam as associações portuguesas. É pena, mas hoje com 84 anos, pouco ou nada mais posso fazer para modificar o hábito dos portugueses em Amesterdão”….
José Oliveira
Colaborador em Amesterdão – Holanda

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