Alemanha 50 Anos de Emigração: O acordo e o emigrante “um milhão” que saiu de Vale de Madeiros…

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O acordo assinado entre Portugal e a República Federal da Alemanha a 17 de março de 1964, visava “estreitar as relações entre os seus povos para proveito mútuo no sentido da solidariedade europeia e de consolidar os laços de amizade existente entre ambos” e considerava “ser do seu interesse comum e do interesse dos trabalhadores migrantes regulamentar o recrutamento e a colocação destes”. Os organismos responsáveis eram a Bundesanstalt (agência federal de emprego) do lado alemão e a Junta de Emigração, do lado português.
A Junta apresentava à entidade alemã a lista dos candidatos que pareciam  apropriados e realizava exames médicas prévios. Os trabalhadores considerados aptos recebiam na sede da entidade de ligação um contrato de trabalho assinado pela entidade patronal e pelo trabalhador. Este contrato, cujo duplicado era enviado à Junta, era elaborado em português e em alemão, e “visado pela Junta e pela entidade de ligação.” Esta última, organizava com a Junta a viagem do trabalhador até ao local de trabalho na Alemanha e os trabalhadores recebiam da entidade de ligação um farnel correspondente à duração da viagem ou um subsídio equivalente.
O acordo bilateral especificava ainda que os trabalhadores portugueses seriam colocados na Alemanha nas mesmas condições de remuneração e trabalho das que estivessem em vigor para os trabalhadores alemães.
Foram essas condições que levaram um carpinteiro de Vale de Madeiros, distrito de Viseu, a rumar àquele país. Armando Rodrigues de Sá nasceu em janeiro de 1926 e emigrou para a Alemanha em 1964, com destino a Estugarda, deixando em Portugal a mulher e os dois filhos. Chegou à estação de comboios de Colónia o dia 10 de setembro, e para grane surpresa sua, tinha à espera uma comissão de boas-vindas: por um acaso do destino, Armando de Sá acabava de se tornar no trabalhador estrangeiro número um milhão. Sem perceber o porque de terem chamado pelo seu nome, perplexo e assustado com a receção, o carpinteiro português viu-se cercado de jornalistas, recebeu um ramo e flores, os cumprimentos das autoridades… e uma mota Zündapp, com matrícula portuguesa.
De um momento para o outro, e sem perceber como, tornou-se uma celebridade e entrou para a História. Armando Rodrigues de Sá foi fotografado e a sua imagem em cima de uma Zündapp faz hoje parte de museus e manuais de História. Nos seis anos seguintes, passaria várias temporadas na Alemanha, mas em 1970 sofreu um acidente de trabalho, que o fez regressar a Portugal. Já na sua terra, foi-lhe diagnosticado um cancro e faleceu em 1979, aos 53 anos de idade. A sua mota está hoje num museu da Alemanha, mas em Portugal são ainda poucos os que conhecem a história de um carpinteiro que se tornou no símbolo da emigração na Alemanha e de um tempo em que mais de um milhão de portugueses deixaram o país em busca de uma vida melhor.

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