Inglaterra: Festival Português reuniu 15 mil pessoas e deixou em Peterborough um sabor a Portugal

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A música e a cultura, os costumes, a gastronomia e as tradições de Portugal animaram Peterborough no fim-de-semana de 19 e 20 de julho. O Festival Português encheu de alegria o largo da Catedral de uma cidade inglesa onde reside uma vasta comunidade portuguesa que na sua maioria ali começou a chegar no final dos anos 90 e início de 2000. Foi a primeira vez que os  portugueses em Peterborough celebraram o seu país e deram a conhecer as suas tradições. Um evento que se deveu à determinação de Paulo Batista, João Ferreira e Luis Pedro, três portugueses que levaram avante o projeto. Valeu a pena. Durante dois dias, passaram pelo espaço do Festival Português cerca de 15 mil pessoas, entre portugueses, ingleses e nacionais de outras comunidades estrangeiras, residentes nem Peterborough e noutras cidades inglesas.

“Orgulho” foi a palavra que Paulo, João e Luís escolheram para resumir um sentimento comum, no final do Festival Português. Um sentimento que, sublinharam, não se resume a eles, porque o sentiram e ouviram, por parte dos portugueses que passaram pelo largo da catedral de Peterborough no fim-de-semana de 19 e 20 de julho.
“Estamos realmente orgulhosos. Deu-nos um trabalho imenso, é verdade, mas sentimo-nos felizes”, afirmou João Ferreira ao Mundo Português, no final de um evento que pela primeira vez foi realizado naquela cidade da Inglaterra, onde reside uma vasta comunidade portuguesa.
Os números avançados pelos organizadores dão conta do sucesso. “Pelas nossas perspetivas, passaram pelo espaço do Festival Português, cerca de 15 mil pessoas, nos dois dias”, afiançou Paulo Batista, cuja empresa foi também um dos patrocinadores do evento. Paulo destacou ainda o contentamento transmitido pelos responsáveis dos espaços abertos durante o festival.
Uma parte do recinto foi ocupado por cerca de 27 stands onde o público português pode ‘matar’ as saudades dos sabores portugueses e os ingleses puderam conhecer um pouco da gastronomia lusa. “Os comerciantes portugueses que apostaram neste evento e participaram com o seu stand já nos disseram que ficaram muito contentes com o que se passou aqui, neste fim-de-semana”, afirmou Paulo Batista.
Num espaço bem organizado que em tudo fazia lembrar as festas de verão em Portugal, os stands deram a provar as sardinhas e febras assadas, os enchidos e os queijos, o frango e a entremeada, o caldo verde, o vinho e a cerveja portugueses, entre outros petiscos. Mas também lá estava a pastelaria tradicional portuguesa, com o pastel de nata a ‘brilhar’, mas onde não faltaram até as queijadas e o bolo do Caco (tradicional da Ilha da Madeira).
Mas se os stands foram na sua maioria ocupados por restaurantes, cafés, padarias e bares portugueses, houve também espaço para o artesanato, desde os panos de prato decorados com motivos portugueses, bandeiras, bonés e cachecóis de Portugal, até a artigos originais e à tradicional olaria de barro do Alentejo. Três instituições bancárias portuguesas marcaram também presença, e não faltou ainda a participação de duas empresas portuguesas recém-criadas, ligadas à importadora e distribuidora de produtos portugueses gourmet, que escolheram o Festival Português de Peterborough para iniciarem a divulgação dos seus produtos ao público, como presenciou o Mundo Português, nos dois dias do evento.
Mas a impressão positiva também foi transmitida por um dos principais patrocinadores do evento: a autarquia da cidade. “O feedback que os responsáveis da Câmara, que aqui estivam os dois dias, nos transmitiram foi bom, foi positivo. Gostaram, estão contentes e por eles, para o ano, haverá mais”, revelou Luís Pedro.
E em 2015 haverá realmente mais. Paulo Batista, João Ferreira e Luis Pedro não têm dúvidas ao assegurar que Peterborough, cidade a cerca de 125 quilómetros de Londres, vai acolher no próximo ano a segunda edição do festival Português. “Estamos realmente orgulhosos. Deu-nos um trabalho imenso, é verdade, mas sentimo-nos felizes”, afrmou João Ferreira, revelando que a festa regressa em 2015.
“Concerteza que haverá uma segunda edição. Se ao início estávamos um pouco receosos por levarmos adiante esta primeira edição, agora, após o sucesso deste Festival Português, temos a certeza de que para o próximo ano irá haver uma segunda edição”, assegurou.

