Há novidades na rede EPE nos níveis básico secundário e superior

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Nos níveis básico e secundário, há 88.162 alunos a aprenderem português como língua estrangeira e mais de 72 mil a estudá-lo com língua de herança – um número que está ainda em aberto, já que em alguns países o período de inscrições ainda estava a decorrer aquando da apresentação pública da rede do Ensino Português no Estrangeiro (EPE)

O ano letivo de 2017-2018 na rede do Ensino Português no Estrangeiro (EPE) tutelada e apoiada pelo Camões, I.P., traz várias novidades a nível do básico e secundário – tanto no ensino do Português Língua Estrangeira (PLE) como do Português Língua de Herança (PLH) – e também no âmbito da docência da língua portuguesa a nível universitário.
A apresentação pública da rede decorreu na sede do Camões, I.P. a 13 de setembro, numa sessão conduzida pela presidente do Instituto, Ana Paula Laborinho, e presidida pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, com a presença da Secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Teresa Ribeiro.
No atual ano letivo, há mais 26 instituições de ensino superior e organizações internacionais com as quais o Camões, I.P. coopera, fruto de novos protocolos negociados, assim como três novas cátedras e dois novos leitorados.
Nos níveis básico e secundário, há 88.162 alunos a aprenderem português como língua estrangeira e mais de 72 mil a estudá-lo com língua de herança – um número que está em aberto, já que em alguns países o período de inscrições ainda estava a decorrer aquando da apresentação pública da rede.

PLH: reforço de estruturas de coordenação
No âmbito do ensino do português como língua de herança, uma das novidades relaciona-se com alterações em algumas estruturas de coordenação e ainda com a perspetiva da abertura de uma nova. “Alguns adjuntos de coordenação passaram a coordenadores, num grande esforço de reforço dessas estruturas de coordenação”, revelou Ana Paula Laborinho.
Nos Estados Unidos da América, um dos adjuntos de coordenação ascendeu a coordenador. O mesmo ocorreu na África do Sul. E no Luxemburgo, para além do coordenador, a estrutura conta agora como uma adjunta de coordenação.
A outra novidade assenta na perspetiva da criação de uma coordenação de ensino na Argentina.
A presidente do Camões, I.P. explicou que “um pedido” feito ao Instituto se traduzirá na criação de uma coordenação “em articulação com um leitorado, na medida em que há também uma comunidade que precisa dessa presença”.
Ana Paula Laborinho atualizou ainda informações relacionadas com duas questões que foram consideradas “complexas ao longo do ano”: as alterações ao ensino do português vividas em França e no Luxemburgo.
Em julho de 2016, os ministros da Educação de Portugal e de França assinaram um memorando de entendimento que permitiu ao português passar a integrar os currículos do sistema escolar francês, como língua estrangeira.
Tal ocorreu com a substituição dos cursos ELCO (Ensino de Língua e Cultura de Origem) pelo dispositivo EILE (Ensino Internacional de Línguas Estrangeiras), que veio consolidar o português como língua viva estrangeira no sistema educativo francês.
Uma alteração que, traduzida em números, representou um aumento do número de cursos: “passamos de 344 em 2016 para 579 em 2017, com a abertura de duas novas Secções Internacionais de português – em Estrasburgo e em Fontainebleau”, revelou a responsável.
No Luxemburgo a novidade é a nova modalidade de ‘ensino complementar’ de português – em substituição dos cursos integrados – que será dinamizada neste ano letivo em Esch Sur Alzette, resultante de um acordo entre Portugal e o Grão-Ducado.
“No Luxemburgo, houve uma grande preocupação ao longo do ano, com o fim dos cursos integrados. A ideia, muitas vezes generalizada, é que se iria acabar com os cursos. Na altura havia 500 alunos que poderiam ficar sem cursos, mas a verdade é que em grande diálogo com as instituições, nomeadamente do Luxemburgo, conseguimos montar os cursos complementares numa articulação com o sistema de ensino luxemburguês. E mais, garantindo a continuação das aprendizagens nos ciclos 2 a 4”, sublinhou Ana Paula Laborinho.
Esta alteração traduz-se já num inicio de ano letivo com mais três escolas e com mais alunos a aprenderem português. “Estamos certos de que esta é uma experiência consolidada e que vai dar bons resultados”, assegurou a responsável. A nova modalidade mantém o ensino do português dentro das escolas e com o aval das autoridades educativas do Luxemburgo, já que terá uma avaliação validada pelo próprio sistema luxemburguês e lançada no boletim de notas do aluno.
Ainda no âmbito do PLH, foi referido o projeto-piloto ‘Português Mais Perto’, que está a ser dinamizado desde 2016 no Canadá e nos Estados Unidos da América em nove escolas e para um público escolar de 641 alunos, e que servirá também para fazer formação de professores. Refira-se que o ‘Português Mais Perto’ é uma nova ferramenta disponível para o ensino e aprendizagem do português, reunindo dezenas de aulas interativas para a aprendizagem da língua.
Esta ferramenta interativa destina-se, sobretudo, a auxiliar as crianças e jovens que iniciaram o percurso educativo em Portugal e, agora, em virtude da emigração temporária dos seus pais, estão a residir no estrangeiro, tendo no seu horizonte voltar ao sistema escolar português; mas também para as crianças e jovens de origem portuguesa, escolarizados no estrangeiro e que aprendem português como língua de herança, explicava uma nota divulgada pelo Camões, I.P. por altura do lançamento do projeto-piloto.

