O Código civil e o condomínio

Data:

Um regulamento de condomínio resulta da vontade e do entendimento dos condóminos. Contudo há preceitos legais que não podem ser afastados do texto legal e a própria lei se substitui ao regulamento em casos de omissão. Aqui ficam, os imperativos legais nesta matéria

ARTIGO 1403º
1. Existe propriedade em comum, ou compropriedade, quando duas ou mais pessoas são
simultaneamente titulares do direito de propriedade sobre a mesma coisa.
2. Os direitos dos consortes ou comproprietários sobre a coisa comum são qualitativamente
iguais, embora possam ser quantitativamente diferentes; as quotas presume-se, todavia,
quantitativamente iguais na falta de indicação em contrário do título constitutivo.

ARTIGO 1404º
(Aplicação das regras da compropriedade a outras formas de comunhão)
As regras da compropriedade são aplicáveis, com as necessárias adaptações, à comunhão de
quaisquer outros direitos, sem prejuízo do disposto especialmente para cada um deles.

ARTIGO 1405º
(Posição dos comproprietários)
1. Os comproprietários exercem, em conjunto, todos os direitos que pertencem ao proprietário
singular; separadamente, participam nas vantagens e encargos da coisa, em proporção da
suas quotas e nos termos dos artigos seguintes.
2. Cada consorte pode reivindicar de terceiro a coisa comum, sem que a este seja lícito oporlhe
que ela não lhe pertence por inteiro.

SECÇÃO II
Direitos e encargos do comproprietário

ARTIGO 1406º
(Uso da coisa comum)
1. Na falta de acordo sobre o uso da coisa comum, a qualquer dos comproprietários é lícito
servir-se dela, contanto que a não empregue para fim diferente daquele a que a coisa se
destina e não prive os outros consortes do uso a que igualmente têm direito.
2. O uso da coisa comum por um dos comproprietários não constitui posse exclusiva ou posse
de quota superior à dele, salvo se tiver havido inversão do título.

ARTIGO 1407º
(Administração da coisa)
1. É aplicável aos comproprietários, com as necessárias adaptações, o disposto no artigo 985º;
para que haja, porém, a maioria dos consortes exigida por lei, é necessário que eles
representem, pelo menos, metade do valor total das quotas.
2. Quando não seja possível formar a maioria legal, a qualquer dos consortes é lícito recorrer
ao tribunal, que decidirá segundo juízos de equidade.
3. Os actos realizados pelo comproprietário contra a oposição da maioria legal dos consortes
são anuláveis e tornam o autor responsável pelo prejuízo a que der causa.

ARTIGO 1408º
(Disposição e oneração da quota)
1. O comproprietário pode dispor de toda a sua quota na comunhão ou de parte dela, mas não
pode, sem consentimento dos restantes consortes, alienar nem onerar parte especificada da
coisa comum.
2. A disposição ou oneração de parte especificada sem o consentimento dos consortes é
havida como disposição ou oneração de coisa alheia.
3. A disposição da quota está sujeita à forma exigida para a disposição da coisa.

ARTIGO 1409º
(Direito de preferência)
1. O comproprietário goza do direito de preferência e tem o primeiro lugar entre os preferentes
legais no caso de venda, ou dação em cumprimento, a estranhos da quota de qualquer dos
seus consortes.
2. É aplicável à preferência do comproprietário, com as adaptações convenientes, o disposto
nos artigos 416º a 418º.
3. Sendo dois ou mais os preferentes, a quota alienada é adjudicada a todos, na proporção das
suas quotas.

ARTIGO 1410º
(Acção de preferência)
1. O comproprietário a quem se não dê conhecimento da venda ou da dação em cumprimento
tem o direito de haver para si a quota alienada, contanto que o requeira dentro do prazo de seis
meses, a contar da data em que teve conhecimento dos elementos essenciais da alienação, e
deposite o preço devido nos 15 dias seguintes à propositura da acção.
2. O direito de preferência e a respectiva acção não são prejudicados pela modificação ou
distrate da alienação, ainda que estes efeitos resultem de confissão ou transacção judicial.
(Redacção do Dec.-Lei 68/96, de 31-5)

