Herdade de Coelheiros: o regresso de um dos produtores clássicos ao Alentejo

Data:

A Herdade de Coelheiros é uma propriedade familiar que produz vinhos de qualidade no Alentejo desde 1991. Localizada em Igrejinha, concelho de Arraiolos, partilha a filosofia da arte dos famosos tapetes artesanais. Assim nascem os vinhos de Coelheiros, de parcela a parcela e de lote em lote, uma composição que se tece em profunda ligação com a terra e a natureza. Em 2017, a história de Coelheiros ganha um novo capítulo. Após uma cuidada renovação da imagem, com novos rótulos e uma gama coerente no segmento de vinhos de elevada qualidade no mercado, este foi um aguardado regresso de um dos produtores clássicos do Alentejo e Portugal.

O projeto passou a seguir a orientação do enólogo Luís Patrão que com vasta experiência no mundo dos vinhos e neste Alentejo que tão bem conhece, nos recebe numa visita guiada pela vasta Herdade, pelos talhões da vinha, pelo montado de sobreiros e pela vasta área de nogueiras. Quem não conhece o nome de Herdade de Coelheiros. A primeira referência histórica remonta a 1467 tendo a propriedade sido oferecida como dote de casamento a Dom Ruy de Sousa e D. Branca de Vilhena. Dom Ruy foi uma figura de relevo na História de Portugal, conhecido como o principal “arquiteto” do Tratado de Tordesilhas. Nos séculos seguintes a propriedade foi adquirida por diferentes famílias, até que em 1981 Joaquim e Leonilde Silveira compram a Herdade e dão início a uma nova fase com a plantação da vinha e do pomar de nogueiras.
As primeiras vinhas são plantadas com as castas Cabernet Sauvignon, Chardonnay, Arinto, Roupeiro e Trincadeira. A opção por castas internacionais foi uma inovação para a época e permitiu produzir vinhos de perfil diferenciador.
É produzido em 1991 o primeiro Tapada de Coelheiros tinto, sob a batuta do enólogo António Saramago. Nos anos seguintes os vinhos de Coelheiros ganham reconhecimento nacional e internacional, entre os quais o Tapada de Coelheiros Garrafeira 1996, que marca a história da herdade ao receber vários prémios como melhor vinho do Alentejo e de Portugal.

Em 2015 inicia-se um novo capítulo na história de Coelheiros
O casal Alberto Weisser e Gabriela Mascioli apaixona-se pela diversidade de culturas e quietudes da herdade e adquire a propriedade, onde passa a residir. Luís Patrão é convidado para assumir a enologia e viticultura de Coelheiros (ver caixa). É neste ano de 2017 que acontece o lançamento da nova imagem de Coelheiros que traduz a ligação ao território bem como as suas origens e tradições; inspirada na arte do bordado de Arraiolos. Esta arte secular expressa o perfil distinto dos vinhos.
A nova visão da empresa tem sido o foco na qualidade. Relançar as marcas de forma a posiciona-las no patamar de excelência que teve em tempos (quando em 1996, conquistou o prémio de “Melhor Vinho de Portugal”). Para apostar na qualidade e diferenciação, Alberto ouviu muitas opiniões, rodeou-se de uma equipa, contratou um novo enólogo, Luís Patrão, e fez opções, algumas ousadas. As castas internacionais, por exemplo, foram arrancadas, incluindo o famoso Chardonnay que caracterizou a casa, focando o projeto nas castas autóctones. A casa do monte foi tornada completamente alentejana, valorizando a região.  Os rótulos das garrafas foram redesenhados, mantendo a trama do ponto-cruz dos tapetes de Arraiolos – a marca dos antigos rótulos – mas dando-lhe uma sofisticação que não existia, com um relevo bonito em tons dourados.
O objetivo de Coelheiros é participar no trabalho de construção e imagem dos vinhos portugueses. A gama de vinhos ganhou maior coerência com apenas três marcas: Coelheiros, Tapada de Coelheiros, Coelheiros Vinha do Taco e Chardonnay. O posicionamento acompanha, estando agora num segmento mais alto.
Na mesma lógica, reduziu-se a produção de 400 000 para 150 000 garrafas/ano. Tudo isto para direcionar fruta de maior qualidade para os vinhos.
Coelheiros tem 800 hectares de área, dos quais 600 são de montado (produção de cortiça), 50 hectares de vinha, 43 hectares de nogueiral, e a herdade dedica-se também à criação de ovinos tendo cerca de 750 animais. A biodiversidade do ecossistema de Coelheiros é enorme e dá gosto visitar. Há vinhas a 300 metros de altitude, não estamos perante uma típica planície alentejana em termos de orografia, várias amplitudes térmicas. A nova loja e sala de provas faz parte dos novos investimentos e os colecionadores tem à sua disposição na loja da herdade um reportório único dos vinhos mais antigos. Os novos vinhos entraram no mercado em outubro, prova da rapidez de trabalho que os novos donos e a sua equipa conseguiram fazer em cerca de dois anos. O mercado nacional continua um papel importante representando 60% da produção, sendo que 40% é destinado à exportação. A internacionalização da empresa terá maior nos próximos anos, com focos nos mercados da China, América do Norte (EUA e Canadá), Brasil, Angola, Alemanha e Reino Unido. O trabalho de imagem e distribuição em Portugal esta encaminhado. Os vinhos da Herdade de Coelheiros em Portugal são distribuídos exclusivamente pela Heritage Wines (HW). A HW representa marcas e produtores de grande distinção que são referências de qualidade nas suas respetivas regiões. Encontram-se unidos pela tradição familiar, a inspiração criativa e a dedicação intransigente à qualidade. A HW distribui uma gama de produtos de excelência, onde se destacam no segmento de champagne, os famosos Bollinger e Ayala, os vinhos Quinta do Crasto, Roda e Mouchão, os vinhos do Porto das famosas caves Croft, Taylor’s, Fonseca, Romariz e ainda uma linha de azeites Premium Taylor’s, Quinta do Crasto e Mouchão.
Existe uma filosofia de visão a longo prazo com um vasto caminho a percorrer.”