PLE: aposta cada vez maior no básico e secundário
São 15 países, 88.162 alunos, 1.013 professores. Os números do ensino do Português Língua Estrangeira (PLE) nos sistemas básico e secundário demonstram que o Camões, I.P. está “cada vez mais a apostar” no PLE nestes dois níveis de ensino, como referiu a presidente do Instituto. Se na Europa “todo este processo está em desenvolvimento”, em África há países que são apontados como exemplo do interesse na aprendizagem desta língua.
É o caso do Senegal, da Costa do Marfim ou da Namíbia que têm cada vez mais alunos. “Na Costa do Marfim já temos quase mil alunos, no Senegal estamos com quase 45 mil alunos e há também a experiência na Tunísia onde, a pouco e pouco, vamos fazendo esse caminho de introdução do português”, estimou.
Os números divulgados na apresentação da rede EPE para 2017-2018 indicam que no Senegal há 44.375 alunos a aprenderam português e 435 professores. Na Namíbia, são 1.919 alunos e 23 professores, na Costa do Marfim há 948 alunos e na Tunísia há atualmente 25 alunos e um professor no ensino PLE.
No continente americano, os Estados Unidos da América – com 8.371 alunos e 144 professores – foi também apontado como um caso de sucesso. Outros países a provar que “a pouco e pouco” o Instituto está a fazer um bom trabalho são o Uruguai, com 2.300 alunos e 80 professores, e a Argentina, onde há 1.825 alunos e 37 docentes ligado ao PLE.
De referir ainda os números da Europa: atualmente há 27.786 alunos e 284 docentes na modalidade PLE, sendo Espanha o país mais representativo, com 26.830 estudantes e 263 professores.
Ainda sobre a oferta de PLE, Ana Paula Laborinho referiu o projeto ‘eLearning Camões’ voltado para o ensino à distância em diferentes áreas do saber. Com recurso a uma plataforma tecnológica alojada na internet foi criado para possibilitar a aprendizagem da língua portuguesa em qualquer parte do mundo.
Além de estar pensado para alunos, tanto em regime de autoaprendizagem como de tutoria, permite aos docentes fazerem cursos de formação contínua. “Este é outro projeto fundamental”, assume Ana Paula Laborinho, revelando que deverão ser lançados “quatro projetos de ‘eLearning’, usando as nossas ferramentas mas usando também os professores que temos nos locais para dinamizar aquilo que já é uma oferta, mas que esperamos que venha a ser reforçada”.
Por fim, a presidente do Camões, I.P. destacou o Referencial Camões PLE, elaborado pelo Instituto e que já tem a chancela do Conselho da Europa. A responsável apresentou-o como “algo que era essencial para a língua portuguesa”. Até agora, as línguas que tinham um referencial para o seu ensino, aprendizagem e avaliação como língua estrangeira eram o inglês, o espanhol, o francês, o italiano e o alemão. Desde 14 de setembro, o Referencial Camões PLE pode ser descarregado gratuitamente no portal do Camões, I.P. por todos aqueles que o quiserem usar.