Sabor a Portugal
Com pouco mais de 180 mil habitantes, Peterborough tem a economia centrada na indústria, o que fez atrair um grande número de imigrantes e tranformou a cidade numa urbe multicultural, onde os portugueses formam uma das principais comunidades estrangeiras. São vários os espaços comerciais portugueses espalhados pela cidade, mas a comunidade portuguesa – que na sua maioria ali começou a chegar no final dos anos 90 e início de 2000 – não tinha ainda realizado nenhum evento cultural.
O Festival Português começou a ser delineado em julho do ano passado pelos três amigos, que com avançaram cpm p evento em novembro último. Foram nove meses de muito trabalho e que passaram entre outros aspectos, pela conquista da confiança da comunidade portuguesa. Dias antes do evento, João Ferreira revelava ao Mundo Português que “a comunidade estava um pouco cética em relação a este projeto”, mas ao mostrarem que estavam “a trabalhar com afinco para realizar o festival”, os três organizadores convenceram-na que o evento ia avançar”.
Ao patrocínio da Câmara Municipal local, da cadeia de televisão BBC e da Lebara Mobile, juntaram-se os apoios da PB Leaflet Distribution e do restaurante Sado, que ajudaram a levar o Festival Português ‘a bom porto’. O sucesso do evento foi visível nos dois dias. O público começou cedo a preencher o largo da Catedral (Cathedral Square), e a degustar as iguarias portuguesas.
No stand da ‘Portugal Bakery’, os pastéis de nata, as queijadas e os bolos não passavam despercebidos. Pouco passava dasa nove horas da manhã e o aroma convidava a um pequeno almoço português. António Nunes foi de Londres especialmente para levar a sua Portugal bakery a Peterborough e não teve mãos a medir durante os dois dias. Se o pastel de nata foi a principal escolha dos ingleses, já os portugueses não perderam também a oportunidade de comprar a broa de milho, o pão caseiro ou os bolos de laranja, e de cenoura.
No stand ao lado, Luis da Silva preparava desde cedo as iguarias que o seu restaurante ‘Mar Azul’ ia servir. Madeirense de Santa Cruz, há 30 anos a residir em Londres, esteve desde sempre ligado à restauração “e sempre junto da comunidade”, por isso, quando tomou conhecimento do Festival, não hesitou em participar. No stand da ‘Carla Coffee’ também se servia apenas comida portuguesa. O café-restauranrte é um dos vários espaços comerciais lusos dispersos pela Lincoln Road, a avenida mais ‘portuguesa’ da cidade de Peterborough. “No meu restaurante, tudo é português: a pastelaria, os pratos, o café, só faço comida portuguesa”, sublinha Carla Peixoto, natural de V. N. de Famalicão e há 14 anos a viver na cidade.
Num outro espaço, Andrea Gomes, natural de Leiria e residente na Inglaterra há apenas quatro anos, dava a conhecer a olaria do Alentejo. O encerramento da empresa onde trabalhava, em Shefield, levou-a a arriscar trabalhar por conta própria e escolheu o Festival Português para “perceber se este era um projeto com possibilidades de seguir em frente”. Foi à experiencia do avô, que sempre vendeu aquela louça tradicional alentejana, que Andrea Gomes foi buscar a inspiração e o apoio para levar de Portugal um leque variado de itens que chamaram a atenção de muitas pessoas que passaram pelo Festival. No fim, revelou a este jornal ao o evento superou as suas expectativas e deu-lhe “ânimo” para levar avante o seu projeto.
Trabalhar com artesanato e um dia, abrir um espaço de venda ao público, é também o sonho de Ana Lopes. Quem passou pelo seu stand, admirou os lenções de bebé bordados em ponto cruz, os quadros e as t-shits bordados, as malas, sacose porta moedas originais feitos numa gama variada de tecidos. “É a primeira vez que participo num evento para divulgar o meu artesanato, mas gostaria de fazer disto um negócio”, contou Ana Lopes que está há 12 anos em Inglaterra.

Música e baile…
Mas nem só de artesanato e de comes e bebes se fez a história de dois dias bem portugueses em Peterborough. Também se cantou e dançou na Cathedral Square. E no fim, a uma só voz, entoou-se o Hino nacional.
O cartaz musical iniciou com a atuação do Grupo Tradições de Portugal, um rancho folclórico tradicional da Ilha da Madeira, sediado em Londres, que encantou tanto pelas danças como pelos trajes típicos. De seguida apresentam-se os britânicos Adrian Duffy, a banda Fenech Solar, One Eyed Cats, os Goldstar e ainda o Peterborough Choir. O elenco britânico do cartaz musical ficou concluído com a apresentação muito aguardada do cantor de ópera Paul Potts – o vencedor da primeira série do concurso de talentos artísticos ‘Britain’s Got Talent’.  O primeiro dia encerrou ‘em grande’ com o baile tipicamente português comandado por Sérgio, um artista luso radicado em Inglaterra.
No segundo dia, houve fado e música popular portuguesa. Os irmãos do duo SD Brothers encantaram em palco. Sérgio, de 11 anos, e Diego, de 9 anos, levaram o público a dançar, com uma mistura de temas. Entre musica popular portuguesa e ritmos brasileiros e angolanos, os irmãos animaram o largo em frente ao palco e foram ainda responsáveis por uma coreografia, ao som de ‘kizomba’, feita no momento por vários jovens que acabou gerar um ‘grupo’ de dança lusófono em plena praça de uma cidade inglesa.
Coube ao cantor Alexis, a última atuação do Festival Português. E foi ao ritmo de um verdadeiro baile português que se encerrou um evento em tudo bem sucedido. No largo em frente ao palco, dançaram portugueses, mas também público de outras nacionalidades. Sem saberem o que se cantava, foram contagiados pela música, mas também pela alegria dos portugueses ali presentes. E no fim, com um orgulho evidente, muita emoção, e a plenos pulmões, cantou-se ‘A Portuguesa’.
Não podia terminar melhor a primeira edição do Festival Português de Peterborough. Em 2015 ele estará de volta…

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