Custo dos transportes fez mais de meio milhão de portugueses faltarem a consultas em 2017

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Em 2017, não foram realizadas mais de 500 mil consultas externas/especialidade nos hospitais públicos portugueses devido aos custos dos transportes para os pacientes.

A conclusão é de um estudo da NOVA Information Management School (NOVA-IMS), da Universidade Nova de Lisboa: 539.824 consultas ficaram por realizar em 2017 porque os pacientes não podiam pagar os custos dos transportes no acesso aos hospitais.
Outras 260.905 consultas também não ocorreram devido à conjugação dos custos de transporte com as taxas moderadoras pagas por casa consulta nos hospitais.
O estudo da NOVA-IMS, que é elaborado desde 2014, incluiu pela primeira vez a análise do impacto dos custos de transporte no acesso aos cuidados de saúde e verificou que, no que se refere às consultas externas (hospitais), este impacto é quase o dobro do dos custos das taxas moderadoras.
“As consultas, os exames e os episódios de urgência perdidos por via do valor das taxas moderadoras tem vindo a diminuir, o que é extremamente positivo e mostra que as questões relacionadas com o preço da utilização do sistema têm vindo a ser cada vez menos relevantes (…)”, sublinha o coordenador principal do estudo, em declarações à Lusa.
Pedro Simões Coelho considerou ainda “muito importante” esta vertente do custo dos transportes, sublinhando que “esta não é uma realidade intrínseca ao sistema, mas tem de ser considerada pois há determinadas franjas da população para as quais estes custos da deslocação devem merecer uma particular atenção”.

Um milhão de consultas por realizar

Segundo os dados do estudo, ficaram por realizar 539.824 consultas externas/especialidade nos hospitais públicos por causa dos custos de transporte e 254.568 por causa do preço das taxas moderadoras.
Já os dois motivos em conjunto – preço das taxas e custo da deslocação – fizeram com que não se realizassem 260.905 consultas externas nos hospitais, o que faz ascender a um milhão o número de consultas por realizar nos hospitais por todos estes motivos.
No que se refere às consultas com um médico de clínica geral ou com o médico de família num centro de saúde, o peso do custo dos transportes nas consultas por realizar é menor do que o das consultas nos hospitais: 253.318. Nos centros de saúde, o motivo que levou à não realização de um maior número de consultas – 439.997 – foi o custo das taxas moderadoras.
O estudo indica ainda que cerca de 13,5% dos inquiridos admitiram não ter recorrido às urgências devido ao custo das taxas moderadoras, resultando em 908.631 episódios de urgência por concretizar.
Apesar dos portugueses continuarem a considerar os preços das taxas moderadoras adequados, mantêm uma perceção errada dos valores, uma vez que, nalguns casos, estimam custos acima dos reais.
De acordo com este trabalho, há uma diferença entre o valor que os portugueses julgam que custa – 11,32 euros – e o que realmente custa – 7 euros – a taxa moderadora para uma consulta externa/especialidade num hospital público.
“Quando analisamos a importância da taxa moderadora no acesso ao sistema faz sentido perceber se as pessoas sabem quanto custa e se os valores se aproximam da realidade, para perceber se vale a pena atuar sob o ponto de vista da comunicação”, explica Pedro Simões Coelho.
“O que estimamos é que ao nível das consultas de cuidados primários em centros de saúde e dos episódios urgência as pessoas têm noção exata do preço (…). Agora, é uma percentagem pequena, mas ainda assim há 10% que acha que existe taxa moderadora para o internamento, que não existe, o que mostra que há um desalinhamento relativamente à realidade”, acrescentou.

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