“Todos os dias são dias de desafios dentro da FRUTAFORMAS”

Data:

O conceito de desidratar (retirar a água) alimentos é milenar. No Oeste de Portugal, esta conservação é um saber acumulado de várias gerações e é aqui que surge a FRUTAFORMAS, uma empresa especializada em desidratar alimentos. O resultado são produtos altamente ricos em fibras e nutrientes em que a única coisa retirada da fruta é a água. Sem conservantes, nem adição de açúcar, como explica Diogo Maurício, diretor de Marketing e Vendas da empresa.

Como surge a FRUTAFORMAS?
A FRUTAFORMAS surge por memórias de infância de João Azevedo, o pai deste projeto. Na região do Oeste há muito tempo que se secava fruta ao sol. Eram utilizadas as eiras e também uma espécie de estendal com fruta a secar ao sol que permitia preservá-la  ao longo do ano para ser consumida principalmente durante o Inverno. Tendo ele estas memórias de infância quis aproveitá-las e torná-las num produto. Em 2012 não se ouvia falar de fruta desidratada como hoje e era preciso fazer experiências. Optámos então por introduzir o produto numa gama média-alta com um posicionamento premium que atingisse aquele grupo de consumidores que entendíamos que nos permitiam fazer um teste imediato ao produto. Por ser um nicho de mercado, dava para introduzir referências que nem sempre tínhamos a certeza se iam resultar e este foi o trabalho que foi feito até meados do ano passado.
O objetivo da FRUTAFORMAS foi colocar um produto no mercado que fosse saudável, 100 por centro fruta e diferente das típicas barras de cereais, ou snacks açucarados já existentes no mercado. Queríamos um snack saudável e durante cerca de dois anos desenvolvemos esse snack até que chegámos a outubro de 2012 altura em que lançámos o produto no mercado.

Que frutas colocam à disposição dos vossos clientes?
Por estarmos no Bombarral, uma região frutícola por excelência, começámos precisamente com as frutas que havia na região. O projeto começa com a Maçã de Alcobaça, a Royal Gala e a Pera Rocha do Oeste. Procurámos sempre ter produtos de base certificados que sejam produtos de excelência a nível nacional e esta tem sido a nossa linha de pensamento no desenvolvimento de novos produtos. Mais tarde percebemos que havia potencial para outros frutos e neste momento comercializamos também o Ananás dos Açores. Trabalhamos com a cooperativa de Ananás dos Açores este produto DOC (Denominação de Origem Controlada), selecionado e nacional. Temos algumas experiências também com Cerejas do Fundão num projeto muito particular com a câmara municipal do Fundão. Procuramos frutas que o consumidor identifique facilmente como nacionais e que têm, sem dúvidas, características completamente diferentes das frutas de outros países, principalmente ao nível do sabor e da textura e isso é uma enorme mais valia ao desidratarmos a fruta porque, ao desidratar, estamos a intensificar todo este sabor, todo este “gosto” da fruta nacional e isso vai, sem dúvida, diferenciar o nosso produto da restante existente no mercado.

Estar na região Oeste, no Bombarral, tem sido uma vantagem?
O posicionamento na região Oeste acaba por ser estratégico a todos os níveis. Primeiro porque a maçã e a pera rocha continuam a ser os nossos produtos mais vendidos e a disponibilidade de matéria-prima é uma grande mais valia, temos várias centrais fruteiras aqui bem perto com quem desenvolvemos parcerias. Por outro lado estamos no centro do país, o que nos ajuda bastante em termos de deslocações e conseguimos facilmente chegar a todo o lado. É uma zona conotada, mesmo no estrangeiro, como uma zona de produção de excelência quer ao nível de frescos quer de transformados.
Esta é uma enorme mais valia, o facto de estarmos aqui e não noutra região, sermos identificados como uma  empresa que está sediada numa região de excelência.

A inovação está no vosso ADN…
Todo este projeto nasce da ideia de criar um produto rústico, de memória e um produto vendável. Um produto que seja fácil de consumir.
Nós temos inovado, eu diria que todos os dias. Todos os dias são dias de desafios dentro da FRUTAFORMAS. Aquilo que procuramos é superar-nos dia após dia, procurar cada dia produtos mais distintos, produtos inovadores. Fazemo-lo internamente, mas também associados a outras empresas ou entidades que nos vão ajudando, em conjunto, a criar produtos diferenciados. Isto tem acontecido. Temos alguns projetos neste momento em vias de vir a ser desenvolvidos.

Não há limites para as aplicações da Fruta desidratada?
Quando começámos o projeto estávamos sozinhos, não havia outras empresas de fruta desidratada com escala em Portugal, havia apenas alguns pequenos projetos.
Aquilo que sempre procurámos ser foi uma empresa especializada na desidratação de fruta. Podemos depois aplicá-la em imensos campos, na restauração, por exemplo, que permitem explorar diversos mercados. Acredito que com todas as preocupações que começam a aparecer ao nível da saúde e bem-estar, com uma maior consciência na escolha alimentar, vamos ter cada vez mais mercado. Cada vez mais, as pessoas vão procurar produtos que façam melhor e esse é o nosso objetivo. Continuar a crescer, mas continuar a desenvolver produtos de excelência que se diferenciam por não ter qualquer adição nem de açúcar, nem de conservantes.
Estamos a consumir fruta num formato completamente diferente. Se há três anos lhe dissessem que lhe podiam dar uma barra de fruta, se calhar iria achar estranho. Hoje em dia isso é possível. Nós temos uma barra de fruta, só fruta que ao consumir equivale, em termos nutricionais, a comer uma peça de fruta. Este foi um passo muito importante dado pela FRUTAFORMAS e é isso que nós procuramos. Manter esta distinção e a inovação que nos caracteriza.