ARTIGO 1411º
(Benfeitorias necessárias)
1. Os comproprietários devem contribuir, em proporção das respectivas quotas, para as
despesas necessárias à conservação ou fruição da coisa comum, sem prejuízo da faculdade
de se eximirem do encargo renunciando ao seu direito.
2. A renúncia, porém, não é válida sem o consentimento dos restantes consortes, quando a
despesa tenha sido anteriormente aprovada pelo interessado, e é revogável sempre que as
despesas previstas não venham a realizar-se.
3. A renúncia do comproprietário está sujeita à forma prescrita para a doação e aproveita a
todos os consortes, na proporção das respectivas quotas.

ARTIGO 1412º
(Direito de exigir a divisão)
1. Nenhum dos comproprietários é obrigado a permanecer na indivisão, salvo quando se
houver convencionado que a coisa se conserve indivisa.
2. O prazo fixado para a indivisão da coisa não excederá cinco anos; mas é lícito renovar este
prazo, uma ou mais vezes, por nova convenção.
3. A cláusula de indivisão vale em relação a terceiros, mas deve ser registada para tal efeito, se
a compropriedade respeitar a coisas imóveis ou a coisas móveis sujeitas a registo.

ARTIGO 1413º
(Processo da divisão)
1. A divisão é feita amigavelmente ou nos termos da lei do processo.
2. A divisão amigável está sujeita à forma exigida para a alienação onerosa da coisa.

CAPÍTULO VI
Propriedade horizontal
SECÇÃO I
Disposições gerais

ARTIGO 1414º
(Princípio geral)
As fracções de que um edifício se compõe, em condições de constituírem unidades
independentes, podem pertencer a proprietários diversos em regime de propriedade horizontal.

ARTIGO 1415º
(Objecto)
Só podem ser objecto de propriedade horizontal as fracções autónomas que, além de
constituírem unidades independentes, sejam distintas e isoladas entre si, com saída própria
para uma parte comum do prédio ou para a via pública.

ARTIGO 1416º
(Falta de requisitos legais)
1. A falta de requisitos legalmente exigidos importa a nulidade do título constitutivo da
propriedade horizontal e a sujeição do prédio ao regime da compropriedade, pela atribuição a
cada consorte da quota que lhe tiver sido fixada nos termos do artigo 1418º ou, na falta de
fixação, da quota correspondente ao valor relativo da sua fracção.
2. Têm legitimidade para arguir a nulidade do título os condóminos, e também o Ministério
Público sobre participação da entidade pública a quem caiba a aprovação ou fiscalização das
construções.

SECÇÃO II
Constituição

ARTIGO 1417º
(Princípio geral)
1. A propriedade horizontal pode ser constituída por negócio jurídico, usucapião ou decisão
judicial, proferida em acção de divisão de coisa comum ou em processo de inventário.
2. A constituição da propriedade horizontal por decisão judicial pode ter lugar a requerimento
de qualquer consorte, desde que no caso se verifiquem os requisitos exigidos pelo artigo
1415º.

ARTIGO 1418º
(Conteúdo do título constitutivo)
1. No título constitutivo serão especificadas as partes do edifício correspondentes às várias
fracções, por forma que estas fiquem devidamente individualizadas, e será fixado o valor
relativo de cada fracção, expresso em percentagem ou permilagem, do valor total do prédio.
2. Além das especificações constantes do número anterior, o título constitutivo pode ainda
conter, designadamente:
a) Menção do fim a que se destina cada fracção ou parte comum;
b) Regulamento do condomínio, disciplinando o uso, fruição e conservação, quer das partes
comuns, quer das fracções autónomas;
c) Previsão do compromisso arbitral para a resolução dos litígios emergentes da relação de
condomínio.
3. A falta da especificação exigida pelo nº 1 e a não coincidência entre o fim referido na alínea
a) do nº 2 e o que foi fixado no projecto aprovado pela entidade pública competente
determinam a nulidade do título constitutivo.
(Redacção do Dec.-Lei 267/94, de 25-10)

