2017 está a ser “o melhor ano de sempre” no Turismo

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Assegura o presidente da Associação da Hotelaria de Portugal, Raul Martins. Mas o que fazer para aproveitar o atual momento e posicionar Portugal nos lugares de topo dos destinos turísticos…

‘Portugal está nas bocas do mundo… e agora?!’ foi o mote do almoço de junho da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP). Paulo Magalhães, jornalista e chefe do gabinete de comunicação da Presidência da República, foi o orador convidado e fez uma intervenção sobre os caminhos a trilhar para que Portugal mantenha os bons níveis até agora alcançados no turismo. Em 2016, a hotelaria portuguesa registou 19,1 milhões de turistas.
Raul Martins, presidente da AHP, apresentou o orador não sem antes sublinhar a crecente importância deste setor na economia portuguesa. “No turismo somamos recordes”, afirmou o responsável, baseando-se nos dados do ‘AHP Hotel Snapshot’, uma ferramenta criada pela Associação e que realiza uma análise completa mas sucinta da performance da hotelaria portuguesa.
“O novo raio-x da performance hoteleira que acabámos de lançar, revelou que 2017 começou com o melhor primeiro trimestre dos últimos 10 anos”, disse Raul Martins. Dados da AHP indicam ainda que nos primerios três meses deste ano, Portugal registou um total de 8,8 milhões de dormidas em empreendimentos turísticos, das quais 86% ocorreram em hotéis, hotéis-apartamento e pousadas.
Perante estes e outros indicadores, o presidente da AHP afirma que 2017 está a ser “o melhor ano de sempre” para o setor do turismo em Portugal. Mas os números levam o mesmo responsável a questionar sobre a forma de se aproveitar o atual momento “para posicionar Portugal nos lugares de topo (dos destinos turísticos)”.

Continuar a ser um destino de eleição
Esta e outras perguntas que lhe estão adjacentes – “Quem está verdadeiramente a colocar o país no mapa: nós ou os outros? Será que esta nova vaga de prémios significa realmente um reforço do posicionamento da marca Portugal, inclusivamente como destino turístico? Como se leva esta onda a bom porto?” – foram abordadas por Paulo Magalhães numa alocução que o também chefe do gabinete de Comunicação da Presidência da República disse ser centrada na sua longa experiência de jornalista de rádio e televisão e na sua sensibilidade enquanto cidadão.
“Estamos numa fase boa, em termos globais, pelas razões conhecidas enumeradas pelo presidente da AHP (as vitórias no Europeu de Futebol e no Festival Eurovisão da Canção, a visita do Papa Francisco, a saida do país do Procedimento de Défice Excessivo)”, começou por dizer, sem deixar entretanto de alertar. “Estes ‘incentivos’ vieram colocar alguma fervura na confiança excessiva, mas não nos podemos deixar embalar na ‘maravilha’ dos números do turismo, que está a ser o motor economia. Tudo isto são ciclos, há coisas que estão na moda, é bom que se fale, mas o que querem dizer?”, apontou o jornalista questionando se Portugal conseguirá continuar a ser um país de eleição no turismo, quando outros destinos estiverem ‘na moda’.
Isto porque, se os números do turismo são “motivos de orgulho”, para Paulo Magalhães não anulam o receio quanto à sua continuidade. “A minha grande dúvida é se esta evolução tem condições para se manter a médio e longo prazo. Porque este nível de crescimento não é infinito”, opinou, defendendo que o ‘boom’ turístico verificado nos últimos dois anos e os crescimentos a dois dígitos, em nenhuma indústria se sustenta no médio e longo prazo.

Manter os níveis de turismo
Paulo Magalhães enumerou como positivos os 40 mil novos postos de trabalho na hotelaria e turismo e o saldo de nove mil milhões de euros da balança turística em 2016. Mas lembrou os contínuos desafios apresentados pela sazonalidade da procura, pela litoralização do turismo – “90% da procura (dos turistas) centra-se no litoral” – e pela necessidade de uma melhor formação e qualificação dos recursos humanos neste setor. “Se calhar, tem que haver mais escolas de Hotelaria e Turismo e, se calhar, falta diversificar a oferta turística”, afirmou, defendendo, por exemplo, um maior investimento na promoção do turismo religioso, dos festivais de verão e do país enquanto destino de congressos.
Até porque, sublinhou, Portugal está “longe da carga excessiva de turistas de que tanto se fala”. Em 2016, a hotelaria em Portugal recebeu 19,1 milhões de turistas, enquanto só a cidade de Barcelona recebeu, no mesmo ano, 36 milhões, exemplficou.
Afirmando que tem mais perguntas do que respostas, o orador disse acreditar que o turismo em Portugal tem “espaço para crescer, mas deixou uma pergunta: “(crescer) por onde e para onde?”. Na sua opinião, importa “saber o que se quer fazer com o turismo, no sentido de definir que turistas Portugal quer ter”.

Investir em qualidade
Para o presidente da Associação da Hotelaria de Portugal, os responsáveis pelo setor do turismo têm que ter cuidado para “ não matar a ‘galinha dos ovos de ouro’”. “Sabemos que estamos ainda longe da saturação, mas temos que tomar cuidado em relação ao excesso de turistas. Em Barcelona, por exemplo, já há dois anos está limitada a construção de hotéis no centro histórico”, referiu Raul Martins aos jornalistas à margem do almoço.
O presidente da AHP também defendeu uma maior e crescente qualificação dos profissionais que trabalham nas várias áreas do turismo, revelando que, no Algarve, a falta desses trabalhadores tem levado algumas cadeias hoteleiras a oferecerem alojamento a profissionais mais qualificados oriundos de outras partes do país, como incentivo à sua contratação. “Podemos continuar a crescer em preço, mas o serviço não pode deixar de ter qualidade”, sentencia.

Ana Grácio Pinto

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