O que deve mudar na economia portuguesa “é a sua estrutura” – Carlos Moedas

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A 24 e 25 de outubro, a Assembleia da República e o concelho de Cascais acolheram 23 políticos portugueses e luso-descendentes, para participarem no II Encontro Mundial de Luso-eleitos, organizado em parceria pelo jornal «Mundo Português» e pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas. As perspetivas de desenvolvimento para a economia portuguesa foi o segundo tema discutido entre os luso-eleitos e apresentado pelo Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro, Carlos Moedas.

O Secretário de Estado Adjunto do Primeiro Ministro, falou sobre as «Perspectivas de Desenvolvimento para a Economia Portuguesa». Carlos Moedas começou por referir os 13 anos que viveu fora de Portugal (regressou em 2004). Um percurso que, afirmou, lhe permitia identificar-se com a plateia de políticos e ascendência portuguesa que o ouvia, por saber aquilo que os “luso-eleitos pensam”.
“Lembro-me das minhas conversas aos sábados, a pensar se um dia voltava para Portugal ou não”, recordou. O governante falou no projeto que está na base da criação de uma união europeia, baseado “na paz e na prosperidade dos povos”, defendendo que “muito mais do que economia”, este é um projeto “profundamente justo”. “Dá-me uma certa tristeza quando as pessoas dizem que a Europa já não vale a pena, porque estamos numa crise. Costumo dizer que há muito poucos projetos como o Europeu”, defendeu, enumerando as “três características” que no seu entender, fazem da União Europeia “um sítio único”.
“A Europa tem sido nos últimos 30 anos uma máquina de convergência. Em todas as economias que aderiram a este projeto europeu, o bem-estar dos seus cidadãos multiplicou-se até convergir com o bem-estar médio da Europa. E isso é algo único”, começou por dizer o secretário de Estado, apresentando como segundo ponto, “o facto da Europa ser efetivamente, hoje em dia, uma plataforma de inovação”.
“Quando olhamos para a Europa vemos uma população que será menos de um décimo da população mundial mas tem mais de 25 por cento do Produto Interno Bruto do mundo”, acrescentou. A terceira característica é a UE ser “uma plataforma social que de certa forma é a razão pela qual estamos aqui”. “Para mantermos uma Europa de proteção social temos que a ajustar, porque senão não vai a Europa da proteção social. Essa proteção social, é mais cara do que, por exemplo, nos Estados Unidos no seu todo. É nesses três pilares que temos que apostar no futuro daquele que é o nosso projeto diferenciador da Europa”, defendeu.

Portugal pode crescer

Falando especificamente sobre Portugal, Carlos Moedas disse que “não tem nada no seu ‘ADN’ que diga que é um país que não pode crescer”, lembrando que a economia portuguesa foi das que mais cresceu no mundo, nos 15 anos após a entrada na EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio, na sigla em português), que ocorreu em 1959. Para o governante, o reverso ocorreu “no período entre 2000 e 2012”, quando Portugal “cresceu menos do que os EUA durante a Grande Depressão e do que o Japão na ‘década perdida’”. “Olhando para Portugal, a uma dada altura algo se passou”, continuou, afirmando que o maior problema do país é “o que devia ao estrangeiro”.
“Em meados dos anos 1990, Portugal não devia praticamente nada ao estrangeiro. Pelo ano de 2007, Portugal devia 165 mil milhões de dólares ao estrangeiro, ou seja, uma vez o seu Produto Interno Bruto. A balança corrente – a diferença entre as exportações e as importações – foi negativa, de menos 10% do PIB durante 15 anos. Portugal acumulava dívida ao exterior de 17 mil milhões por cada ano que passava. Alguma coisa se estava a passar e só podia ser a competitividade”, exemplificou. “O que se toma como decisão política, por altura da crise financeira, em 2008/2009? Portugal continuou a gastar, convencido que gastando ia reanimar a economia. E o que vimos em Portugal foi que esses défices nunca criaram crescimento”, acrescentou
Para Carlos Moedas, o que se deve mudar na economia portuguesa “é a sua estrutura para que a nossas empresas possam reagir” e deu como exemplo o programa de reformas estruturais do atual governo que levou a alteração de leis, como a das Rendas e o Código do Trabalho e começaram “a quebrar barreiras em várias áreas da nossa atividade económica”. “É esta parte que vai mudar a capacidade do país crescer. Porque os países não crescem por decreto, é através destas reformas, que conseguimos ou não que um país cresça”, defendeu.
A título de exemplo, disse que em 2010, “a despesa pública era quase 50% do nosso PIB”, referindo que hoje “é de 44%”. “Conseguimos reduzir a nossa despesa pública para nos adaptarmos a uma nova realidade. Isso trouxe grandes dificuldades, mas pudemos provar que éramos capazes de viver, éramos credíveis, para os nossos credores”, defendeu o governante que citou o aumento do peso das exportações no PIB nacional, tendo passado de 28% em 2009 para os atuais 40%.
“Há dez anos atrás, as exportações iam 80% para a Europa e hoje em dia são 70%, ou seja, Portugal conseguiu numa altura em que estava em crise, diversificar e aumentar esses mercados”, revelou ainda. A finalizar, disse que a grande mudança de Portugal “não depende apenas de conseguirmos mudar o país, depende da percepção que os outros têm de nós”, e pediu a ‘ajuda’ dos luso-eleitos nesse sentido. “O que vos queria pedir é que nos ajudassem na mudança dessa perceção, porque o país de hoje é muito diferente daquele que era e do que vocês pensam que é. A vossa ajuda é muito bem-vinda, conto convosco”, concluiu.
Isabel Wiseler-Lima, conselheira comunal na Cidade do Luxemburgo, perguntou a Carlos Moedas quando prevê o governo que os jovens que a terminar os estudos em Portugal, possam sentir que têm futuro no país e não necessitem emigrar. O governante respondeu que a missão do Governo não será ‘decretar’ que os jovens não saiam do país, mas “criar oportunidades para que possam voltar”.
Ana Grácio Pinto

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