ARTIGO 1419º
(Modificação do título)
1. Sem prejuízo do disposto no nº 3 do artigo 1422º-A, o título constitutivo da propriedade
horizontal pode ser modificado por escritura pública, havendo acordo de todos os condóminos.
2. O administrador, em representação do condomínio, pode outorgar a escritura pública a que
se refere o número anterior, desde que o acordo conste de acta assinada por todos os
condóminos.
3. A inobservância do disposto no artigo 1415º importa a nulidade do acordo; esta nulidade
pode ser declarada a requerimento das pessoas e entidades designadas no nº 2 do artigo
1416º.
(Redacção do Dec.-Lei 267/94, de 25-10)

SECÇÃO III
Direitos e encargos dos condóminos

ARTIGO 1420º
(Direitos dos condóminos)
1. Cada condómino é proprietário exclusivo da fracção que lhe pertence e comproprietário das
partes comuns do edifício.
2. O conjunto dos dois direitos é incindível; nenhum deles pode ser alienado separadamente,
nem é lícito renunciar à parte comum como meio de o condómino se desonerar das despesas
necessárias à sua conservação ou fruição.

ARTIGO 1421º
(Partes comuns do prédio)
1. São comuns as seguintes partes do edifício:
a) O solo, bem como os alicerces, colunas, pilares, paredes mestras e todas as partes
restantes que constituem a estrutura do prédio;
b) O telhado ou os terraços de cobertura, ainda que destinados ao uso de qualquer fracção;

c) As entradas, vestíbulos, escadas e corredores de uso ou passagem comum a dois ou mais
condóminos;
d) As instalações gerais de água, electricidade, aquecimento, ar condicionado, gás,
comunicações e semelhantes.
2. Presumem-se ainda comuns:
a) Os pátios e jardins anexos ao edifício;
b) Os ascensores;
c) As dependências destinadas ao uso e habitação do porteiro;
d) As garagens e outros lugares de estacionamento;
e) Em geral, as coisas que não sejam afectadas ao uso exclusivo de um dos condóminos.
3. O título constitutivo pode afectar ao uso exclusivo de um dos condóminos certas zonas das
partes comuns.
(Redacção do Dec.-Lei 267/94, de 25-10)

ARTIGO 1422º
(Limitações ao exercício dos direitos)
1. Os condóminos, nas relações entre si, estão sujeitos, de um modo geral, quanto às fracções
que exclusivamente lhes pertencem e quanto às partes comuns, às limitações impostas aos
proprietários e aos comproprietários de coisas imóveis.
2. É especialmente vedado aos condóminos:
a) Prejudicar quer com obras novas, quer por falta de reparação, a segurança, a linha
arquitectónica ou o arranjo estético do edifício;
b) Destinar a sua fracção a usos ofensivos dos bons costumes;
c) Dar-lhe uso diverso do fim a que é destinada;
d) Praticar quaisquer actos ou actividades que tenham sido proibidos no título constitutivo ou,
posteriormente, por deliberação da assembleia de condóminos aprovada sem oposição.
3. As obras que modifiquem a linha arquitectónica ou o arranjo estético do edifício podem ser
realizadas se para tal se obtiver prévia autorização da assembleia de condóminos, aprovada
por maioria representativa de dois terços do valor total do prédio.
4. Sempre que o título constitutivo não disponha sobre o fim de cada fracção autónoma, a
alteração ao seu uso carece da autorização da assembleia de condóminos, aprovada por
maioria representativa de dois terços do valor total do prédio.
(Redacção do Dec.-Lei 267/94, de 25-10)
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ARTIGO 1422º-A
(Junção e divisão de fracções autónomas)
1. Não carece de autorização dos restantes condóminos a junção, numa só, de duas ou mais
fracções do mesmo edifício, desde que estas sejam contíguas.
2. Para efeitos do disposto no número anterior, a contiguidade das fracções é dispensada
quando se trate de fracções correspondentes a arrecadações e garagens.
3. Não é permitida a divisão de fracções em novas fracções autónomas, salvo autorização do
título constitutivo ou da assembleia de condóminos, aprovada sem qualquer oposição.
4. Nos casos previstos nos números anteriores, cabe aos condóminos que juntaram ou
cindiram as fracções o poder de, por acto unilateral constante de escritura pública, introduzir a
correspondente alteração no título constitutivo.
5. A escritura pública a que se refere o número anterior deve ser comunicada ao administrador
no prazo de 30 dias.
(Aditado pelo Dec.-Lei 267/94, de 25-10)

ARTIGO 1423º
(Direitos de preferência e de divisão)
Os condóminos não gozam do direito de preferência na alienação de fracções nem do direito
de pedir a divisão das partes comuns.

