Projetos que são uma mais-valia para o ensino do Português na Alemanha…

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‘Contos Lusófonos’ e ‘Origens’ e o apoio pedagógico são algumas das muitas ações dinamizadas pelos professores

Os projetos ‘Contos Lusófonos’ e ‘Origens’, o apoio linguístico em alemão a alunos das escolas bilingues, o apoio pedagógico a professores e alunos na área consular de Hamburgo, o grupo de trabalho da elaboração e realização dos exames do 10º anos no do Estado de Bade-Vurtemberga. Estes são alguns dos projetos, atividades e ações realizados na Alemanha no âmbito do ensino da Língua Portuguesa. Além do contributo para o trabalho de difusão do Português, são também importantes instrumentos de inclusão.

Histórias da Lusofonia
Ângela Silvério e Diogo Oliveira, professores em Frankfurt e Estugarda desde o ano letivo passado, são responsáveis por um projeto desenvolvido ao longo do ano letivo na biblioteca da Embaixada de Portugal, em Berlim, junto de alunos dos 6 e os 12 anos. Uma vez por mês, os ‘Contos Lusófonos’ permitem àquelas crianças o contato com histórias de diferentes escritores da lusofonia.
Os alunos ouvem a leitura em voz alta e dramatizada desses contos e são depois convidados a ilustrá-los ou recontá-los, dependendo da sua faixa etária, “para que se possa posteriormente, e oportunamente, montar uma exposição com estes trabalhos”. No final, recebem um certificado de participação da atividade, revela Ângela Silvério. “Na visita à biblioteca da Embaixada de Portugal, as crianças e jovens das escolas europeias têm também a oportunidade de conhecer o espólio da biblioteca e adquirir o cartão de leitor junto do nosso Departamento da Cultura. Este cartão de leitor permite às crianças e jovens requisitar livros e também frequentar a biblioteca no horário ao público”, acrescenta a professora.
Implementado no âmbito do Plano de Incentivo à Leitura, ‘Contos Lusófonos’ foi criado no presente ano letivo e tem como público, turmas da Neues Tor Grundschule. Para o próximo ano letivo há a vontade do o alargar aos alunos da Kurt-Schwiters-Oberschule. “Os alunos têm reagido de forma bastante positiva a este projeto, sendo que reconhecem o mesmo como uma mais-valia para o ensino da Língua Portuguesa”, destaca a docente, elogiando ainda a “estreita e salutar colaboração” que a Coordenação de Ensino tem fomentado com o corpo docente e direção das escolas europeias assim como com o Departamento da Cultura da Embaixada de Portugal.
Também em Berlim, Ângela Silvério e Diogo Oliveira são responsáveis pelo apoio linguístico em alemão aos alunos das escolas bilingues. Aulas que se revelam um fundamental instrumento de inclusão ao contribuirem “para a mediação linguístico-cultural entre todos os agentes educativos e os alunos”, sublinha Ângela Silvério, referindo ainda que este apoio é feito, sempre que possível, em estreita articulação com os professores de alemão.
O apoio é dado com recurso a atividades e tarefas diversas que permitam “o desenvolvimento de competências de compreensão e produção oral e escrita”, para que os alunos aumentem os seus conhecimento da língua alemã. O sucesso desta ação traduz-se na promessa da sua continuação no próximo ano letivo na escola bilingue Kurt-Schwitters-Oberschule. Escola que, acrescente-se, vai iniciar em 2017/2018 o apoio linguístico em Português aos seus alunos, comor revelou ainda a docente.

