António Guterres foi distinguido com doutoramento honoris causa pela Universidade de Lisboa

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A Universidade de Lisboa atribuiu hoje o doutoramento ‘honoris causa’ a um dos alunos mais brilhantes da história do Instituto Superior Técnico. António Guterres, 68 anos, atual Secretário-Geral da ONU, concluiu o curso com 19 valores em 1971. Por dois breves períodos – a seguir à licenciatura e depois em 2003 – lecionou na escola onde se formou, mas a vida profissional seguiu outros caminhos…

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, manifestou o reconhecimento do país ao Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, que disse ter sido o “governante mais consensualmente amado desde sempre em democracia”.
Marcelo Rebelo de Sousa considerou que a atribuição do grau de doutor “honoris causa”, pela Universidade Clássica de Lisboa, proposto pelo Instituto Superior Técnico (onde foi aluno), a António Guterres foi uma “justíssima homenagem” a um “português e um homem universal”.
Na cerimónia, Marcelo Rebelo de Sousa descreveu o percurso estudantil, profissional e académico do ex-primeiro-ministro, considerando que é “a personalidade de longe mais qualificada” da sua geração, um “universitário maduro”, líder “inventivo e empenhado de movimentos cívicos e plataformas de entendimento”.
António Guterres foi o “governante nacional porventura mais consensualmente amado desde sempre em democracia, para além das paixões de uns e das mal querenças de outros que rodearam tantos dos demais”, disse Marcelo Rebelo de Sousa, expressando o “reconhecimento em nome de todos os portugueses”.
Um português que teve a “ambição de ir mais longe, na educação, formação e inovação científica e tecnológica, no crescimento económico, na justiça social, no desenvolvimento humano”, disse.
E, acrescentou, que quis “ver Portugal como expressão viva de pessoas irrepetíveis” e “não apenas dados estatísticos de uma fria visão das sociedades”.
“Ter podido a tudo isto assistir por vezes muito de perto foi um privilégio pessoal e institucional”, disse, sublinhando que Guterres foi “um “herdeiro da História e fazedor de História”.
O ex-presidente da República Jorge Sampaio, o primeiro-ministro, António Costa, o ex-ministro Jaime Gama, o atual presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, a Procuradora-Geral da República, Joana Marques Vidal, entre outros, assistiram ao doutoramento “honoris causa” de António Guterres.

Carreira “única” e exemplar

A proposta do doutoramento honoris causa foi avançada pelo presidente do Técnico, Arlindo Oliveira, e bem acolhida pela Universidade que desde 2013 junta as antigas Clássica e Técnica.
Foi Arlindo Oliveira quem fez o elogio do antigo aluno da casa. Sublinhou que “como o próprio António Guterres afirma, uma formação em engenharia estrutura o pensamento de forma particularmente clara, o que é útil em muitas carreiras, e não só em engenharia”.
O presidente do Técnico acrescenta que a carreira de Guterres é “única” e “um exemplo para os atuais alunos, demonstrando que é possível compatibilizar competência técnica com valores humanistas”.
“O Técnico sempre teve uma tradição de criar nos seus alunos preocupações sociais e políticas”, afirma Arlindo Oliveira, assinalando que “António Guterres não foi exceção e, tal como muitos outros, teve esse tipo de preocupações”.
Mas neste caso “levou-as, talvez mais a sério do que é comum”. Foi no tempo de estudante que António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas desde janeiro de 2017, começou a empenhar-se em causas sociais.
Primeiro na Juventude Universitária Católica (JUC), depois como um dos mais ativos elementos do CASU (Centro de Ação Social Universitáris), ele foi um dos jovens universitários confrontados com a realidade social portuguesa aquando das Cheias de 1967.
No seu percurso profissional, cruzou a formação técnica com ação social que o encaminhou para cargos como o atual e, antes o de Alto-Comissário das Nações Unidas para os Refugiados. Sem ter seguido – apesar da excelente classificação – a carreira académica, foi assistente no Técnico da cadeira de Teoria de Sistemas e Sinais de Telecomunicações.
Quase 30 anos mais tarde, e já depois de ter sido secretário-geral do Partido Socialista e primeiro-ministro, regressou à escola-mãe como como professor catedrático convidado, em 2003.
Neste período foi responsável pela criação das cadeiras de Seminário de Desenvolvimento Sustentável e Seminário sobre Inovação. Também o Padre Vítor Melícias recordou uma outra caminhada paralela: Guterres e Marcelo Rebelo de Sousa, este último na altura a estudar Direito.
Estavam juntos na militância da JUC e os seus caminhos separaram-se já depois do 25 de Abril, quando escolheram partidos diferentes . Guterres entrou para o PS, pela mão de António Reis, Marcelo para o PPD/PSD.

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