Os vinhos e a enologia
Luís Patrão o enólogo, natural de Vilarinho do Bairro, Anadia. Licenciado em Enologia, pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, acumula no seu percurso académico importantes formações além-fronteiras que lhe permitiram desenvolver a sua própria visão dos vinhos.
Desde a Universidade da Califórnia, a ter rumado depois para Bordéus, no estrangeiro, ganhou experiência profissional em alguns dos mais conceituados produtores de vinho em todo o mundo. Durante a estadia na Califórnia, frequentou um estágio nas Rosenblum Cellars. No ano seguinte rumou à Austrália onde teve oportunidade de trabalhar com a Cape Jaffa Wines. Seguiu-se, em 2006, um estágio na Cousiño Macul, Vale del Maipo, no Chile. Já em Portugal trabalhou de perto com produtores de excelência como a Taylor’s, Companhia das Quintas ou a Herdade do Esporão, onde ocupou o cargo de Gestor de Enologia durante mais de uma década. Em 2016 foi convidado a ser o enólogo da Herdade de Coelheiros. Refere na visita que a filosofia de Coelheiros passa por aplicar a mínima intervenção humana na natureza, de forma a garantir que as castas atinjam o seu potencial refletindo o perfil do terroir.

Vinhos Tapada dos Coelheiros
Das uvas produzidas em Coelheiros apresenta o Coelheiros Branco 2016, a partir de Arinto, uma casta que se tem mostrado bem-adaptada aos solos graníticos de Coelheiros. As uvas são colhidas manualmente para preservar a frescura e intensidade aromática. A sua cativante acidez torna-o um vinho gastronómico e versátil, revelando um bom potencial de envelhecimento. Com aroma varietal característico com notas cítricas onde predomina a casca de tangerina, o paladar é elegante.
Surge depois o Coelheiros Tinto 2015 que revela o carácter vigoroso concedido pelo Aragonês e ao mesmo tempo a textura sedosa e densidade de boca proporcionadas pelo Alicante Bouschet, duas castas típicas do Alentejo. As uvas provêm da emblemática Vinha do Taco e Vinha da Sobreira, em que uma das particularidades destas vinhas é não serem irrigadas e por isso alcançarem elevados níveis de concentração.
Fermentado por leveduras indígenas permitindo assim uma melhor expressão das vinhas e solos. Estagia durante um ano em barricas usadas. No nariz predomina o aroma a frutos vermelhos com ligeiros apontamentos de fumo e especiarias. No palato evidencia densidade e riqueza, mostra-se equilibrado com boa acidez e taninos finos. O final é longo e persistente.
O Tapada de Coelheiros Branco 2016 é feito a partir de Arinto e Roupeiro provenientes da Vinha da Sobreira. Foi produzido pela primeira vez em 1995 sendo reconhecido pela sua elegância, untuosidade e capacidade de envelhecimento.
No nariz complexo onde se evidencia a fruta tropical proveniente do Roupeiro, combinada com notas de toranja e a frescura da casca de lima do Arinto. O paladar é dominado pela cremosidade e untuosidade. Final longo e persistente.
Finalmente o Tapada de Coelheiros Tinto 2013, um vinho histórico produzido pela primeira vez em 1991. Foi desde o início feito com a predominância de Cabernet Sauvignon e assim se mantém até aos dias de hoje, tornando-se num dos ícones da casta em Portugal. A experiência de várias vindimas e uma melhor compreensão dos solos permitiram a introdução de Alicante Bouschet conduzindo-o ao lote atual. Cada parcela é fermentada em separado de forma a evidenciar a sua singularidade. Seguindo-se o estágio que se divide entre 18 meses em barrica de carvalho francês e 18 meses em garrafa.
Nas notas de prova nariz potente com notas de fruta preta envolvidas em especiarias e tabaco. Na boca sobressai a intensidade da frescura do Cabernet Sauvignon, seguindo-se a textura cremosa do Alicante Bouschet, que nos conduz para um final elegante e persistente.

Share post:

Popular

Nóticias Relacionads
RELACIONADAS

Compal lança nova gama Vital Bom Dia!

Disponível em três sabores: Frutos Vermelhos Aveia e Canela, Frutos Tropicais Chia e Alfarroba e Frutos Amarelos Chia e Curcuma estão disponíveis nos formatos Tetra Pak 1L, Tetra Pak 0,33L e ainda no formato garrafa de vidro 0,20L.

Super Bock lança edição limitada que celebra as relações de amizade mais autênticas

São dez rótulos numa edição limitada da Super Bock no âmbito da campanha “Para amigos amigos, uma cerveja cerveja”

Exportações de vinhos para Angola crescem 20% desde o início do ano

As exportações de vinho para Angola cresceram 20% entre janeiro e abril deste ano, revelou o presidente da ViniPortugal, mostrando-se otimista quanto à recuperação neste mercado, face à melhoria da economia.

Área de arroz recua 5% e produção de batata, cereais, cereja e pêssego cai 10% a 15%

A área de arroz deverá diminuir 5% este ano face ao anterior, enquanto a área de batata e a produtividade dos cereais de outono-inverno, da cereja e do pêssego deverão recuar 10% a 15%, informou o INE.