Apoio pedagógico
A quase 300 quilómetros de distância, em Hamburgo, Fátima Silva, reparte o seu trabalho entre o ensino extracurricular em duas escolas alemãs, um curso de português para adultos e o apoio pedagógico tanto a docentes como a estudantes. Esta terceira componente engloba várias ações, já que, como refere, um DAP (Docente de Apoio Pedagógico) apoia “todas as atividades que fomentem o ensino/aprendizagem da Língua Portuguesa”.
O trabalho é desenvolvido em equipa com a Coordenação de Ensino, o Consulado-Geral de Portugal em Hamburgo, “sempre que solicitado”, com os outros DAP, com os professores e alunos e ainda com encarregados de educação e comissões de pais. “Com a Coordenação de Ensino há um apoio com toda a burocracia necessária e uma constante troca de ideias e interajuda a nível pedagógico-didático. Com os professores e com a leitora de Português há uma disponibilidade em ajudá-los nas atividades que promovem, no que necessitam para promover as mesmas e para uma troca de sugestões. Com o Consulado-Geral de Portugal em Hamburgo um DAP tem assento no Conselho Consultivo do Consulado e está disponível para trabalhar em conjunto e participar em atividades que tenham a ver com a Língua Portuguesa”, explica a professora, que está há sete anos a trabalhar na Alemanha.
O apoio pedagógico aos alunos recorre a atividades específicas, que são realizadas tanto junto do publico docente, como do discente. Um exemplo concreto é o apoio que Fátima Silva está a dar neste momento a uma atividade dinamizada por duas colegas, a ‘Festa dos Santos Populares’, que terá lugar em julho, em Hamburgo.
Ainda no âmbito do apoio pedagógico aos alunos, um DAP pode “como qualquer outro professor, formar um par pedagógico numa sala de aula quando a heterogeneidade de um grupo de alunos é muito grande”, acrescenta.
Recordar as ‘Origens’ de cada um…
Também em Hamburgo, na escola bilingue Rudolf Ross Grundschule, é dinamizado um projeto que para além de trabalhar a oralidade e a escrita em Língua Portuguesa, tem ainda uma importante componente cultural e de ligação às raízes portuguesas dos alunos.
Levado a cabo no âmbito das disciplinas de Língua Portuguesa, Estudo do Meio e Expressão Plástica, o ‘Origens’ tem como objetivos recolher depoimentos orais e escritos sobre a ida das famílias para a Alemanha e a cidade de Hamburgo. Através da expressão plástica os alunos representam os momentos vividos pela comunidade portuguesa e através do tema ‘Porquê aprender Português na Alemanha?’ desenvolvem a oralidade e a escrita. Fora da sala de aulas, o ‘Origens’ promove a interação escola/encarregados de educação, como explica Ana Paula Larkens, responsável pelo projeto e professora na Alemanha há 14 anos.
O projeto é desenvolvido em sala de aula e em visitas de estudo, junto de alunos com idades compreendidas entre os 8 e os 10 anos que demonstram “bastante interesse, participando ativamente no decorrer das atividades”, sublinha Ana Paula Larkens. Expressão musical, jogos pedagógicos e lúdicos e expressão dramática, são as ferramentas utilizadas pela professora para a realização deste projeto.

Exames do 10º ano
Mais a sul, na área consular de Estugarda, o professor João Mendes Bicho coordena desde a sua implementação, a elaboração, organização e logística dos exames de Português do 10º ano de escolaridade do Estado de Bade-Vurtemberga. Na Alemanha desde 2001, é, desde o ano letivo de 2008/2009, responsável pelo ensino na área consular de Estugarda. Naquele ano apontou como um dos objetivs principais, a possibilidade dos alunos de Português realizarem exames do 10º, com a nota a ser integrada no curriculo alemão do aluno.
A permissão chegou na sequência de uma reunião com a ministra da Educação daquele país. A governante confiou na capacidade dos professores de Língua Portuguesa a cargo do Camões, I.P., em preparar, organizar e realizar as provas, que se tornaram uma realidade no ano letivo de 2009/2010.
“A nível da política de língua, este projeto tem corrido bastante bem e tem sido reconhecido esse facto pelos responsáveis do Ministério da Educação do Baden-Vurtemberga nas reuniões anuais que mantemos para preparação das provas do ano seguinte”, destaca João Mendes Bicho.
O docente explica que esta é uma prova reconhecida pelas entidades escolares alemãs, que integram a nota, alcançada pelo alunos, no seu certificado anual alemão, fazendo assim automaticamente parte do seu currículo. “Pelo facto de ser uma prova reconhecida pelo Ministério da Educação e de ser difundida anualmente junto de todas as escolas no Baden-Vurtemberga, há alguns diretores de escolas com o 11º ano, e para onde os nossos alunos do 10º ano concorrem, que reconhecem a nota tida por estes alunos na referida prova como se a mesma fosse uma verdadeira segunda língua estrangeira ensinada na escola antecessora, quando os mesmos só tiveram uma língua estrangeira no 10º ano de escolaridade, atribuindo-lhe, desta forma, um peso decisivo no próprio progresso dos alunos dentro da escola alemã”, destaca ainda o docente.

Ana Grácio Pinto

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