Alienação através dos ecrãs é objecto de produção artística

Data:

Em referência a um projecto anterior (“SUR-FACE”), o fotógrafo francês de 21 anos Antoine Geiger desenvolve “SUR-FAKE”, um trabalho fotográfico assente na alienação promovida pela utilização de dispositivos móveis. 

“SUR-FAKE” coloca o ecrã como objecto de sub-cultura de massa, alienando o sujeito do seu corpo, do seu mundo e das suas próprias competências. Num momento em que as identidades construídas online surgem como problemática na ordem do dia, urge questionar a validade dos enunciados proferidos em torno da mesma. Verdadeiras ou falsas, estas identidades virtuais convocam uma possibilidade de análise matérica: é a textura, o efeito de conexão com o ecrã e a análise que surge a partir daí que deve possibilitar uma reflexão por parte do público. 

Na sua página pessoal, o artista escreve “Aquilo que me interessa na textura das faces sugadas é a sobre-exposição que permite, gradualmente, uma dimensão muito orgânica e também virtual”. O resultado perturbador poderia chegar como fim em si mesmo, sem que análises profundas daí resultassem. No entanto, é o desconforto provocado pela imagem que deverá servir de ponto de partida para que o público consolide as posições que possui sobre a sua própria identidade virtual ou, por oposição, as reconfigure. 

Geiger opera ainda uma refuncionalização do quadrado de Instagram, a partir da qual algumas imagens surgem formatadas a partir deste modelo. A intenção é, por isso, clara: aproximar o retrato fotográfico da imagem virtual, imediata e descartável é articular a produção artística com o contexto em que surge. 

Ao conjunto de fotografias que publica na sua página oficial, Antoine Geiger partilha um texto de Michel Foucault, o grandioso autor das ciências sociais e humanas do século XX. Num texto de 1967, intitulado “Heterotopias”, o autor articula dois conceitos essenciais: “heterotopia” e “espelho”. A heterotopia serve para designar um espaço de experiência conjunta, reflectindo um espaço que, existindo, não é identificável na vida real. Nesse sentido, surge o “espelho”: é no espelho que nos vemos onde não estamos, ou seja, num espaço virtual. Estar onde não se está efectivamente, constituindo uma sombra que atribui visibilidade ao que se é de facto. Esta poderia ser a descrição das modalidades que operam no seio das identidades virtuais da actualidade: enaltecer da identidade real, sem que se efectivem num espaço utópico. 

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Share post:

Popular

Nóticias Relacionads
RELACIONADAS

Compal lança nova gama Vital Bom Dia!

Disponível em três sabores: Frutos Vermelhos Aveia e Canela, Frutos Tropicais Chia e Alfarroba e Frutos Amarelos Chia e Curcuma estão disponíveis nos formatos Tetra Pak 1L, Tetra Pak 0,33L e ainda no formato garrafa de vidro 0,20L.

Super Bock lança edição limitada que celebra as relações de amizade mais autênticas

São dez rótulos numa edição limitada da Super Bock no âmbito da campanha “Para amigos amigos, uma cerveja cerveja”

Exportações de vinhos para Angola crescem 20% desde o início do ano

As exportações de vinho para Angola cresceram 20% entre janeiro e abril deste ano, revelou o presidente da ViniPortugal, mostrando-se otimista quanto à recuperação neste mercado, face à melhoria da economia.

Área de arroz recua 5% e produção de batata, cereais, cereja e pêssego cai 10% a 15%

A área de arroz deverá diminuir 5% este ano face ao anterior, enquanto a área de batata e a produtividade dos cereais de outono-inverno, da cereja e do pêssego deverão recuar 10% a 15%, informou o INE.