Lara Martins correu atrás de um sonho e ganhou um palco no West End de Londres

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A cantora lírica portuguesa Lara Martins assumiu um dos principais papéis de um dos mais antigos e populares musicais britânicos, ‘O Fantasma da Ópera’.

Lara Martins nasceu em Coimbra, reside na capital britânica há mais de uma década e assumiu o papel de Carlota Giudicelli, até agora interpretado por Wendy Ferguson, no elenco renovado da atual temporada de ‘O Fantasma da Ópera’.  Tornou-se assim na segunda portuguesa em destaque no elenco, depois da protagonista Sofia Escobar.
Lara Martins concluiu uma licenciatura na Guildhall School of Music and Drama, a cantora lírica tem feito carreira no meio operático no Reino Unido e noutros países, sendo presença frequente no Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa.
‘O Fantasma da Ópera’, baseado num romance do francês Gaston Leroux, é considerado o segundo mais bem sucedido musical de sempre no West End de Londres, depois de ‘Les Misérables’. Com música de Andrew Lloyd Webber e letras de Charles Hart e Richard Stilgoe, o espetáculo estreou-se há 26 anos, em 1986.
A história conta como uma soprano se torna numa obsessão de um homem desfigurado, um génio musical que vive nas catacumbas da Ópera de Paris, conhecido como o ‘Fantasma’.
Além de Sofia Escobar, no West End têm brilhado outros portugueses, em particular Ricardo Afonso e Madalena Alberto, mas Lara Martins lembra que tem existido uma grande evolução dos artistas portugueses no estrangeiro, incluindo no canto lírico.
“É fantástico e vê-se muito”, enfatiza, “não só em Londres como em outros países, desde há alguns anos, pelo trabalho de muitos cantores e músicos que têm saído de Portugal”.
Tinha seis anos quando o pai, um grande amante de música, lhe contou a história da Traviata através das imagens que estavam impressas na capa do disco de vinil que estavam a ouvir. A ópera fazia parte do quotidiano da família mas só mais tarde, quando estava no Conservatório, é que Lara Martins decidiu ser cantora.

Correu atrás de um sonho e ganhou um palco

Lara Martins emigrou para Londres ainda como estudante, tendo realizado a sua formação na Guildhall School of Music and Drama, onde terminou o curso superior de canto, com a mais alta classificação.
Em Inglaterra encontrou oportunidades de trabalho, num país de vanguarda a nível da produção artística e da formação, mas onde a competição é muito grande.
Lara Martins já provou que tem talento. A cantora lírica portuguesa correu atrás de um sonho e ganhou um palco. A sua voz conferiu-lhe um sucesso credível e duradouro, que é fortemente aplaudido todas as semanas por milhares de pessoas. De todos os cantos do mundo.
E a sua vida é organizada quase ao minuto. Tem atualmente um contrato de exclusividade com o musical ‘Fantasma da Ópera’ – no papel de Carlotta Giudicelli – e oito espetáculos semanais. O pouco tempo livre que lhe resta é inteiramente consagrado à família.
Ao longo dos últimos anos, a cantora lírica portuguesa já atuou em várias capitais europeias e em casa coleciona com carinho vários prémios que atestam o brilho desta portuguesa.
Lara Martins e Sofia Escobar têm em comum o facto de terem trocado Portugal por Londres pouco depois de alcançarem a maioridade. Deixaram para trás a família e os amigos para correrem atrás do sonho de construir uma carreira musical. O ‘Mundo Português’ ouviu Lara Martins numa atuação em Portugal e a cantora lírica concedeu-nos esta entrevista onde fala sobre o seu percurso de sucesso.
Embora a Lara Martins já seja conhecida gostaria que falasse um pouco da sua formação e do seu percurso académico até ingressar na Guildhall School of Music and Drama…
Lara Martins – A minha formação começou no conservatório de Coimbra, onde obtive a bases da minha formação musical. Enquanto estava no conservatório frequentava os cursos livres do Professor António Salgado, indo todos os sábados ao Porto para ter aulas com ele.
O professor Salgado deu-me as bases sólidas do meu canto, que me permitiram, depois, e com a ajuda de uma bolsa da fundação Gulbenkian, ingressar na Guildhall, onde estive durante quatro anos.
No meu último ano na Guildhall recebi um prémio no concurso internacional de canto, Jaumme Aragall em Espanha, para frequentar durante um ano o Centre National d’Insertion Professionelle des Artistes Lyriques, em Marselha. Este é um centro financiado pelo estado Francês que proporciona um estágio pago durante um ano a cantores líricos de todo o mundo, recrutados em concursos internacionais ou em audições que se realizam anualmente em Paris. Foi para mim uma enorme honra ter sido escolhida para fazer parte deste leque de cantores. Foi uma experiência magnífica, cheia de desafios e conquistas.

