Vila Viçosa: Onde nasceram um rei e uma poetisa

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Haverá alguém entre nós que não conheça Vila Viçosa? Quem não conhecer Vila Viçosa está em falta com as páginas da nossa História e com o nosso Alentejo. Urge reparar tal falta.
A histórica vila onde nasceu uma poetisa que os mistérios da vida cedo fizeram partir – Florbela Espanca – e também um duque que veio a ser rei – D. João IV – dista menos de 200 km de Lisboa e situa-se a pouco mais de 50 km de Évora. Pela auto-estrada internacional E 90, cobrem-se as distâncias num instante. E uma vez na vila que foi berço da dinastia de Bragança, o passado histórico desdobra-se em cada esquina.
Fui recentemente, e uma vez mais, rever Vila Viçosa. E Vila Viçosa voltou a cativar-me, desde as laranjeiras da praça principal ao Castelo e ao Paço Ducal, desde as notáveis igrejas e conventos seculares e desde as fontes ao venerável Pelourinho. Para uma outra vez ficou muito mais, como, entre outros motivos, os invulgares museus do estanho e do mármore, cuja visita ficou prometida.
Com um Posto de Turismo modelarmente apetrechado e localizado no sítio certo, onde todos os turistas passam, Vila Viçosa está de parabéns, também porque o pessoal é atencioso e esclarecedor. E daí, da Praça da República, o visitante pode começar por admirar um templo de imponente fachada, a Igreja de S. João Evangelista.
Ou, pouco mais distante, o altaneiro Castelo medieval, encontrando no interior da fortaleza o Solar da Padroeira de Portugal, Nossa Senhora da Conceição, que o rei restaurador proclamou rainha e padroeira da nação que recuperara a sua independência. Ali mesmo ao pé, no vizinho cemitério, repousa a agitada Florbela Espanca, cujo nome os calipolenses entenderam por bem atribuir ao cine-teatro local.

“Haverá alguém entre nós que não conheça Vila Viçosa? Quem não conhecer Vila Viçosa está em falta com as páginas da nossa História e com o nosso Alentejo. Urge reparar tal falta”

Uma artéria, com menos de meia-dúzia de perpendiculares, leva diretamente ao vasto largo onde se situa o magnífico Paço Ducal, onde, ao centro, se ergue a estátua equestre de D. João IV. O Paço Ducal, com uma fachada com mais de 100 metros de comprimento, revestida a mármore da região, como se refere num opúsculo municipal,  “faz deste palácio real um exemplar único da arquitetura civil portuguesa”. Nas paredes do ‘hall’, o visitante inteira-se do historial da Casa de Bragança, desde o século XIV até à implantação da República, considerando-se o rei D. Manuel II como  21º Duque de Bragança.
No interior, entre “as maravilhas” apresentadas, o citado opúsculo destaca “os retratos de todos os príncipes de sangue da Casa de Bragança”, os quadros de famosos pintores portugueses e a  surpreendente panorâmica da cozinha.  “Do vasto Tesouro do Paço distingue-se a preciosa Cruz de Vila Viçosa”. E na cocheira real guardam-se coches, berlindas e landaus e viaturas de gala, bem como carros de campo e caça.
Em frente do Paço Ducal, o Convento e Igreja dos Agostinhos, pela segunda vez, levou-me a formular uma pergunta, à qual voltei a não obter resposta. Se se dá a conhecer o seu historial aos turistas e à população, porque não é permitida a visita? Estranha, sem dúvida, esta situação, que urge remediar. É dado a saber que a igreja foi transformada em Panteão dos Duques de Bragança e ali jaz o 1º Duque, D. Afonso, e o Panteão Brigantino não está patente ao público.
Referirei que também ali jaz o Duque de Bragança que a República acolheu em Portugal durante o Estado Novo, D. Duarte Nuno, que me distinguiu com especiais atenções, como de igual modo acontece com seu filho, D. Duarte Pio, atual detentor do título de Duque de Bragança; foi um prazer a sua presença no Palácio da Independência, em Lisboa, quando da recente apresentação do meu último opúsculo.
“Morada de boa gente e melhor comida”, de história, festividades e cultura, Vila Viçosa aguarda a visita de quem está em falta com a nobre vila alentejana e de quantos a reveem. Mas não deve haver portas fechadas…

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