Noiserv multiplica-se nos seus instrumentos

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David Santos é a pessoa que pensa e concretiza a multiplicidade de instrumentos inerentes ao seu projeto, Noiserv. A sua sonoridade única e muito caraterística materializa-se nos seus dois álbuns, One Hundred Miles from Thoughtless e Almost Visible Orchestra, e nos EPs 56010-92 e A Day in the Day of the Days.

A diversidade de instrumentos usados confere às suas músicas uma riqueza e singularidade que, de outra forma, seria difícil de conseguir?
Não sei bem. Acho que é verdade a questão de usar vários instrumentos diferentes e, se calhar, todos eles somados poderão dar essa diferença de que está a falar. Não sei se, se usasse apenas uma guitarra, iria conseguir ou não essa diferença em relação a outro tipo de sons, portanto, se calhar, pode ser um bocado consequência dos diferentes instrumentos, mas não tenho o outro lado. Se apenas usasse um ou dois instrumentos, não sei qual é que seria o resultado.

Quais são os instrumentos a que mais recorre, aqueles que mais gosta de tocar?
As músicas começam sempre ou no piano ou na guitarra. Esses dois instrumentos acabam por estar presentes em todas as músicas, mas depois, dentro do género dos teclados ou dos sintetizadores, acabo por ter sempre diferentes modelos de várias marcas. Considerando que um teclado é uma categoria de instrumentos então, se calhar, são os teclados a que eu recorro mais.

A componente audiovisual dos seus concertos, que é algo muito presente, é uma forma natural de acompanhar a complexidade destes?
Sim, eu acho que, no princípio, adveio da ideia das próprias capas dos discos não serem iguais àquele digipack ou àqueles templates usuais, e eu achei que fazia sentido que estas fossem um bocadinho, no sentido figurado, para os concertos. Assim, conseguia que todo o universo mais ou menos paralelo que se construía nas capas dos discos estivesse também presente nos concertos.
A questão dos desenhos em tempo real serem mais ou menos parecidos ou semelhantes com as capas era mesmo com essa ideia de tudo ficar ligado. Serve como uma ajuda para criar não uma realidade paralela, mas um universo um bocadinho diferente enquanto o concerto está a acontecer. É como se as músicas fossem a banda sonora daquilo que tu estás a ver.

É conhecido por ser o “homem-orquestra” ou a “banda de um homem só”. Esta individualidade deve-se a um processo de construção que tem que ser percorrido obrigatoriamente sozinho?
Sim. Ao princípio, comecei por fazer umas músicas sozinho, e depois, ao longo dos anos, a coisa foi crescendo para outros patamares, para, lá está, o tal “homem-orquestra”, a tocar muitos instrumentos ao mesmo tempo. Portanto, foi um percurso que eu tive de percorrer para que isso acontecesse. E não sei como é que teria sido se tivesse começado logo, desde o início, este projeto particular com mais pessoas, mas começando sozinho todo o processo das coisas irem crescendo foi um processo mais ou menos natural. Penso, portanto, que fazendo uma coisa sozinho desde o início teria que ser assim que tinha de acontecer. “Acho que, ao longo dos tempos, essa necessidade de procurar o diferente, que cada vez é mais díficil de encontrar, vai aumentando”.

A procura contínua de experimentação e diversidade tem-se vindo a intensificar ao longo dos anos?
Sim. Eu tento sempre não fazer algo totalmente diferente do que fiz anteriormente, mas ao mesmo tempo tento não fazer igual, então há sempre uma busca não por sons “mais experimentais”, que sejam totalmente diferentes ou esquisitos, mas uma busca de algo que seja ligeiramente diferente daquilo que já fiz antes. E, à medida que vais fazendo cada vez mais vezes, é como se o espetro de hipóteses fosse reduzindo e, por isso mesmo, tens de perder mais tempo a experimentar coisas diferentes para conseguires encontrar coisas que não fizeste antes. Acho que, ao longo dos tempos, essa necessidade de procurar o diferente, que cada vez é mais difícil de encontrar, vai aumentando.

Muitos dos seus vídeos têm como pano de fundo a cidade de Lisboa. Procura frequentemente inspiração na sua cidade, nos seus ruídos do dia-a-dia?
Acho que acaba por ser uma consequência de morar aqui e, quando estou a pensar num vídeo ou se tenho uma câmara para tentar fazer um vídeo, morando em Lisboa, não faz sentido ir para um sítio longe. Na verdade, o que me inspira para as músicas não são tanto os barulhos da cidade, mas sim o sítio onde estou, as pessoas que conheço, as conversas que tenho, e realmente tudo acontece em Lisboa. É normal que, se eu vou a andar na rua e se, de repente, vejo uma casa ou um sítio que penso que é giro para se fazer um vídeo, isso acontece em Lisboa porque estou sempre aqui, nestas ruas.

O que é que podemos esperar para o futuro? Tem já algo concreto em mente?
Acho que, para o futuro, podemos esperar por mais discos e também que esses discos sejam melhores que os discos que eu já fiz até agora.

Presentemente está a fazer alguma coisa?
Tenho estado entre muitos concertos e colaborações com uma série de coisas ao mesmo tempo e tenho estado também a pensar e a trabalhar num disco novo, que possivelmente sairá para o ano.

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