Está em Ourém um dos mais belos castelos portugueses

Data:

Para lá chegar, é necessário subir uma ladeira íngreme que atravessa a zona velha de Ourém, mas vale a pena…

Desconhece-se a data precisa da fundação do primitivo castelo, mas sabe-se que já existia no séc. XII, e no recinto foram identificados vestígios do Calcolítico e das Idades do Bronze e do Ferro. Embora as informações acerca da primitiva ocupação humana de seu sítio sejam escassas, a sua localização e características particulares – erguido em torno de uma fonte de água – levam os estudiosos a acreditar que tenha se desenvolvido desde a pré-história, sucessivamente ocupado por romanos, visigodos e muçulmanos. Estes últimos aí terão erguido uma fortificação. Em posição dominante sobre a vila medieval e a ribeira de Seiça, é considerado um dos mais belos castelos portugueses.
Conquistada, em definitivo, aos mouros em 1136, Ourém foi doada (1178) pelo primeiro rei português, D. Afonso Henriques à sua filha, Infanta Dona Teresa. Esta conferiu foral à localidade que, desde então, passou a ser parte dos territórios mais importantes das rainhas portuguesas. Isto até que, em 1384, D. João I a concedeu, bem como o título de Conde de Ourém, ao Condestável do Reino, D. Nuno Álvares Pereira. Foi do castelo que D. Nuno Alvares Pereira, 3º Conde de Ourém, partiu para a Batalha de Aljubarrota. Aludindo a isso, foi colocada uma imagem do Conde no amplo Terreiro de S. Tiago, no lado norte do monumento.
Quanto à antiga fortificação muçulmana, deverá ter sido reconstruída nos primeiros tempos da monarquia, uma vez que a primeira referência a um castelo de planta triangular no alto do monte remonta a 1178. O rei D. Dinis doou a vila e o respetivo castelo à sua esposa, a rainha Santa Isabel (1282). Diante do fraco povoamento, entretanto, esses domínios reverteram para a Coroa, sendo doados, em 1299, a Martim Lourenço da Cerveira, com obrigação de os povoar.

Época de esplendor, com D. Afonso
Sob o reinado de D. Pedro I (1357-1367), o termo da vila foi elevado a condado, sendo 1° conde de Ourém o nobre D. João Afonso Telo de Menezes. Quando da eclosão da crise de 1383-1385, a povoação e seu castelo, governados pelo conde de Barcelos, D. João Afonso Telo de Menezes, irmão da rainha viúva D. Leonor Teles, tomaram o partido por D. Beatriz. Foram conquistados pelas forças do Mestre de Avis, no início do Verão de 1384. Já em meados do século XV, com D. Afonso, 4º Conde de Ourém e Marquês de Valença, as muralhas do primitivo castelo foram rasgadas para edificação do Paço, Data dessa altura a fase de grande esplendor da vila, sob a direção de D. Afonso, que além das grandes reformas no conjunto do castelo medieval, mandou erguer ainda a Igreja da Colegiada perto da Porta da Vila, antiga entrada nas muralhas de Ourém.
Mas em 1755, durante o terremoto de Lisboa, tanto o castelo como a parte velha da vila de Ourém foram destruídos parcialmente. A vila foi abandonada, e a população fixou-se na Aldeia da Cruz. Com isso, a região evoluiu rapidamente, vindo a ser elevada à categoria de vila, em 1841, recebendo o nome de Vila Nova de Ourém. O castelo entrou, então, num processo de degradação agravado pelas invasões francesas, já no início do século XIX, sendo, no entanto, classificado como “monumento nacional” em 1910, numa confirmação da sua importância histórica.
Em 1934, o Ministério de Guerra devolveu o Castelo de Ourém à Fazenda Pública que, apesar de pretender realizar obras de restauro, suspende as mesmas por falta de verbas. Doze anos mais tarde, ocorreu um grande temporal, nesta região, que provocou grandes estragos nos telhados dos torreões. Em 1963, deu-se o desabamento de metros de muralhas, e coube à Junta de Freguesia de Ourém reconstruir as muralhas três anos mais tarde. Com o passar dos anos, o castelo passou por algumas obras de restauro do castelo, bem como a instalação de placas informativas. A 20 de junho de 1991, foi constituída a cidade de Ourém, através da junção da antiga vila de Ourém com a Vila Nova de Ourém. Em julho de 2004, foi elaborada a Carta de Risco do imóvel, referente ao Castelo de Ourém, que atualmente não é usado para nenhumas outras funções, assumindo apenas o papel de marco histórico de interesse turístico.

Um marco da vila
O castelo foi um marco central de Ourém na Idade Média. É constituído por três torres de formato quadrangular, ostentando um recinto triangular, no qual pode ser encontrada uma cisterna subterrânea de formato ogival, que é alimentada por uma fonte de água. No lado Norte do castelo abre-se o Terreiro de Santiago, com uma estátua do Condestável D. Nuno Álvares Pereira ao centro. Do conjunto destacam-se ainda o Paço do Condes, que foi utilizado como residência oficial do conde D. Afonso, a fonte em estilo gótico, o pelourinho em estilo barroco, a Igreja da Colegiada e a cripta. A destacar ainda os torreões de entrada, erguidos por volta de 1450. À época, uma passagem coberta unia o Paço a uma torre cilíndrica, da qual resta a base, e daí se fazia a ligação ao castelo. O Paço e os dois torreões apresentam traços de inspiração veneziana, onde se destacam as cimalhas de tijolos salientes.

UMA LENDA E UM RAPTO…
Conta a história que, o nome Ourém se deve a uma moura que se apaixonou por um cavaleiro cristão e que, após se converter ao cristianismo, adotou o nome de Oureana. Antes disso, esta terra tinha o nome de Abdegas. Tal fato pode ser comprovado na carta de foral concedida em 1180 a D. Teresa pelo seu pai, D. Afonso Henriques, em que se escreveu “Auren, que antes se chamava Abdegas”.
A torre que fica virada para noroeste é conhecida como “Torre de D. Mécia”, devido ao que aconteceu durante o reinado de D. Sancho II. Quando o rei casou com D. Mécia Lopes de Haro, os partidários do infante D. Afonso, preocupados com a possibilidade de vir a advir algum descendente ilegítimo desta união, decidiram raptá-la e encarcerá-la nessa torre, onde permaneceu até se retirar para Castela, onde continuou a intitular-se de rainha de Portugal, até à sua morte.

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