Investigadores lançam inquérito às comunidades sobre a nova emigração portuguesa

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«REMIGR: A Nova Emigração e a Relação com a Sociedade Portuguesa» é o tema de um estudo sobre a emigração portuguesa atual, que está a ser realizado por uma equipa de investigadores de três universidades portuguesas. O projeto inclui um inquérito dirigido a todos os cidadãos de nacionalidade portuguesa, que tenham saído do país depois de 2000, e está disponível através do link: http://tiny.cc/remigra, como explicou o investigador João Carlos Marques.

Dirigido a todos os cidadãos de nacionalidade portuguesa ou nascidos em Portugal, com 18 e mais anos, que tenham saído do país depois de 2000, o inquérito é uma parte fundamental do estudo que pretende conhecer o perfil dos portugueses residentes no estrangeiro, as suas trajetórias migratórias, os fatores que impulsionaram as saídas, as suas intenções de mobilidade e as suas relações com Portugal.
“Já há muitos anos tentamos obter financiamento para estudar a nova emigração”, revela a este jornal o investigador José Carlos Marques, da Universidade de Coimbra, e um dos integrantes da equipa de investigação. O financiamento chegou finalmente em 2013 e para tal deverá ter pesado o facto da emigração portuguesa “se ter tornado mais visível, quer na opinião pública, quer nos meios políticos, quer nos meios mediáticos”, acredita o investigador.
O inquérito está online, para todo o mundo, no site http://tiny.cc/remigra mas inclui também inquéritos presenciais em quatro países: Inglaterra, França, Brasil e Angola, com o objetivo de perceber “se há algumas diferenças entre os destinos europeus e os destinos fora da Europa”. “O inquérito presencial já se iniciou em Inglaterra e França. No Brasil e em Angola deverá ser iniciado após o mês de agosto”, revela José Carlos Marques. Para os realizar, a equipa contatou associações portuguesas, no sentido de terem apoio na distribuição e recolha dos inquéritos. Em Londres, a equipa conta ainda com o apoio de portugueses, da área das Ciências Sociais, que irão fazer os inquéritos nas associações e no consulado.
José Carlos Laranjo Marques defende que há “algumas diferenças” entre a atual vaga de emigração e a que ocorreu nos anos 60 e 70 do século XX. Diferença essa que também se nota na relação dos novos emigrantes com Portugal.
O investigador diz que a emigração portuguesa a partir do ano 2000, divide-se em vários grupos etários. “Não são só os mais jovens que estão a sair, há portugueses com mais de 30 e 40 anos que decidem emigrar e entre esses, o projeto migratório poderá ser ainda de cariz mais clássico”, acredita.
Já entre os mais jovens, os objetivos serão diferentes. “(na geração mais nova) Aquele projeto migratório clássico – ir para o estrangeiro com o objetivo final de regressar ao país – não está tão definido. Muitos vão ainda sem o projeto de no futuro regressar ao país e alguns vão mesmo com a ideia de não regressarem ou de mudarem para outro destino migratório”, explica o investigador.
Para responder a esta questão, o inquérito sobre a nova emigração portuguesa inclui perguntas que procuram verificar se há objetivos diferentes nos vários grupos etários que estão a migrar desde 2000, ou se Portugal estará perante uma emigração que é muito diferente dos anos 60 e 70 do século passado. A recolha dos dados vai decorrer até ao final deste ano, estando a conclusão do projeto prevista para junho de 2015, mas o investigador espera ter “dados parciais” antes do final de 2014.
O estudo não tem por objetivo confirmar ou desmentir os últimos números de saídas mais recentes de portugueses, mas a equipa de investigação acredita a emigração portuguesa aumentou nos últimos anos. De recordar que o Governo calculava em dezembro do ano passado, que em 2012 e em 2013 teriam saído do país entre 100 a 120 mil portugueses em cada ano.
Sem querer confirmar estes números, José Carlos Marques acredita porém que sobretudo a partir de 2009, “se tenha intensificado o número de saídas, que terá andado entre os 80 e os 100 mil por ano”. “Esse número (120 mil) aproxima-se bastante da realidade mas devemos ter em atenção que podem ser movimentos migratórios diferentes. Podemos ter nesses 120 mil, migrações mais permanentes, mas também algumas de menor duração, de pessoas que vão durante uns meses, regressam a Portugal e possivelmente no ano seguinte voltam a sair”, explica.
De que o investigador não tem dúvidas é dos motivos que levam a um tão elevado número de saídas de portugueses. “São motivados sobretudo pela ausência de oportunidades em Portugal”, uma causa transversal à maioria dos que emigram, independentemente das idades ou das qualificações profissionais. “Uma grande maioria dos que saem ainda são pessoas com qualificações médias ou baixas, a maior deles não serão os licenciados. Esses serão uma percentagem maior do que no passado, mas ainda assim não maioritária, pensamos nós”, afirma José Carlos Marques, lembrando que um dos setores mais atingidos pela crise em Portugal foi o da construção civil.
O projeto de investigação «REMIGR: A Nova Emigração e a Relação com a Sociedade Portuguesa», é desenvolvido por uma equipa da Universidade de Lisboa, da Universidade de Coimbra e do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, coordenada pelo investigador João Peixoto, e financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.
Ana Grácio Pinto

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