Revolta e incredulidade com a morte dos três estudantes em Braga

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Luto, revolta e incredulidade são os sentimentos dominantes entre a comunidade académica da Universidade do Minho, em Braga, depois da morte de três alunos daquela academia na sequência da queda de um “pequeno muro”.

O acidente que matou três alunos da Universidade do Minho ocorreu durante uma “atividade de praxe”. A informação foi confirmada pela presidente do órgão regulador das praxes. Maria Canelas assegurou que nada fazia prever a tragédia, uma vez que o muro é utilizado diariamente.
“Aquele local é usado diariamente e constantemente estavam lá pessoas e nada fazia prever que isto podia acontecer”, disse a responsável, assegurando que “se houvesse consciência de que o muro estava em tão mau estado nunca na vida sequer se teriam aproximado”.
Tendo em conta que (mais uma vez) as praxes voltam a estar relacionadas com a morte de estudantes, Maria Canelas fez questão de sublinhar que “os praxantes cuidam dos miúdos” que são para os veteranos “como irmãos mais novos”.
A tragédia levou à suspensão das praxes académicas, sendo que o local onde o muro caiu foi já inspecionado pelas autoridades. As conclusões da peritagem deverão ser conhecidas nos próximos dias. Muitos rumaram durante toda a manhã ao local do acidente, deixando camisolas de curso, flores e outras homenagens às vítimas.
Ninguém quer dar a cara, que o assunto “é muito delicado”, mas sob anonimato os alunos soltam desabafos e atiram críticas.
“Ainda não acredito que isto aconteceu, parece impossível, um murinho daqueles matar três pessoas assim, sem mais. Parece impossível, é revoltante, é injusto”, referia uma aluna.
As circunstâncias da tragédia ainda estão a ser investigadas pelas autoridades policiais, mas a versão que corre é que, num “despique amigável de cursos”, alegadamente num contexto de praxe, alguns alunos terão subido ao muro, que ruiu, apanhando outros estudantes que estavam em baixo.
Três morreram e quatro sofreram ferimentos ligeiros.
“O que mais revolta é que aquele muro não estava ali a fazer absolutamente nada. Se não servia para nada, porque não o tiraram dali?”, questionava outro aluno.
O referido muro terá sido construído expressamente para nele serem embutidas caixas de correio, uma função que já deixara de exercer há bastante tempo. Câmara de Braga sabia desde 2009 que estrutura estava em risco No dia 2 de janeiro de 2009, deu entrada na Câmara de Braga uma carta da empresa JM Condomínios, alertando para o perigo do muro que suportava as caixas de correio. Os lojistas criticam a Autarquia. Nos serviços da Autarquia bracarense figura o processo de urbanização da denominada Quinta dos Órfãos e o processo de loteamento. Também está documentado o projeto específico de um reservatório de gás, mas em planta alguma figura documento referente ao murete que acolheu, até há cerca de um mês, as caixas de correio do edifício Olympus, em Gualtar, Braga, local onde morreram, ao final da tarde de anteontem, três estudantes da Universidade do Minho e outros quatro ficaram feridos.
O prédio foi construído em 1990, pela empresa José Gomes. Então, foi feito um murete de suporte às 60 caixas de correio dos moradores e comerciantes que habitavam o edifício. Não se sabe quem foi o responsável pela construção, de tijolo e cimento, sem fundação porque construído sobre o muro de sustentação daquilo que deveria ser um jardim. A verdade é que foi transformado em parque de estacionamento, usado por alunos da universidade e utentes do serviço de Psiquiatria do Hospital de S. Marcos que ali funcionou até maio de 2011.
O terreno onde estava o murete era propriedade particular, cedido ao domínio público por compensação da construção.
A peritagem que teve início, logo no dia seguinte, à estrutura que esteve na origem da morte dos três estudantes, revelou, nesta primeira fase, que o acidente não decorreu de um desabamento de terras, mas sim de “uma peça de mobiliário urbano”. Quem o diz é o vereador responsável pela relação da cidade com as universidades, Miguel Bandeira, sublinhando que a Autarquia não tinha “conhecimento de que pairasse sobre este local qualquer risco”.
A Associação Académica não quer “especular” sobre o assunto, apelando apenas a que se respeite “a dor e o luto” das pessoas diretamente afetadas pela tragédia.
Uma espécie de “muro de silêncio” em volta do caso de um outro muro que voltou a semear o luto na Universidade do Minho.
Em 2012, em maio, um outro acidente matou uma estudante e feriu outra com gravidade, quando uma viatura descontrolada as apanhou mesmo à porta da academia.

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