“Este é um livro de emoções e de afetos”

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Embora ficcionado, presta uma sentida homenagem a pessoas que ultrapassaram dificuldades e medos e conquistaram o seu ‘lugar’ longe de Portugal, neste caso, na Bélgica.

“É de facto uma emigração de que não se fala, das pessoas que têm dificuldades, porque hoje em dia pretende-se falar mais da emigração dita ‘de sucesso’”, sublinha Joaquim Tenreira Martins, autor do livro ‘Rostos da Emigração’, cuja edição em português lançou em Lisboa, com apresentação do Padre Vítor Melícias e de Albino Lopes, Catedrático do ISCSP.
Natural do concelho de Sabugal, Joaquim Tenreira Martins trabalhou durante 40 anos como Assistente Social no serviço social e jurídico da Embaixada de Portugal em Bruxelas, serviço que chefiou a partir de 1992, ao mesmo tempo que dava aulas de Português na Universidade de Dunquerque, em França. O trabalho desenvolvido junto da comunidade portuguesa na Bélgica valeu-lhe a condecoração de Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. E deu-lhe a conhecer um sem número de histórias de vida e de dificuldades de pessoas que encontraram nele a ajuda para resolvrem um leque alargado de problemas.
Essa experiência de vida deu origem a ‘Rostos da Emigração’, onde reúne 23 contos que têm como base o dia-a-dia da Secção Consular da Embaixada de Portugal em Bruxelas, particularmente do seu serviço social e jurídico. Histórias que traçam um retrato da emigração portuguesa, com os seus dramas e sonhos, que o serviço social consular, e Joaquim Tenreira Martins, ajudaram a resolver ou a concretizar. “Ao chegar ao fim da minha carreira profissional, percebi que a complexidade do meu serviço podia ser dada a conhecer através deste livro. Duranto aqueles 40 anos, vi gente pobre e gente rica, confortei presos, vivi os problemas das pessoas”, revelou na apresentação do livro, que decorreu no Atmosfera M, espaço da Associação Mutualista Montepio.
Na apresentação do livro, o Padre Vítor Milícias recordou que o liga à emigração, o afeto da solidariedade. “Este livro mostra o valor e a força desta gente. Ao lê-lo, estes rostos são também rostos de pessoas que conhecemos, que ajudamos”, sublinhou Vítor Milícias, que, recorde-se, fundou juntamente com o indústrial gráfico Valentim Morais, o jornal ‘Mundo Português’. No lançamento deste livro quis deixar a sua homenagem “àqueles que viveram do outro lado e àqueles que estavam lá a acolhê-los e a ajudá-los”, lembrando que “a solidariedade do mundo da emigração é um valor sem igual”. E felicitou o autor “por ter criado condições de se prestar homenagem a esta gente”.
Por sua vez, Albino Lopes defendeu que este livro apresenta um texto “importante e pouco comum”. “Os rostos que Joaquim Tenreira Martins nos apresenta, reconstruiu-os para nos mostrar vidas comprometidas. Mas este livro é, simultaneamente, uma ficção, de rostos que nasceram cá, mas foram para o mundo. São histórias que nos entusiasmam e é importante que pensemos que representam o drama da emigração dos anos 60. São histórias que não estão contadas”, definiu. Pessoas como as que emigraram para França, para os chamados ‘bidonville’ e que acabaram por dar origem à comunidade estrangeira mais bem sucedida naquele país. “É extraordinário como existe uma riqueza de portugueses fora de Portugal, e que conhecemos tão pouco”, lamentou, acrescentando que apesar da emigração retratada neste livro ser do pós 25 de Abril, toda a diáspora “deveria receber um tratamento como este, um carinho que não tem”.
À margem da apresentação, Joaquim Tenreira Martins explicou que quis retratar pessoas de uma emigração “de que não se fala”. Uma emigração, “sua temática e seus porblemas”, de que tomou conhecimento ainda em Portugal, através do semanário ‘Mundo Português’ (então ‘O Emigrante’), no início dos anos 70, revelou. O livro pretende ainda dignificar a função consular e a função de serviço social. “Porque toda a gente que emigra, onde se dirige quando tem dificuldades? Tem que ir às nossas representações diplomáticas e consulares, não pode estar à espera de pagar a alguém para o acompanhar a um lugar ou dar-lhe alguma informação. Temos de dignificar as nossas instituições”, defendeu.
Ao ‘Mundo Português’ lembrou a “imensa gente” que atendeu, na sua maioria em situação de pobreza. “É preciso dar uma informação inicial para as pessoas poderem continuar e inserir-se na sociedade onde pretendem fixar-se. Anos depois encontrava-os independentes, com uma profissão ou com um negócio”, alegrou-se. E deixou um alerta: “Em nome da austeridade não se podem fazer cortes nem nos consulados, nem nos serviços sociais, nem nos serviços jurídicos”.
Diz que temos todos “que ter muito orgulho nesta emigração, nestas pessoas” e espera que estes ‘Rostos da Emigração’ transmita a quem o lê, exatamente aquilo que é: um livro de emoções e de afetos. “Há uma emoção muito grande neste livro”.
Ana Grácio Pinto

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