A Casa de Portugal em Paris celebra 50 anos

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Criada em 1967, a ‘Maison du Portugal’ acolhe aproximadamente 180 estudantes universitários de 40 nacionalidades, sendo uma centena portugueses, mas também há japoneses, chineses, americanos, moçambicanos, marroquinos, sul-africanos e sírios

Nas nove cozinhas, fala-se diariamente em francês, inglês e português, há pequeno-almoço com produtos portugueses de 15 em 15 dias, um “aperitivo” e uma festa por mês, mas também há salas de ensaio e ateliês para os residentes que “geralmente consideram que estão em casa”, de acordo com a diretora da Casa de Portugal, Ana Paixão.
“O espírito continua a ser de criação de uma verdadeira casa, portanto, a ideia não é ser apenas uma residência universitária onde as pessoas vêm dormir e depois saem de manhã para os seus estudos. A ideia é ter também um núcleo quase familiar aqui neste espaço”, explicou Ana Paixão. Inserida no “ambiente muito internacional e cosmopolita” da ‘Cité Universitaire’ – que acolhe cerca de 6.000 estudantes de 140 nacionalidades – a Casa de Portugal distingue-se como “vitrina da cultura portuguesa” e por ter “uma das programações fortes da Cidade Universitária” com cerca de 100 atividades por ano, nas áreas da música, dança, teatro e cinema.
O “residente número um é o busto de Camões no jardim”, mas o que carateriza esta Casa de Portugal é a “mistura internacional”, com vários moradores a afixarem as conjugações dos verbos portugueses nas paredes dos quartos, com ucranianos e italianos a aprenderem português nas cozinhas e dois refugiados sírios a dizerem algumas palavras numa língua que desconheciam totalmente. “Quando foram aqui colocados tiveram de ir ao mapa ver onde era Portugal porque não faziam ideia e contaram-me que nem sabiam que havia uma língua portuguesa. Acabou por ser uma grande descoberta mas já dizem algumas palavras, já reconhecem a bandeira, já reconhecem alguns dos símbolos e já têm amigos portugueses”, continuou Ana Paixão, recordando que os jovens de 18 e 19 anos chegaram a França “só com uma mochila às costas”.
No passado, a Casa de Portugal também alojou o Comissário Europeu para a Investigação, Ciência e Inovação, Carlos Moedas, a eurodeputada e vice-presidente do Parlamento Europeu Maria João Rodrigues, o pianista Álvaro Teixeira Lopes, o violoncelista Paulo Gaio Lima e o maestro Cesário Costa, as pintoras Isabel Pavão e Gracinda Candeias e vários professores universitários como Maria João Brilhante, António Pedro Vicente, Arnaldo Saraiva.
Entre os momentos culturais marcantes da casa, contam-se sessões com os escritores Mia Couto, José Eduardo Agualusa, Valter Hugo Mãe e Gonçalo M. Tavares, cerca de 40 concertos por ano em parceria com concursos de música em Portugal, colaborações com o Festival de Jazz da Cité e divulgação do trabalho de compositores de música portuguesa com o pianista Bruno Beltoise e estudantes de conservatórios da região de Paris.
Há, ainda, uma programação de artes plásticas, cinema, dança e de teatro com a companhia Cá e Lá, os coreógrafos Sofia Fitas e João Costa Espinho, parcerias com o Festival International Signes de Nuit, The Art Institut de Nova Iorque, a Agência da Curta Metragem e a Noite Europeia dos Museus.
Na programação, feita em cooperação com o responsável da Cátedra Lindley Cintra na Universidade Paris Ouest- Nanterre, José Manuel Esteves, a Casa de Portugal organiza, também, um ciclo de conferências europeias que já recebeu os eurodeputados Ana Gomes, Marisa Matias, Paulo Rangel e o comissário Carlos Moedas, assim como um ciclo de debates “Mulheres no Mundo” e sessões de divulgação do trabalho dos investigadores em Ciência.
A ‘maison’ está de portas abertas às diferentes nacionalidades mas “o grande desafio é a aproximação à comunidade portuguesa”, algo que tem sido feito através de parcerias com associações portuguesas em França, escolas e universidades onde se ensina a língua portuguesa.
O aniversário da Casa de Portugal – André de Gouveia vai ser comemorado a 20 de novembro, na presença do ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, e dos antigos residentes Carlos Moedas e Álvaro Teixeira Lopes, o músico que “vai tocar no piano que ele próprio comprou” quando ali morou nos anos 1980.

 

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