ARTIGO 1424º
(Encargos de conservação e fruição)
1. Salvo disposição em contrário, as despesas necessárias à conservação e fruição das partes
comuns do edifício e ao pagamento de serviços de interesse comum são pagas pelos
condóminos em proporção do valor das suas fracções.
2. Porém, as despesas relativas ao pagamento de serviços de interesse comum podem,
mediante disposição do regulamento de condomínio, aprovada sem oposição por maioria
representativa de dois terços do valor total do prédio, ficar a cargo dos condóminos em partes
iguais ou em proporção à respectiva fruição, desde que devidamente especificadas e
justificados os critérios que determinam a sua imputação.
3. As despesas relativas aos diversos lanços de escadas ou às partes comuns do prédio que
sirvam exclusivamente algum dos condóminos ficam a cargo dos que dela se servem.
4. Nas despesas dos ascensores só participam os condóminos cujas fracções por eles possam
ser servidas.
(Redacção do Dec.-Lei 267/94, de 25-10)

ARTIGO 1425º
(Inovações)
1. As obras que constituam inovações dependem da aprovação da maioria dos condóminos,
devendo essa maioria representar dois terços do valor total do prédio.
2. Nas partes comuns do edifício não são permitidas inovações capazes de prejudicar a
utilização, por parte de algum dos condóminos, tanto das coisas próprias como das comuns.

ARTIGO 1426º
(Encargos com as inovações)
1. As despesas com as inovações ficam a cargo dos condóminos nos termos fixados pelo
artigo 1424º.
2. Os condóminos que não tenham aprovado a inovação são obrigados a concorrer para as
respectivas despesas, salvo se a recusa for judicialmente havida como fundada.
3. Considera-se sempre fundada a recusa, quando as obras tenham natureza voluntária ou não
sejam proporcionadas à importância do edifício.
4. O condómino cuja recusa seja havida como fundada pode a todo o tempo participar nas
vantagens da inovação, mediante o pagamento da quota correspondente às despesas de
execução e manutenção da obra.
(Redacção do Dec.-Lei 267/94, de 25-10)

ARTIGO 1427º
(Reparações indispensáveis e urgentes)
As reparações indispensáveis e urgentes nas partes comuns do edifício podem ser levadas a
efeito, na falta ou impedimento do administrador, por iniciativa de qualquer condómino.

ARTIGO 1428º
(Destruição do edifício)
1. No caso de destruição do edifício ou de uma parte que represente, pelo menos, três quartos
do seu valor, qualquer dos condóminos tem o direito de exigir a venda do terreno e dos
materiais, pela forma que a assembleia vier a designar.
2. Se a destruição atingir uma parte menor, pode a assembleia deliberar, pela maioria do
número dos condóminos e do capital investido no edifício, a reconstrução deste.
3. Os condóminos que não queiram participar nas despesas da reconstrução podem ser
obrigados a alienar os seus direitos a outros condóminos, segundo o valor entre eles acordado
ou fixado judicialmente.
4. É permitido ao alienante escolher o condómino ou condóminos a quem a transmissão deve
ser feita.

ARTIGO 1429º
(Seguro obrigatório)
1. É obrigatório o seguro contra o risco de incêndio do edifício, quer quanto às fracções
autónomas, quer relativamente às partes comuns.
2. O seguro deve ser celebrado pelos condóminos; o administrador deve, no entanto, efectuá-lo
quando os condóminos o não hajam feito dentro do prazo e pelo valor que, para o efeito, tenha
sido fixado em assembleia; nesse caso, ficará com o direito de reaver deles o respectivo
prémio.
(Redacção do Dec.-Lei 267/94, de 25-10)

