“Somos uma empresa nacional de enchidos. Produzimos produtos regionais…”

Data:

Criada em 1955, a Fercarnes mantem-se uma empresa familiar de essência alentejana. Em Oriola, aldeia do concelho de Portel, a empresa dedica-se à fabricação e comércio de enchidos de carnes regionais segundo as tradições inerentes a esta região. Marta Ferro é a diretora Comercial e de Marketing desta empresa e representa a terceira geração neste negócio que conta com mais de 600 clientes espalhados por todo o país.

Conte-nos  a história da Fercarnes.
A ‘Fercarnes’ é uma empresa familiar, que nasceu nos anos 90, no entanto, foi o meu avô que iniciou este negócio nos anos 50. A empresa não começou com este nome, mas era, já naquela altura, um negócio tradicional e regional aqui na aldeia.
Tudo começou com as tradicionais matanças do porco, como ainda muitas pessoas fazem atualmente aqui na região, em casa. O meu avô, como tinha mercearia, começou a vender alguns produtos. O meu pai acabou por entrar no negócio, em meados dos anos 70, e começou a expandir o negócio. Era uma geração mais ambiciosa e começou a vender para a zona de Lisboa que, tal como hoje, era o grande foco de vendas do nosso país. E foi assim… Começou a ir para Lisboa vender diversos produtos regionais, não só os enchidos, que são a nossa atividade principal hoje em dia, mas também queijo, pão, azeitonas e carvão. Naquela altura era permitido carregar tudo de uma só vez e, normalmente, trazia o carro vazio. Atualmente já não é assim. Hoje o mercado é muito mais exigente e aos poucos a empresa foi evoluindo até que chegou uma altura em que o meu pai teve que optar por uma área de negócio. Optou pelos enchidos, uma vez que era o que lhe estava no “sangue”, como se costuma dizer.
Somos quatro filhos. Entretanto as minhas irmãs também entraram no negócio. Eu e o meu irmão mais novo continuámos os estudos e também entrámos na empresa porque acreditamos que foi para isso que fomos talhados. Era esse o desejo do meu pai e nós crescemos também com essa vontade de levar o negócio para a frente.
Temos vindo a crescer sustentadamente. Hoje temos uma equipa de 25 colaboradores. Continuamos a ser uma empresa familiar mas já estamos representados em todo o país.
Existimos como ‘Fercarnes’ desde 1991, vamos fazer 25 anos no final deste ano. Em 2006 aquando da nossa mudança para estas instalações fomos distinguidos com um prémio pelo investimento efetuado em tempos de crise. Foi-nos atribuído em Barcelona. Houve a necessidade, o mercado não estava numa altura muito expansiva, não era a melhor altura, mas o mercado procurava-nos e nós já não tínhamos capacidade de resposta nas antigas instalações. Estávamos completamente estrangulados em termos de layout e isso obrigou-nos a vir para fora da aldeia e construir novas infraestruturas, mais modernas, com maior capacidade de resposta.

Que produtos comercializam?
A nossa atividade principal é o fabrico de enchidos. Nós caracterizamo-nos como uma empresa regional de enchidos. Produzimos produtos regionais não industriais. A nossa marca é ‘bem alentejana’ e queremos que esteja associada ao trabalho com produtos alentejanos, de cariz alentejano e com matérias-primas do Alentejo, daí que nos tenhamos focado mais no produto regional. No entanto já temos mais uma vasta gama de produtos com mais de 20 referências, só em enchidos. Destaco um produto criado por nós, o nosso Paio Curado que é um produto diferenciado de qualquer outro da concorrência. Somos líderes de mercado nesta gama. Para além deste, produzimos chouriços, linguiças, farinheiras, painhos, de porco branco, ou de porco preto, para várias carteiras e para vários gostos. Produzimos também peças mais distintas como o cachaço de porco preto, por exemplo.

A Fercarnes desenvolveu outro produto inovador. De onde partiu a ideia de desenvolver um produto regional fatiado?
De facto achámos que havia uma lacuna no mercado. Havia muito chourição, ou salpicão, produtos mais industrializados, mas nas gamas de produtos regionais não havia nenhum produto que se vendesse em charcutaria, já fatiado, preparado para colocar em sandes no dia-a-dia. Não havia nenhum produto, com qualidade regional que reunisse estas condições. Nós encontrámos esta lacuna no mercado e quisemos suprimi-la. Não foi fácil chegarmos à peça que temos hoje. Demorou muitos anos a desenvolver este produto como hoje o apresentamos. Há imensos paios no mercado, mas com as características que nós trabalhamos não se encontra.

Apesar do enfoque no mercado nacional a Fercarnes já conquistou alguns clientes fora de Portugal?
Nós trabalhamos 90 por cento para o mercado nacional. Temos alguns clientes noutros países, nomeadamente na Alemanha, em Inglaterra, mais recentemente na Holanda. Mas são clientes que emigraram daqui da região e abriram negócios lá fora, onde querem ter produtos portugueses. Querem ter produtos de qualidade e por isso procuram-nos. Mas não é muito expressivo ainda para nós.

Como tem sido a  aceitação dos vossos produtos nesses países?
Os nossos produtos quando entram no mercado, por norma, têm tido bastante aceitação. No estrangeiro tem sido igual. Os nossos produtos têm uma ótima relação preço/qualidade. Estão longe dos preços dos produtos de gama alta, mas não são dos mais baratos devido à qualidade que nós exigimos a nós mesmos.
A nível nacional temos um mercado bastante vasto tendo em conta os 20 produtos da gama. Temos de tudo, para todos os tipos de público. Temos desde o chouriço de carne corrente até ao cachaço de porco preto, que é um produto mais distinto, com um preço muito mais elevado. É um produto mais específico que produzimos em menor quantidade.

A carne que utilizam na produção é oriunda de produtores nacionais?
Compramos a carne a produtores nacionais, nomeadamente a matadouros, eles próprios têm criação de gado e fazem o abate dos animais. Nós compramos de acordo a nossa necessidade. Não compramos carcaças inteiras se não houver essa necessidade. Compramos por peças, as pernas, as lombadas, os cachaços, compramos aquilo que nos faz falta para a nossa produção. Os nossos produtores, quer do porco branco, quer do porco preto são essencialmente nacionais e aqui da região.

Qual a sua opinião acerca do SISAB PORTUGAL?
Eu gosto imenso do conceito do SISAB PORTUGAL. É exatamente ao contrário daquilo que estamos habituados. Se queremos vender produto lá fora, vamos lá fora, mas o SISAB PORTUGAL é o oposto, traz os compradores internacionais a Portugal para fazer negócio. É um evento fantástico. Quem teve a ideia está de parabéns.

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