Controlo do apetite dos bebés é fundamental para prevenir obesidade infantil

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Cerca de 42 milhões de crianças com menos de cinco anos em todo o mundo são obesas, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), mas a relação entre a composição do leite materno, o controlo do apetite e o esvaziamento gástrico facilitaria a prevenção desta epidemia. Esta é uma das conclusões do X Simpósio Internacional de Aleitamento Materno, organizado pela Medela que reuniu mais de 450 profissionais de saúde de 48 países.

Pediatras, neonatologistas, parteiros, enfermeiros, responsáveis das Unidades de Cuidados Intensivos Neonatais (UCIN), entre outros profissionais, partilharam durante dois dias em Varsóvia, Polónia, as investigações mais recentes no âmbito do aleitamento materno. O X Simpósio Internacional de Aleitamento Materno, organizado pela Medela deu ainda a conhecer os inovadores programas de formação e educação em aleitamento materno para pais, onde o trabalho conjunto com os enfermeiros das UCIN dos hospitais tem um papel fundamental para o desenvolvimento dos bebés.
Os componentes específicos do leite materno, as últimas recomendações práticas baseadas na investigação e a importância do leite materno nas UCIN, foram as questões centrais das conclusões do encontro, que teve no controlo do apetite do bebé um dos principais temas em debate. Donna Geddes, da Faculdade de Química e Bioquímica da Universidade de Western Austrália, centrou a sua exposição na regulação do apetite das crianças amamentadas e na relação existente entre a composição do leite, o controlo do apetite e o esvaziamento gástrico.
A especialista mostrou “como uma maior ingestão de proteína, soro e caseína estão associadas a menos tomas por dia, enquanto a concentração de lactose está associada a mais tomas ao dia. Estes resultados sugerem que a ingestão de proteínas pode ter um papel muito importante no controlo do apetite infantil”, refere um comunicado divulgado pelo gabinete de imprensa da Medeia Portugal.  
Outra investigadora da mesma instituição univerdsitária, Anna Cannon, centrou a sua apresentação na importância da leptina, uma hormona do apetite presente no leite materno, tendo analisado o seu papel na regulação do apetite dos bebés amamentados e no esvaziamento gástrico. A especialista encontrou evidências de que existe uma relação entre as mudanças que sofre a leptina com o esvaziamento gástrico e, portanto, o controlo do apetite que pode criar um hábito no bebé. “Enquanto os bebés alimentados com leite de fórmula tendem a terminar o biberão, os bebés amamentados tomam exclusivamente o que necessitam, graças ao controlo que realizam hormonas como a leptina”, explica o comunicado.

Células mãe combatem Parkinson e Alzheimer
Durante o simpósio, os especialistas tomaram conhecimento da virtudes regenerativas das células mãe do leite materno no campo da oncologia e neurociência – que podem via a ser importantes para o desenvolvimento de terapias de substituição em doenças como Parkinson ou Alzheimer, dada a sua versatilidade e a facilidade em obtê-las. A médica Foteini Hassiotou, também da Universidade de Western Austrália, “detetou num estudo em ratos, que as células mãe que provêm do leite materno poderiam sobreviver no trato gastrointestinal do bebé durante anos, transferir-se à corrente sanguínea e, in vivo, integrar-se em diferentes tecidos favorecendo o desenvolvimento futuro de diferentes órgãos e impulsionando o desenvolvimento infantil precoce”, revela o mesmo comunicado. Foteini Hassiotou também citou estudos nos quais se demonstrou que amamentar reduz até cerca de 32% alguns tipos de cancro de mama. Em relação ao bebé, referiu que uma criança alimentada em exclusivo com leite materno tem 14 vezes  menos probabilidades de falecer nos primeiros seis meses de vida.
Outro aspecto importante no desenvolvimento das crianças é a  habilidade dos pais em cuidar delas quando acabam de nascer. De acordo com Matthias Keller, da Universidade Técnica de Munique, Alemanha, é fundamental o cuidado integral da família nas Unidades de Cuidados Intensivos Neonatais (UCIN), ajudando os profissionais “a formar equipa com os pais mediante um programa de coaching explícito, listas de tarefas e documentação. Os resultados são esperançosos já que se reduzem as estadias e verifica-se um incremento do aleitamento materno”.
Como complemento, o professor Shoo Lee, da Universidade de Toronto e do Hospital Mount Sinai de Toronto,Canadá, expôs a experiência desenvolvida nesse país para fomentar o uso exclusivo de leite materno na UCIN, seguindo o modelo japonês, onde a alimentação com o leite de fórmula nas UCIN está proibida. Esta estratégia tem permitido reduzir em mais de 50% a incidência de Enterocolite Necrosante Neonatal (NEC) em crianças prematuras nos últimos três anos no Canadá.
O próximo Simpósio Internacional de Aleitamento Materno irá realizar-se a 15 e 16 de abril de 2016 em Berlim, Alemanha.
Fundada em 1961 e com sede central na Suíça, a Medela concentra as suas atividades no aleitamento materno, com investigação básica reconhecida em todo o mundo e nos cuidados de saúde, onde concebe e fabrica soluções tecnológicas campo da aplicação médica de vácuo.

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