Ensino superior: mais cátedras e leitorados
As estratégias de consolidação e reforço da Rede EPE em 2017-2018, também se vão fazer sentir a nível de ensino superior, onde a projeção do Camões, I.P. aponta para 95 mil alunos neste ano letivo.
A começar pelos leitorados, que passarão de 49 para 51, com a abertura de um Leitorado de Português na Universidade de Estocolmo, Suécia, e de outro na Universidade Felix Houphouet Boigny, na Costa do Marfim. Também a presença de cátedras do Camões, I.P. em universidades estrangeiras, será reforçada. “As Cátedras têm tido um aumento muito significativo”, sublinha Ana Paula Laborinho, lembrando que para abrir uma cátedra “é necessário um longo período de negociações”.
Às 43 cátedras já existentes, o novo ano letivo vai acrescer mais três: a Cátedra Camões na Universidade de Andorra, a Cátedra Eduardo Lourenço, na Universidade Aix Marseille, em França e a Cátedra João Lúcio de Azevedo, na Universidade Federal do Pará, Brasil.
Recorde-se que a Cátedra Camões foi assinada em setembro, durante a viagem do Presidente da República ao Principado de Andorra. Reveste-se de grande importância, já que representa uma nova etapa para o ensino da língua portuguesa no Principado – que até agora estava restrito aos níveis básico e secundário.
“É um dos nossos objetivos ter uma presença cada vez maior no ensino superior e a criação de cátedras é um patamar importantíssimo de formação superior”, afirmou a Presidente do Camões, I.P.

Em 401 instituições de ensino superior
No ano letivo de 2017-2018 serão 401 as instituições de ensino superior e organizações internacionais com as quais o Instituto coopera: mais 26 do que em 2016, fruto de novos protocolos negociados. “Já temos uma presença em todos estes países, são parcerias adicionais que estamos a realizar e que permitem uma consolidação maior do ensino da língua portuguesa em cada uma das regiões do globo. São 26 novas parcerias, mas há muitas mais que nos são pedidas”, frisou.
Ana Paula Laborinho deu alguns exemplos do reforço da presença do português a nível universitário. Na Colombia, onde já é lecionado na Universidade de Los Andes, passará a sê-lo também na Universidade Nacional. No Panamá será ensinado na Universidade Tecnológica e na Venezuela, a Universidade Pedagógica Experimental Libertador, arranca este ano com uma licenciatura voltada para a formação de professores.
Na Europa, “muitas universidades continuam a manifestar interesse em fazer parcerias com o Camões, IP”, disse ainda Ana Paula Laborinho, revelando que na Grécia há “um fortíssimo interesse para regressarmos, quer para a Universidade de Atenas, quer para a Universidade de Pantheion ou a Universidade de Salónica”.
Quanto ao continente africano, o Camões, I.P. vai alargar a presença na Universidade de Cabo Verde, já que passará a estar também no pólo do Mindelo.
E na Ásia os novos protocolos assinados permitiram, a partir deste ano letivo, a presença do Camões, I.P. no Instituto de Línguas Horizon de Riade, na Arábia Saudita, e na Universidade de Kasetasart, na Tailândia, que vai iniciar uma licenciatura em Estudos Portugueses.
Neste ano letivo o Camões, I.P. vai abrir ainda dois novos Centros de Língua Portuguesa, um em Novi Sad, na Sérvia, e outro em Abidjan, Na Costa do Marfim.
Ao todo, a rede EPE do Camões, I.P. está presente em 86 países. Um número que tenderá a crescer, nas palavras da presidente do Instituto.
“Continuamos a trabalhar neste grande objetivo da promoção da língua portuguesa. E devo dizer que é fácil trabalhar neste domínio porque há cada vez mais interesse pelo português no mundo”, assegurou Ana Paula Laborinho.

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