Investigadores da UMinho criam fármaco inovador para tratamento rápido de feridas crónicas

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Um gel antibacteriano à base de proteínas, direcionado ao tratamento de feridas crónicas e que eliminará 90 por cento das bactérias infeciosas, está a ser desenvolvido em Portugal por uma equipa de investigadores do Centro de Engenharia Biológica da Universidade do Minho (UMinho). A tecnologia é inovadora e vai ser testada em animais de laboratório, antes de avançar para o processo de certificação pela norte-americana Food and Drug Administration (FDA), entidade de homologação que viabilizará a colocação deste produto no mercado.

Os quatro investigadores envolvidos falam de um produto “de atuação muito rápida, eficaz sobre bactérias resistentes aos atuais fármacos, afirmando-se por ser um produto biológico de toxicidade inexistente”.
“O objetivo será disponibilizar no futuro um gel antibacteriano à base de proteínas, não tóxico, capaz de eliminar 90% das bactérias colonizadas em feridas crónicas que afetam uma grande quantidade de pessoas, de grupos específicos como idosos, diabéticos e obesos”, explicam os investigadores, citados pelo jornal online da UMinho.
O produto desenvolvido pelo grupo composto por Ana Oliveira, Carla Carvalho, Hugo Oliveira e Sanna Sillankorva, resulta de um trabalho e ‘know how’ adquirido ao longo dos últimos dez anos no Centro de Engenharia Biológica (CEB), no campus de Gualtar, em Braga.
Intitulado ‘LYS2Heal’, o fármaco é um gel onde foram pela primeira vez incorporadas endolisinas (uma já patenteada) para uso em feridas crónicas. Endolisinas são enzimas obtidas a partir de bacteriófagos, que degradam especificamente a parede celular de bactérias e as destroem. Essas enzimas são inócuas e não afetam outros organismos.
As endolisinas desenvolvidas neste projeto “são capazes de atuar em poucos minutos, para além de atacarem com sucesso algumas das bactérias resistentes, destruindo-as com celeridade, sem níveis tóxicos”, explicam os investigadores citados pelo jornal online.
O produto promete um tratamento específico e eficaz para a eliminação de bactérias patogénicas, incluindo as resistentes a antibióticos, e ainda a diminuição do tempo de cicatrização das feridas. Com o princípio ativo já pronto, os investigadores precisam agora testá-lo em animais de laboratório, antes de avançar para as fases de aprovação pela norte-americana Food and Drug Administration (FDA).
Após ter prova de conceito validada, a equipa deverá iniciar os testes de toxicologia com pessoas saudáveis, para depois proceder ao licenciamento do produto.
Mas “há ainda um longo percurso a fazer, pois um processo FDA dura, normalmente, uns dez anos até ao produto chegar ao mercado”, reconhecem os investigadores.
A equipa está neste momento a avançar para a criação de uma start-up, a MAGniPHI, que conta já com o apoio da COTEC e da TecMinho, para iniciar o processo de consolidação do modelo de negócio. Para a concretização do projeto, o grupo tem contado com financiamentos da Fundação para a Ciência e Tecnologia, fundos QREN e projetos europeus.
O gel é apenas uma das possibilidades propostas pela MAGniPHI, já que o objetivo do grupo de investigadores é – a partir desta tecnologia proveniente das características multidisciplinares da própria engenharia biológica – desenvolver outros produtos com novas formulações, direcionados a diferentes áreas, como da veterinária ou da segurança alimentar.
“No futuro, qualquer setor que envolva atuação antibacteriana, ou seja, alguma situação suscetível de contaminação bacteriana, pode ser um potencial de mercado para desenvolver produtos”, destacam.
Ana Grácio Pinto

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