Padre Vítor Melícias: A dimensão social e humana de Valentim Morais

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Valentim Morais foi um grande homem, um dos melhores da nossa geração. Foi um daqueles homens que marcaram a história mais recente do nosso país e por isso mesmo, felizmente, a República em tempo oportuno o condecorou como Comendador do Mérito. É o reconhecimento a um português que como muitos outros construiu a pulso, quando veio do interior para a grande cidade, onde desde menino se fez um grande senhor e um grande empresário, mas sobretudo um grande servidor do povo português.

Grandes causas às quais ele se dedicou. A causa da Paz, a causa da Justiça, foi um lutador na oposição ao antigo regime com o Abranches Ferrão, entre outros grandes nomes, para que houvesse democracia em Portugal. Empenhou-se desde muito jovem. Durante toda a sua vida manteve aquele espirito que eu na Eucaristia chamei de bem-aventurança. Este era um homem que tinha um espirito de disponibilidade, não trabalhava para si, trabalhava para o país, para que as pessoas, elas mesmo, tivessem trabalho, tivessem pão, para que as empresas crescessem em benefício do mesmo país.

Construiu no mundo empresarial aquilo que poderíamos chamar de uma grande empresa, foi desde o pequeno espaço na Travessa do Ferragial, que eu o acompanhei, com um grupinho de trabalhadores, quase trabalhando de noite e dia, foram crescendo até poder ter tido a influencia que efetivamente teve, mesmo na comunicação social. Ele foi, como sabemos, o fundador, o real fundador, embora eu tenha colaborado com ele desde o início do jornal ‘O Emigrante’ como então se chamava, e hoje se chama jornal ‘Mundo Português’.

Foi feito com um espirito de serviço, o primeiro editorial é mesmo ‘Agir Servindo’ e isto por corresponder à sua intenção, o que ele queria era fazer um jornal para servir aquelas multidões de portugueses que mesmo no tempo da emigração a salto, não encontravam proteção jurídica, não tinham conhecimentos que os pudessem ajudar, então ele destacou portugueses como o Vítor Belém, o Sr. Alegria e outros portugueses que iam daqui junto das comunidades para os poder sensibilizar e ver aquilo em que podíamos ser úteis.

Efetivamente este jornal nasceu com o espirito, e esperemos que se mantenha por muito tempo, de ser um instrumento de serviço pela informação, mas também pela formação e pelo apoio não só jurídico, mas também apoio político para que as entidades responsáveis dos países de acolhimento e de Portugal, possam ver naqueles que são emigrantes, não pessoas clandestinas, ilegais, pessoas irregulares, muito menos criminosos, mas vejam pessoas que perante as necessidades económicas ou sociais se aventuraram para aquilo que o grande e nosso Eduardo Lourenço chamou de uma ‘geração triunfadora’.

Foram os melhores dos portugueses que conseguiram triunfar, fruto do seu empenhamento e do seu trabalho, tal como Valentim Morais fez. Ele, porque tinha consciência daquilo que a vida custa e de como ela se pode realizar solidariamente empenhou-se, desde sempre e para todo o sempre com aqueles que são os trabalhadores portugueses em qualquer parte do mundo onde se encontrem.

Ele era um homem que vivia a diáspora no coração, na alma e na vida. Pude acompanhar durante décadas, neste espirito e hoje, na hora da partida com muita emoção e muito sensibilizado, digo que Portugal está a encomendar a Deus, está a dizer adeus a um grande português, que merece ficar na memória coletiva e deve ficar como estimulo para que a Justiça se realize neste pais e a Democracia não seja apenas um instrumento formal como infelizmente é, mas seja aquilo que ele sonhou enquanto criação de um espaço onde os seres humanos se tratam, e são, irmãos uns dos outros. Onde haja respeito pela liberdade, pela fraternidade e pela igualdade de condições.

Valentim Morais foi um homem que atuou neste espirito e que merece ficar na memória, como um grande homem, como empresário e como apoio incondicional da comunidade emigrante, ou seja da grande diáspora portuguesa, mas também no coração de todos nós como um grande português, um grande porta-bandeira dos melhores estandartes da Humanidade que são exatamente estes: A Justiça, a Paz e a Fraternidade.

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