Lara Martins conquistou um sucesso credível e duradouro que é aplaudido todas as semanas por milhares de pessoas

Portugal um país de emigrantes desde o tempo das Descobertas em que milhares viajam pelo mundo e, estando num país de forte comunidade portuguesa e tendo-se juntado a Sofia Escobar num dos mais populares musicais britânicos, conte-nos o acolhimento e o que tem sentido no país da velha Aliança?
LM- O Reino Unido é o país onde vivo há 21 anos. Vim para cá muito nova, por aqui vivi os meus anos de maturação, não só como artista mas como mulher, é o país que escolhi para construir a minha vida. Nunca me senti minimamente descriminada por ser estrangeira. O Reino Unido, e especialmente Londres, é uma mistura de nacionalidades e culturas, que vivem de um modo geral em harmonia.

Foi a segunda portuguesa a entrar no elenco?
LM- Sim a primeira portuguesa foi a Sofia Escobar.

Acha que a sua carreira nos palcos internacionais dá uma mais-valia a este pequeno país, onde nasceu, e que por vezes só conhece a emigração por outras atividades laborais?
LM- Penso que independentemente da actividade laboral de cada um, cada português que se destaca na sua área de trabalho aprecia o carinho e reconhecimento dos portugueses. Além disso, estes exemplos de sucesso além-fronteiras são motivadores para um país onde por vezes parece celebrar-se mais as desgraças e insucessos.

Como cantora lírica tem feito carreira no meio operático no Reino Unido e noutros países, mas é também presença frequente no Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa. Como consegue consoliar a sua vida artística e em simultâneo de mãe?
LM- É um enorme desafio, com o qual me deparo diariamente. As minhas filhas são e serão sempre a minha prioridade, por isso tento adaptar os meus compromissos profissionais às necessidades da minha familia. O estar a fazer este papel em ‘O Fantásma da Opera durante estes anos é um exemplo disso mesmo. Permite-me estar em casa, sem ter que me ausentar por grandes períodos de tempo. Para mim é essencial ser uma mãe presente, levar à escola, à piscina, à musica, ir ao teatro, ao cinema etc, etc. Temos obviamente a ajuda de uma nanny para as logísticas do dia a dia, mas o essencial, a base da educação e afetos tão importante nesta fase da vida de uma criança, é feita por nós.

‘O Fantasma da Ópera’ é considerado o segundo mais bem-sucedido musical de sempre no West End de Londres, depois de ‘Les Misérables’. O espetáculo estreou-se há 26 anos, em 1986. Portugal tem um ensino artístico que bem conhece e valores musicais de renome. Porque não conseguimos ter uma peça que tenha uma ‘vida’, pelo menos, com mais de que dois ou três em cena?
LM- No Reino Unido ir ao teatro, à opera, a concertos é algo tão normal como ir ao cinema. Em Portugal, infelizmente, ainda não existe esse hábito, as pessoas que consomem este tipo de espetáculos com regularidade são ainda uma minoria, é por isso impossível do ponto de vista financeiro ter um espetáculo em cena durante muito tempo. Nada tem que ver com a qualidade artística, mas com os hábitos sociais. Por outro lado não nos podemos esquecer que o West End é a Meca do teatro musical. Ir a Londres ver um espetáculo, faz parte da rotina de qualquer turista, é como ir ao Big Ben.

Sente que tem existido uma grande evolução dos artistas portugueses no estrangeiro, incluindo no canto lírico, não só em Londres como em outros países, desde há alguns anos, pelo trabalho de muitos cantores e músicos que têm saído de Portugal?
LM- A evolução dos músicos nos últimos anos é extraordinária. O nível de ensino nas escolas superiores, conservatórios e escolas profissionais melhorou imenso. Renovaram-se currículos, fortaleceram-se corpos docentes com instrumentistas e cantores de grande nível. Por outro lado e graças às solidas bases adquiridas em Portugal, muitos jovens músicos partiram para se aperfeiçoarem no estrangeiro, muitos por lá ficaram, estando a desenvolver carreiras de sucesso.

Perdeu-se uma advogada ganhou-se um cantora lírica… Esta é, como dizia Amália a sua “estranha forma de vida” ou a vida que sempre sonhou?
LM- Curiosamente eu nunca tive o sonho de ser cantora. A paixão e o amor à música foi crescendo de uma forma orgânica, até eu decidir que seria esse o meu caminho. Penso que teria sido igualmente feliz se tivesse escolhido o Direito, mas a minha vida teria sido com certeza muito diferente.

Ter uma carreira internacional é algo que se conquista como muito trabalho. Abdicou de muitas coisas para ter chegado até aqui? Se fosse hoje faria o mesmo?
LM- O trabalho e sacrifícios, fazem parte do caminho. Fui para Londres muito nova, deixei a minha família e amigos. Fui sozinha para um país que não conhecia, para uma escola altamente competitiva. Na altura ainda não existia o Skype ou FaceTime para ajudar a matar as saudades. Este foi o primeiro grande sacrifício que fiz. Depois seguiram-se outros. Tudo o que consegui foi à custa de muito trabalho e claro alguns sacrifícios pessoais, que, no meu caso, valeram a pena.

António Freitas

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