ARTIGO 1429º-A
(Regulamento do condomínio)
1 – Havendo mais de quatro condóminos e caso não faça parte do título constitutivo, deve ser
elaborado um regulamento do condomínio disciplinando o uso, a fruição e a conservação das
partes comuns.
2 – Sem prejuízo do disposto na alínea b) do nº 2 do artigo 1418º, a feitura do regulamento
compete à assembleia de condóminos ou ao administrador, se aquela o não houver elaborado.
(Aditado pelo Dec.-Lei 267/94, de 25-10)

SECÇÃO IV
Administração das partes comuns do edifício

ARTIGO 1430º
(Órgãos administrativos)
1. A administração das partes comuns do edifício compete à assembleia dos condóminos e a
um administrador.
2. Cada condómino tem na assembleia tantos votos quantas as unidades inteiras que
couberem na percentagem ou permilagem a que o artigo 1418º se refere.

ARTIGO 1431º
(Assembleia dos condóminos)
1. A assembleia reúne-se na primeira quinzena de Janeiro, mediante convocação do
administrador, para discussão e aprovação das contas respeitantes ao último ano e aprovação
do orçamento das despesas a efectuar durante o ano.
2. A assembleia também reunirá quando for convocada pelo administrador, ou por condóminos
que representem, pelo menos, vinte e cinco por cento do capital investido.
3. Os condóminos podem fazer-se representar por procurador.

ARTIGO 1432
(Convocação e funcionamento da assembleia)
1. A assembleia é convocada por meio de carta registada, enviada com 10 dias de
antecedência, ou mediante aviso convocatório feito com a mesma antecedência, desde que
haja recibo de recepção assinado pelos condóminos.
2. A convocatória deve indicar o dia, hora, local e ordem de trabalhos da reunião e informar
sobre os assuntos cujas deliberações só podem ser aprovadas por unanimidade dos votos.
3. As deliberações são tomadas, salvo disposição especial, por maioria dos votos
representativos do capital investido.
4. Se não comparecer o número de condóminos suficiente para se obter vencimento e na
convocatória não tiver sido desde logo fixada outra data, considera-se convocada nova reunião
para uma semana depois, na mesma hora e local, podendo neste caso a assembleia deliberar
por maioria de votos dos condóminos presentes, desde que estes representem, pelo menos,
um quarto do valor total do prédio.
5. As deliberações que careçam de ser aprovadas por unanimidade dos votos, podem ser
aprovadas por unanimidade dos condóminos presentes desde que estes representem, pelo
menos, dois terços do capital investido, sob condição de aprovação da deliberação pelos
condóminos ausentes, nos termos dos números seguintes.
6. As deliberações têm de ser comunicadas a todos os condóminos ausentes, por carta
registada com aviso de recepção, no prazo de 30 dias.
7. Os condóminos têm 90 dias após a recepção da carta referida no número anterior para
comunicar, por escrito, à assembleia de condóminos o seu assentimento ou a sua
discordância.
8. O silêncio dos condóminos deve ser considerado como aprovação da deliberação
comunicada nos termos do nº 6.
9. Os condóminos não residentes devem comunicar, por escrito, ao administrador o seu
domicílio ou o do seu representante.
(Redacção do Dec.-Lei 267/94, de 25-10)

ARTIGO 1433º
(Impugnação das deliberações)
1. As deliberações da assembleia contrárias à lei ou a regulamentos anteriormente aprovados
são anuláveis a requerimento de qualquer condómino que as não tenha aprovado.
2. No prazo de 10 dias contado da deliberação, para os condóminos presentes, ou contado da
sua comunicação, para os condóminos ausentes, pode ser exigida ao administrador a
convocação de uma assembleia extraordinária, a ter lugar no prazo de 20 dias, para revogação
das deliberações inválidas ou ineficazes.
3. No prazo de 30 dias contado nos termos do número anterior, pode qualquer condómino
sujeitar a deliberação a um centro de arbitragem.
4. O direito de propor a acção de anulação caduca no prazo de 20 dias contados sobre a
deliberação da assembleia extraordinária ou, caso esta não tenha sido solicitada, no prazo de
60 dias sobre a data da deliberação.
5. Pode também ser requerida a suspensão das deliberações nos termos da lei de processo.
6. A representação judiciária dos condóminos contra quem são propostas as acções compete
ao administrador ou à pessoa que a assembleia designar para esse efeito.
(Redacção do Dec.-Lei 267/94, de 25-10)

