“Passo uma boa parte da minha vida no Pico. A minha ilha, o meu terreno, o meu solo preferido do mundo…”

Data:

Dinis Paiva herdou do pai a ligação à gastronomia, na Casa de Pasto que este tinha nos Açores. Hoje é no restaurante ‘O Dinis’ em East Providence, Estados Unidos, que delicia os seus clientes e amigos com especialidades gastronómicas portuguesas.

Como começou a ligação entre a gastronomia e a música?
A minha história começa há muitos anos atrás. O meu pai criou-me e deu-me alento para dar sequência àquilo que já ele tinha feito, na área da restauração. Concretamente em Porto Formoso, em 1946 onde eu nasci.
A minha mãe era professora, o meu pai comerciante, tinha naquela altura o que se chamava de Casas de Pasto. Foi ai que comecei a ganhar o gosto pela culinária.
Entretanto surgiu a aventura de ‘fugir’ da ilha. Sempre a achei muito pequena para mim. Alistei-me na Marinha de Guerra Portuguesa e fui até ao Continente, mais concretamente para o Barreiro, Vale de Zebro onde tirei o curso de Fuzileiro Especial.
Depois fui para Angola, fui para Moçambique e as cantigas começam nessa altura. Conheci um senhor chamado Valdemar Vigário que reparou que eu tinha jeito para cantar e naquela altura havia a tradição de fazer o Natal dos Militares. Começava no norte de Moçambique e chegava a Angola. Nessa altura ensinou-me alguns fados e lá fui cantarolando.
O gosto pelas cantigas foi crescendo, regressei depois ao Continente no intervalo da segunda comissão, em 1968, onde cantei em Lisboa, no Restaurante Típico Márcia Condessa, na Praça da Alegria, depois, quando sai da Marinha voltei para os Açores. A minha família estava praticamente toda aqui nos Estados Unidos e vi-me um pouco sem saber bem o que é que havia de fazer. Trabalhei na ‘Lacto Açoreana’, como operador mecanográfico, mas a família estava ausente e acabei por vir para os Estados Unidos.

E uma vez nos Estados Unidos?
Uma vez aqui liguei-me à comunicação social, televisão, rádio e jornal em simultâneo, e fui cantando. Sempre achei que eram duas coisas que se complementavam muito. As cantigas e a radio e televisão. Depois apareceu a ideia da restauração.
Um certo dia fui cantar a um restaurante e, como recolhia, já naquela altura, o agrado da comunidade, acabei por adquirir metade desse restaurante. Foi assim que me vi com capital a realizar numa unidade muito interessante, naquela altura, que se chamava ‘Estrela’, uma vez que os donos originais eram oriundos da Serra da Estrela.
Um ano e meio depois estava sozinho à frente do restaurante que entretanto denominei ‘Estrela do Mar’. Mais adequado á minha maneira de ser, à minha forma de estar na vida, à Marinha onde me inspirei para fazer as decorações e fiquei sozinho nesse restaurante.
Entretanto surgiu a oportunidade de vendê-lo, vendi muito bem, foi quase como se tivesse ganho a lotaria naquela altura. Foi então que comecei a aplicar esse dinheiro em outros empreendimentos. Montei uma unidade de Turismo Rural nos Açores, dediquei-me mais á musica e tive a felicidade em encontrar um jovem, o Jorge Ferreira, com quem andei em parceria nas cantigas e hoje considero-me realizado. Realizado talvez não seja bem o termo, mas estou bem. Felizmente tenho uma família muito gira, tive seis filhos, estão hoje todos bem.

Sente-se então um homem realizado…
Hoje tenho a felicidade de fazer aquilo que gosto e ser pago por isso. Faço umas cantigas e vou contando umas anedotas por ai. Sou muito requisitado porque canto e conto, não me faço acompanhar de grandes orquestras. Estou na reforma, tenho 71 anos de idade. Graças a Deus estou bem.
Hoje procuro gozar dos rendimentos que fui angariando ao longo destes anos todos. Por isso é que passo uma boa parte da minha vida na ilha do Pico. A minha ilha, o meu terreno, o meu solo preferido do mundo, onde as pessoas não olham para mim para me julgar. Tenho a minha casa na Florida onde estou normalmente no inverno, quando está frio e coleciono amizades.
Há efetivamente uma malta com quem eu tenho uma amizade muito grande. Juntamo-nos na Florida, juntamo-nos aqui ou juntamo-nos em Portugal. Agora é mais conservar as boas recordações que tenho de tudo, fazer com que Deus me aguente mais um bocado neste mundo e ter as amizades e a família de volta de mim que é aquilo que fundamentalmente nós precisamos quando chegamos a esta idade.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Share post:

Popular

Nóticias Relacionads
RELACIONADAS

Compal lança nova gama Vital Bom Dia!

Disponível em três sabores: Frutos Vermelhos Aveia e Canela, Frutos Tropicais Chia e Alfarroba e Frutos Amarelos Chia e Curcuma estão disponíveis nos formatos Tetra Pak 1L, Tetra Pak 0,33L e ainda no formato garrafa de vidro 0,20L.

Super Bock lança edição limitada que celebra as relações de amizade mais autênticas

São dez rótulos numa edição limitada da Super Bock no âmbito da campanha “Para amigos amigos, uma cerveja cerveja”

Exportações de vinhos para Angola crescem 20% desde o início do ano

As exportações de vinho para Angola cresceram 20% entre janeiro e abril deste ano, revelou o presidente da ViniPortugal, mostrando-se otimista quanto à recuperação neste mercado, face à melhoria da economia.

Área de arroz recua 5% e produção de batata, cereais, cereja e pêssego cai 10% a 15%

A área de arroz deverá diminuir 5% este ano face ao anterior, enquanto a área de batata e a produtividade dos cereais de outono-inverno, da cereja e do pêssego deverão recuar 10% a 15%, informou o INE.