Portugueses pelo mundo solidários com vítimas dos incêndios de Pedrógão Grande

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Do Luxemburgo seguiu um camião de 40 toneladas com medicamentos, roupa e produtos de higiene oferecidos por emigrantes portugueses

Em França, a Caixa Geral de Depósitos e a Banque BCP abriram contas para recolher donativos para as vítimas dos incêndios. A associação de atividades filantrópicas Academia do Bacalhau de Paris também criou uma conta intitulada “ABP – Solidarité Incendie Leiria”, porque “perante uma tragédia incomensurável como esta, sente como obrigação moral e humana o dever de ajudar as centenas de vítimas afetadas no distrito de Leiria”.
A Santa Casa da Misericórdia de Paris também vai “sensibilizar a comunidade portuguesa para a recolha de fundos”, disse à Lusa o provedor Joaquim Silva Sousa. A associação de jovens lusodescendentes Cap Magellan divulgou, entretanto, várias das atividades de apoio às vítimas e está a fazer a divulgação na sua página internet, contando organizar, também, a 05 de agosto, uma ação de solidariedade no encontro de jovens “Portugueses de Lá, Portugueses de Cá”, em Leiria, à margem da festa Leiria Dance Floor. A organização deste evento que vai decorrer a 04 e 05 de agosto, anunciou na sua página de Facebook que “por cada bilhete vendido”, vai doar um euro às vítimas do incêndio de Pedrógão Grande. O presidente da Rádio Alfa em colaboração com os presidentes de câmara da cidade de Saint-Maur-des-Fossés (geminada com Leiria) e de Créteil, nos arredores de Paris, criou uma associação para recolher donativos para ajudar nas “necessidades mais urgentes”.

Ajuda do Luxemburgo
Um camião de 40 toneladas com medicamentos, roupa e produtos de higiene oferecidos por emigrantes no Luxemburgo seguiu para Pedrógão Grande, mas não foi suficiente para transportar todos os donativos recolhidos. “Ainda temos (mais) um camião de 40 toneladas para enviar para baixo”, dizia à Lusa Sérgio Silva, um dos fundadores da página ‘Ajuda a Portugal’, criada na rede social Facebook para ajudar as vítimas dos incêndios em Pedrógão Grande. Numa informação publicada no dia 3 de julho, os organizadores informavam que o primeiro camião tinha chegado no dia anterior a Castanheira de Pêra. Revelavam ainda que o segundo camião siu do Luxembrugo no dia 5 dste mês. Seguiram para Portugal também duas carrinhas com medicamentos e equipamento para os bombeiros.
A página foi criada em 18 de junho, tendo-se associado um dia depois a outro grupo de solidariedade criado por portugueses no Luxemburgo. Em menos de uma semana, a página ganhou 2500 seguidores e organizou locais de recolha por todo o país. Os donativos de privados, empresas farmacêuticas no Luxemburgo e bombeiros no país excederam rapidamente a capacidade de armazenamento, tendo duas empresas portuguesas cedido os armazéns para fazer a triagem, com a ajuda de três dezenas de voluntários. O transporte também foi financiado por duas empresas portuguesas no Luxemburgo, disse Sérgio Silva, que ficou surpreendido com o sucesso da iniciativa. Para o português de 42 anos, que chegou ao Luxemburgo com cinco, o sucesso da ação mostra a ligação dos emigrantes ao país.
A Caritas Luxemburgo abriu uma conta bancária para esse fime também a Caixa Geral de Depósitos no Luxemburgo também abriu uma conta solidária a 19 de junho, na sequência da abertura de uma conta do banco em Portugal para ajudar as vítimas dos fogos.

Solidariedade da Suíça
Um grupo de emigrantes, a viver na Suíça, enviou um camião com roupas e brinquedos, que vai ser entregue à Cruz Vermelha de Leiria. “Foi uma loucura com a adesão em massa da comunidade portuguesa e não só”, explicou nuno Agostinho, ao ‘Jornal de Notícias’. No total, contabilizaram “65 paletes de roupa, roupa de cama e brinquedos para crianças” e “para amanhã há um novo carregamento”.
Na página ‘Portugueses na Suíça, na rede social Facebook, um dos agradecimento ia para a ‘Pharmacies Populaires Genève Plainpalais’, de Genebra, que ajudou as vítimas dos incêndios portugueses com produtos de primeiros socorros e de higiene. Outros agradecimentos foram dados à ‘Action et partage’ que contribuiu com uma palete de fraldas e também 10 sacos de 110l de roupas e calçado.
Nuno Agostinho e a mulher Marisa Lopes juntaram-se a outros portugueses residentes em Genebra, mas estavam longe de imaginar que a solidariedade de portugueses, franceses e suíços fosse tão grande. Foi preciso pedir a Michel Balestra, empresário suíço que tem vários portugueses como funcionários, para armazenar a coleta de três paletes de bens doados. Isso, antes de perceberem que iriam chegar às 65 paletes. Um grande grupo de voluntários junta-se para acondicionar as ofertas em embalagens oferecidas pela empresa Balestrafic SA. Um empresário português ofereceu o serviço de um dos seus camiões TIR para realizar as viagens com a mercadoria para Portugal. O terceiro camião já poartiu da Suíça…

Marcha solidária em Toronto
No Canadá, mais de meio milhar de pessoas participaram no dia 1 de julho numa marcha solidária em Toronto, em homenagem às vítimas do incêndio em Pedrógão Grande, integrada numa campanha que já tinha angariado o equivalente a 67,5 mil euros. José Maria Eustáquio, presidente da Aliança dos Clubes e Associações Portuguesas do Ontário (ACAPO), entidade que junta 37 associações culturais portuguesas no Canadá, disse à agência Lusa que são nestas situações que se vê que a comunidade portuguesa “é diferente das outras”. “Este momento confirma que a nossa comunidade é diferente e é única, em momentos de grande necessidade, na sequência de situações infelizes que sucedem. Criamos este evento para nos juntarmos”, afirmou o dirigente.
José Maria Eustáquio revelou que muito em breve irá a Portugal uma comissão da organização do evento “entregar os fundos angariados”, que já superam 100 mil dólares canadianos (67,5 mil euros). “As verbas serão canalizadas para a Associação de Bombeiros Voluntários de Pedrógão Grande e para os concelhos vizinhos na área de Leiria e de Coimbra”, acrescentou.
O incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, provocou pelo menos 64 mortos e mais de 200 feridos e só foi dado como extinto uma semana depois. Mais de dois mil operacionais estiveram envolvidos no combate às chamas, que consumiram 53 mil hectares de floresta, o equivalente a cerca de 75 mil campos de futebol.

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