ARTIGO 1434º
(Compromisso arbitral)
1. A assembleia pode estabelecer a obrigatoriedade da celebração de compromissos arbitrais
para a resolução de litígios entre condóminos, ou entre condóminos e o administrador, e fixar
penas pecuniárias para a inobservância das disposições deste código, das deliberações da
assembleia ou das decisões do administrador.
2. O montante das penas aplicáveis em cada ano nunca excederá a quarta parte do
rendimento colectável anual da fracção do infractor.

ARTIGO 1435º
(Administrador)
1. O administrador é eleito e exonerado pela assembleia.
2. Se a assembleia não eleger administrador, será este nomeado pelo tribunal a requerimento
de qualquer dos condóminos.
3. O administrador pode ser exonerado pelo tribunal, a requerimento de qualquer condómino,
quando se mostre que praticou irregularidades ou agiu com negligência no exercício das suas
funções.
4. O cargo de administrador é remunerável e tanto pode ser desempenhado por um dos
condóminos como por terceiro; o período de funções é, salvo disposição em contrário, de um
ano, renovável.
5. O administrador mantém-se em funções até que seja eleito ou nomeado o seu sucessor.
(Redacção do Dec.-Lei 267/94, de 25-10)

ARTIGO 1435º-A
(Administrador provisório)
1. Se a assembleia de condóminos não eleger administrador e este não houver sido nomeado
judicialmente, as correspondentes funções são obrigatoriamente desempenhadas, a título
provisório, pelo condómino cuja fracção ou fracções representem a maior percentagem do
capital investido, salvo se outro condómino houver manifestado vontade de exercer o cargo e
houver comunicado tal propósito aos demais condóminos.
2. Quando, nos termos do número anterior, houver mais de um condómino em igualdade de
circunstâncias, as funções recaem sobre aquele a que corresponda a primeira letra na ordem
alfabética utilizada na descrição das fracções constante do registo predial.
3. Logo que seja eleito ou judicialmente nomeado um administrador, o condómino que nos
termos do presente artigo se encontre provido na administração cessa funções, devendo
entregar àquele todos os documentos respeitantes ao condomínio que estejam confiados à sua
guarda.
(Aditado pelo Dec.-Lei 267/94, de 25-10)

ARTIGO 1436º
(Funções do administrador)
São funções do administrador, além de outras que lhe sejam atribuídas pela assembleia:
a) Convocar a assembleia dos condóminos;
b) Elaborar o orçamento das receitas e despesas relativas a cada ano;
c) Verificar a existência do seguro contra o risco de incêndio, propondo à assembleia o
montante do capital seguro;
d) Cobrar as receitas e efectuar as despesas comuns;
e) Exigir dos condóminos a sua quota-parte nas despesas aprovadas;
f) Realizar os actos conservatórios dos direitos relativos aos bens comuns;
g) Regular o uso das coisas comuns e a prestação dos serviços de interesse comum;
h) Executar as deliberações da assembleia;
i) Representar o conjunto dos condóminos perante as autoridades administrativas;
j) Prestar contas à assembleia;
l) Assegurar a execução do regulamento e das disposições legais e administrativas relativas ao
condomínio;
m) Guardar e manter todos os documentos que digam respeito ao condomínio.
(Redacção do Dec.-Lei 267/94, de 25-10)

ARTIGO 1437º
(Legitimidade do administrador)
1. O administrador tem legitimidade para agir em juízo, quer contra qualquer dos condóminos,
quer contra terceiro, na execução das funções que lhe pertencem ou quando autorizado pela
assembleia.
2. O administrador pode também ser demandado nas acções respeitantes às partes comuns do
edifício.
3. Exceptuam-se as acções relativas a questões de propriedade ou posse dos bens comuns,
salvo se a assembleia atribuir para o efeito poderes especiais ao administrador.

ARTIGO 1438º
(Recurso dos actos do administrador)
Dos actos do administrador cabe recurso para a assembleia, a qual pode neste caso ser
convocada pelo condómino recorrente.

 

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