A FRUTAFORMAS tem tido um rápido crescimento…
Acima de tudo, o que nós procuramos é ter um crescimento sustentado. Começámos como uma pequena empresa, de teste, e fomos colocando produtos no mercado, vendo a reação dos consumidores. A colocação destes produtos foi crescendo ao longo do primeiro ano e chegámos a cerca de 100 pontos de venda a nível nacional. Isto permitiu-nos ver que havia espaço para estes produtos surgirem também noutros mercados e noutros pontos de venda. O segundo ano foi um ano de consolidação, atingimos os 200 pontos de venda a nível nacional e começámos a trabalhar alguns contactos a nível internacional. Em 2015 decidimos que seria o ano em que iriamos focarmo-nos também no mercado externo. Neste sentido começámos a procurar parcerias e a estar presentes em algumas feiras internacionais. A recetividade aos nossos produtos foi boa e isso levou-nos a querer contactar com possíveis distribuidores no estrangeiro e as coisas foram surgindo. Tomámos essa decisão porque decidimos mudar de instalações e ampliar a capacidade de produção o que nos permitiu poder responder a este tipo de procura. Mas mais uma vez foi um passo sustentado e um crescimento que nós queremos que seja real. As perspetivas são boas, o final do ano passado correu muito bem, o início deste ano está a revelar-se muito interessante, principalmente no mercado externo. E é por aqui que queremos crescer também. Neste momento temos qualidade de produto, temos capacidade de resposta e para levar a fruta do Oeste para outro tipo de mercados. É esse o objetivo e isso, sem dúvida, que nos vai fazer consolidar o projeto a nível nacional, mas também fazê-lo crescer com esta perspetiva internacional.

Em que mercados gostariam de estar presentes?
Por uma questão de proximidade o mercado europeu é o que mais nos atrai, principalmente os países nórdicos e o mercado do Reino Unido que é aquele onde vamos incidir grande parte do nosso foco durante este ano. Sabemos que este mercado funciona como uma central de compras para todo o mundo. Sabemos que temos um produto com bastante potencial para chegar aos Emiratos Árabes Unidos e pensamos fazê-lo através do Reino Unido. A nossa estratégia é colocar várias gamas de produtos e para além de disponibilizar a nossa gama premium, temos também uma gama para o canal de impulso, para um consumo mais direto. Estamos a trabalhar estas duas gamas em paralelo. Em 2015 tivemos uma grande abertura no mercado dos Estados Unidos e prevemos continuidade com este cliente, as coisas estão a crescer a um ritmo muito acelerado o que é bom neste mercado.

Qual a sua opinião do SISAB PORTUGAL?
O SISAB PORTUGAL é uma mostra de produtos muito importante. Nós temos a ambição de vir a participar no SISAB PORTUGAL. Acho que começam a estar reunidas as condições para virmos a participar porque é uma montra de produtos nacionais para compradores internacionais onde se fazem realmente negócios a sério. Com duração. Não são negócios momentâneos, são negócios onde se encontram parceiros, sérios e com quem se consegue trabalhar durante um longo período de tempo. Já estive lá e é nosso objetivo virmos a participar. É uma feira com uma componente internacional muito forte e que proporciona o contacto direto com compradores que de outra forma não se consegue. A organização do SISAB PORTUGAL atua como um facilitador de negócios que permite que esses compradores venham conhecer produtos que de outra forma não teriam como chegar a eles, senão vindo a Portugal e conhecê-los.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Share post:

Popular

Nóticias Relacionads
RELACIONADAS

Compal lança nova gama Vital Bom Dia!

Disponível em três sabores: Frutos Vermelhos Aveia e Canela, Frutos Tropicais Chia e Alfarroba e Frutos Amarelos Chia e Curcuma estão disponíveis nos formatos Tetra Pak 1L, Tetra Pak 0,33L e ainda no formato garrafa de vidro 0,20L.

Super Bock lança edição limitada que celebra as relações de amizade mais autênticas

São dez rótulos numa edição limitada da Super Bock no âmbito da campanha “Para amigos amigos, uma cerveja cerveja”

Exportações de vinhos para Angola crescem 20% desde o início do ano

As exportações de vinho para Angola cresceram 20% entre janeiro e abril deste ano, revelou o presidente da ViniPortugal, mostrando-se otimista quanto à recuperação neste mercado, face à melhoria da economia.

Área de arroz recua 5% e produção de batata, cereais, cereja e pêssego cai 10% a 15%

A área de arroz deverá diminuir 5% este ano face ao anterior, enquanto a área de batata e a produtividade dos cereais de outono-inverno, da cereja e do pêssego deverão recuar 10% a 15%, informou o INE.