Três jovens portugueses estiveram embarcados num veleiro holandês

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Foi uma experiência multicultural e de desenvolvimento pessoal para Jorge Medeiros, Carolina Salema e Emília Vieira Branco, naturais da Ilha do Faial, Açores.

Chama-se ‘School at Sea’. É um projecto educativo holandês destinado a alunos do ensino secundário, de várias nacionalidades, com idades entre os 14 e os 17 anos. A bordo do ‘Regina Maris’, estes jovens viveram seis meses que os deixaram mais preparados enquanto velejadores e cidadãos. Na viagem mais recente estiveram três jovens da Ilha do Faial, arquipélago dos Açores.
Emília Vieira Branco, Carolina Salema e Jorge Medeiros, todos com 17 anos, são alunos da Escola Secundária Manuel de Arriaga, na cidade da Horta, e entre 15 de outubro de 2016 e 15 de abril deste ano, estiveram essencialmente no mar, em terras longínquas, numa experiência multicultural e de desenvolvimento pessoal que os marcará para sempre.
Vivências que partilharam com o Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta (CNH) e que o Mundo Português’ publica.

Dificuldades a bordo
“A vida a bordo de um veleiro de 50 metros combinou várias vertentes de desenvolvimento, entre as quais a do currículo académico regular que temos nas nossas escolas e que cumprimos na mesma, no barco. Para além disso, combinou, também, a vertente de mar e de Vela com a vertente multicultural e desenvolvimento pessoal e social que, naturalmente está associada à vida com outras 40 pessoas, num barco bastante pequeno”, contou Emília Branco.
Sobre as dificuldades sentidas a bordo, Jorge Medeiros destaca a barreira da língua: “eles falavam holandês e nós português e inglês. Eles falavam em inglês só que às vezes em grupo mudavam para o holandês. No início, praticamente só falavam em holandês, por ser a língua originária do projeto, embora seja aberto a alunos de todo o mundo”. O jovem faialense revela que no barco havia um sino, que podia ser tocado por qualquer pessoa sempre que havia algo a comunicar. “Mas nessas ocasiões a conversa era sempre em holandês, o que nos excluiu um pouco no início, mas depois mudou e ficou tudo bem”, acrescentou, sublinhando que os organizadores do ‘School at Sea’ estão a internacionalizar o projeto no sentido de o mudarem e a questão linguística será uma das alterações.

Estudo a bordo
A questão dos estudos não foi descurada. Os três jovens explicam que tinham cada um o seu material – fornecido em parte pelos professores, como as fichas de trabalho – além dos livros. “Estudámos por esses livros, de forma individual e uns com os outros, e contávamos com o apoio dos professores a bordo, mas não havia aulas. Apenas esclarecimento de dúvidas. Existia a figura do director de projecto, que fazia a ponte entre a escola e os alunos e foram sendo enviados testes, que não contaram para nota”, revelou Emília Branco. Ao longo dos seis meses, fizeram todos os testes a bordo como se fosse uma preparação para os exames que tiveram que realizar quando chegaram ao Faial.
Sobre a vida a bordo, Carolina Salema explica que realizaram turnos de dia e de noite, com atividades como limpar as casas de banho ou trabalhar na cozinha, havendo escalas rotativas para as tarefas. “Nos turnos éramos responsáveis por todas as tarefas de navegação, ou seja, por tudo o que fosse controlar o barco, içar velas, baixar velas, etc. Sabíamos algumas coisas básicas da Vela – eu, por exemplo, fiz Vela no CNH – mas tivemos de aprender muita coisa” completou Jorge Medeiros.

Um novo sentido à vida
Sobre a importância desta experiência, concordam que foi desafiante e uma experiência inesquecível. “Uma lavagem cerebral, no bom sentido”, define Jorge Medeiros, enquanto Carolina Salema sublinha que “foram seis meses de experiências diárias e novas”. “Aprender coisas novas todos os dias faz uma diferença enorme e ajuda-nos a crescer, mudando a pessoa que somos. Obviamente que sou a mesma pessoa e sei como é que sou. No entanto, tenho uma visão diferente do mundo, mas também de mim”, confessa.
Já Emília Branco assume que aqueles seis meses deram “um sentido muito diferente a coisas que estavam presentes” na sua vida. “O projeto trouxe uma visão muito realista do mundo e uma visão de como eu me sinto em relação a mim própria. Nunca me tinha sentido como senti no barco. Aqueles seis meses foram, talvez, os mais desafiadores da minha vida e vivia com desafios diários e num ambiente que não era o meu. É claro que, gradualmente se foi tornando o meu ambiente, mas estamos a falar de uma mudança muito radical, em que todos os dias havia coisas novas para experimentar, e acho que todos esses desafios fizeram com que eu lidasse e me aceitasse de uma forma muito diferente”, revelou.
A viagem do ‘Regina Maris’ começou em Amsterdão, na Holanda. Daquele país partiu para o mar, porque até então a navegação fez-se nos canais. O veleiro passou por Tenerife, Cabo Verde, atravessou o Atlântico, foi até Domínica, seguiu para Curaçao – onde os jovens passaram o Natal, Aruba – onde aconteceu a Passagem de Ano, San Blas, Panamá, Cuba, Bermuda, Faial (a três semanas do fim da viagem), Cherbough e novamente Holanda.

 

 

 

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