Azeol: Noventa por cento do azeite embalado vai para a exportação

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Em Torres Vedras, numas instalações mais modernas e amplas, inauguradas em Junho de 2013, encontra-se a nova fábrica da Azeol, abrangendo uma área total de 36 mil metros quadrados – 12 mil metros de área coberta – com uma capacidade de armazenamento a granel de cerca de 4000 toneladas. A comemorar os 40 anos de atividade este ano, fomos recebidos por Jorge Elias, de 44 anos, atual administrador da empresa e filho do fundador José Elias, que chegou a Torres Vedras em 1964, vindo de Caldas da Rainha e se iniciou neste ramo do comércio. Na sala de recepção destas modernas instalações, José Elias faz questão de mostrar o seu primeiro meio de transporte no qual levava o azeite aos clientes – uma bicicleta. Aqui viajamos pelo mundo da transformação do azeite, num museu em que se recordam as “galgas” que moíam a azeitona, as prensas, a bateria que comprimia os cilindros que espremiam as ceiras com a massa da azeitona moída. Atualmente a nova fábrica emprega 45 pessoas e vende para os “quatro cantos do mundo”.

A frase que nos apresentam no vosso slogan publicitário refere “onde se consome azeite estamos lá”. A Azeol há muito que se tornou uma empresa exportadora, não é verdade?
A exportação, que atualmente representa 90% do volume de vendas desta empresa, é o nosso principal enfoque. No mercado nacional vendemos apenas para cash, hotéis, restauração e indústria, em venda direta e com distribuição própria. Apesar de comercializarmos também óleos alimentares, o core business da empresa é o azeite. Esta visão de transformar a AZEOL numa empresa exportadora devo-a ao meu pai, José Elias, atual presidente, que teve a astúcia de ver, corria o ano de 1982, que o futuro e sucesso da sua empresa estava nos mercados internacionais. Rumou ao Brasil, quando as viagens nesse tempo custavam mil contos e viu que o mercado estava lá fora, já que Portugal é um país demasiado pequeno em termos populacionais para o que produzimos. Hoje temos no Brasil um vasto mercado e uma forte implantação. Para além deste, estamos em mais 37 países. Em 2012 iniciámos a primeira exportação para a China em contentor completo, tendo vindo a revelar-se um mercado com muito potencial. Atualmente a Azeol exporta para a África do Sul, Alemanha, Angola, Moçambique, Bélgica, Cabo Verde, Canadá, China, Colômbia, EUA, França, Rússia, Singapura, Venezuela, Moldávia, Coreia, Macau, Hong Kong entre outros.

 A Azeol não é um produtor de azeites, é um armazenista e embalador que faz chegar o azeite com a sua marca ao público. De onde provém a matéria prima, neste caso o azeite?
O nosso objetivo é adaptar o azeite ao país para onde o vamos exportar. Por isso compramos a matéria prima em diversas regiões de Portugal, tais como o Alentejo, o Ribatejo, Trás-os-Montes. Dos vários tipos de azeite que selecionamos, chegamos a um sabor padrão, já característico das nossas marcas. Para além destas desenvolvemos marcas próprias para exportação e estamos receptivos a novos clientes, embalando com a sua marca o azeite que se adapte ao gosto dos seus consumidores, sempre com a garantia da maior qualidade e excelência dos produtos. O nosso país tem bons azeites e a Azeol tem produtores e fornecedores de grande qualidade. Os prémios internacionais conquistados pelos azeites portugueses têm alavancado as vendas. Somos o 4º maior exportador de azeite e somos o 7º maior produtor mundial. Estes dados refletem que somos melhores a comercializar, o que deixa margem de crescimento no sector da produção, existindo atualmente necessidades superiores ao que produzimos. Não está fora de hipótese, a médio prazo, a Azeol apostar num projecto agrícola de produção de azeitona. Registo que o que produzimos em Portugal são azeites de alta gama e aí está a nossa mais valia.

Qual o volume de negócios da Azeol, ou seja quantas toneladas de azeite vendem por ano?
A Azeol não comercializa apenas azeites, mas também óleos alimentares, num volume de negócio anual de 23 milhões de Euros, representando o azeite 70% das vendas e os óleos 30%. Comercializamos, em média, 12000 toneladas por ano.

Estamos perante uma empresa de vocação exportadora?
A ambição de crescer, quando iniciámos a construção destas novas instalações, foi no sentido de irmos à procura de novos clientes e mercados, já que o “mercado da saudade” onde iniciámos a nossa exportação não correspondia ao aumento de vendas que ambicionávamos. Esta nova fábrica foi projetada para estar à altura de um volume de negócios seis vezes maior do que temos actualmente, ou seja, estamos preparados e temos capacidade de resposta às exigências dos diversos mercados. Tal como o nosso país, que também tem capacidade para produzir mais azeite, dado o investimento na moderna olivicultura e plantio de novos olivais. Temos fábrica para responder às exigências e ambições de um volume de negócios de 120 a 150 milhões de euros. Esse é o potencial desta fábrica. Hoje a Azeol acompanha o mercado global, junto do consumidor e da cultura de cada país. A partir de 1982, quando o meu pai foi pela primeira vez ao Brasil, a Azeol direcionou-se para a exportação e, desde logo, existiu essa visão estratégica, pois se reparar a população portuguesa há anos que se mantém, sem um aumento significativo do consumo. Foi este posicionamento, adoptado desde início, que permitiu à Azeol crescer até este nível, pois jamais a vender só para o mercado nacional ou só para os portugueses residentes no estrangeiro, chegaríamos a este patamar. O crescimento da Azeol deve-se, em grande parte, ao consumidor que está lá fora. Os emigrantes contribuíram em grande parte para a internacionalização do produto, sendo os primeiros consumidores. Hoje o azeite “Camponês” já é consumido pela população local. Hoje já não é o “mercado da saudade” que temos como principal cliente, mas registo que foi pela mão dos portugueses que o nosso azeite passou a ser conhecido e consumido lá fora.

Para além da marca do azeite “Camponês” outras novidades?
A novidade é que comprámos uma marca registada chamada Nektar, que é um nome facilmente pronunciado em diversas línguas. A nossa marca principal é o Camponês, no entanto, para um chinês ou inglês é difícil de pronunciar e Nektar afinal é o sumo, e neste caso estamos perante o sumo da azeitona. É uma marca premium que se destina a países que procuram este tipo de azeite. O “Camponês” é mais voltado para o mercado tradicional, com 0,5% de acidez e o Nektar, não digo gourmet, mas premium, é um azeite mais selecionado, com 0,3% de acidez. Não está em causa apenas a acidez, mas também as variedades de azeitona que escolhemos para cada azeite, ou seja o blend. No caso do Nektar com notas mais frutadas e no caso do “Camponês” com um sabor tradicional, mais suave e adocicado.

Pode dizer-se que são uma empresa fundadora do SISAB PORTUGAL. O evento ainda se mostra com importância para a AZEOL?
Já tivemos muitas presenças e se houve alguma edição em que não tivemos, foi devido à política adoptada de abandonar as feiras.
Nessa altura a AZEOL entendeu que o SISAB PORTUGAL tem mostrado uma evolução enorme, trazendo cada vez mais novos potenciais clientes, e dado ao profissionalismo adoptado achamos que é pertinente a nossa participação. Muito bem organizado e cada vez melhor, é um dos eventos únicos para promover ao Mundo aquilo que de melhor se produz em Portugal.

 

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