“As comunidades são verdadeiras embaixadas coletivas de Portugal” – Berta Cabral

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A 24 e 25 de outubro, a Assembleia da República e o concelho de Cascais acolheram 23 portugueses e luso-descendentes que ocupam os mais variadas responsabilidades políticas, para participarem no II Encontro Mundial de Luso-eleitos, organizado em parceria pelo jornal «Mundo Português» e pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas. O conceito de Defesa Nacional aplicado às comunidades de portugueses foi o primeiro tema discutido entre os luso-eleitos e apresentado pela Secretária de Estado Adjunta e da Defesa Nacional, Berta Cabral.

O primeiro painel de debates do Encontro Mundial de Luso-eleitos debruçou-se sobre o conceito de Defesa Nacional aplicado às comunidades de portugueses residentes no estrangeiro. O tema foi conduzido por Berta Cabral, Secretária de Estado Adjunta e da Defesa Nacional, que começou por cumprimentar os participantes, pedindo-lhes que fizessem chegar “abraço de um país agradecido e orgulhoso” a todas as comunidades “espalhadas pelos quatro cantos do mundo”. Natural de Ponta Delgada, Berta Cabral afirmou conhecer bem a diáspora lusa, lembrando que “a saudade é, de facto, o sentimento dominante entre os que ficam e os que partem”.
Incidindo no tema «As comunidades no contexto do Conceito Estratégico de Defesa Nacional», a Secretária de Estado Adjunta e da Defesa Nacional começou por destacar a importância de cada um nas comunidades onde estão inseridos.
“O dinamismo e a participação cívica dos líderes destas Comunidades são decisivos para a imagem que Portugal transmite de si próprio. A imagem que os outros povos têm de nós resulta, em primeira análise, daquilo que são as comunidades que lhes estão próximas, verdadeiras embaixadas coletivas de Portugal” referiu no seu discurso. Enumerando as várias áreas onde os portugueses se destacam além-fronteiras, lembrou que “Portugal olha para os lusodescendentes como portugueses e acredita neles como parceiros para a construção de um País melhor”.
Sobre o tema e a sua ligação à diáspora lusa, a governante explicou que o Conceito Estratégico de Defesa Nacional é o documento que “define os aspetos fundamentais da estratégia global a adotar pelo Estado para a consecução dos objetivos da política de segurança e defesa nacional” e revelou que “logo nos «Fundamentos da estratégia de segurança e defesa», o Conceito Estratégico explicita como ‘interesse de Portugal’ a valorização das comunidades portuguesas”.
Berta Cabral acrescentou que esse fundamento reconhece explicitamente a importância que as Comunidades emigrantes têm para o país e “o peso de cerca de cinco milhões de mulheres e homens que fazem Portugal maior”. “Comunidades com dinâmicas próprias, resultantes de realidades distintas, convergindo através da nossa herança comum, da história, da Língua Portuguesa e da Cultura, sublinhou a secretária de Estado, defendendo que Portugal está no centro da comunidade transatlântica “assumindo uma centralidade natural nas relações entre a Europa Ocidental e a América do Norte, a América do Sul e a África Austral”, regiões com as quais o país pretende aprofundar as relações.
“Esta centralidade traz vantagens e traz obrigações. Antes de mais, a obrigação de contribuir para a estabilidade e progresso das áreas onde se joga a afirmação dos nossos interesses estratégicos”, frisou Berta Cabral, para quem a forma mais eficiente de Portugal conseguir este objetivo “é através da valorização das nossas Comunidades”. “É olhar para elas como autênticos postos avançados de Portugal nesta vastíssima região do Globo. A nossa capacidade de afirmação como nação está intimamente ligada a Comunidades portuguesas fortes, bem preparadas e interventivas”, assegurou.

Exportador de segurança internacional
A nível de segurança internacional, frisou que Portugal “procurará afirmar-se como coprodutor e exportador de segurança internacional” e que o uso dos recurso militares portugueses contempla quatro níveis de intervenção: na defesa cooperativa da paz e da segurança nas regiões europeia e euro-atlântica e na proteção das Comunidades portuguesas no estrangeiro; a sua utilização para intervenção “nas áreas vitais para o combate ao terrorismo transnacional e outras ameaças diretas à região euro-atlântica”;  na “cooperação, no domínio da segurança e defesa, com os países da CPLP”; na participação em missões de ajuda de emergência das Nações Unidas.
Berta Cabral, referiu ainda que nas linhas de ação estratégicas do Conceito Estratégico de Defesa Nacional “os pensadores identificaram a valorização das Comunidades portuguesas no estrangeiro” e o reforço da “contribuição dos nossos emigrantes e seus descendentes para a capacidade de influência nacional”.
A terminar a sua intervenção, a governante destacou a importância da Língua Portuguesa evocando que “o Português não é exclusivo dos 10 milhões que vivem em Portugal, mas antes uma língua falada por “pelo menos 240 milhões de pessoas”. “Esta rica herança implica o dever e a responsabilidade de passá-la aos nossos filhos. A nossa Língua Portuguesa não pode deixar de ser também a Língua deles”, destacou, pedindo às Comunidades portuguesas “a preocupação de promover o ensino da Língua Portuguesa e encará-lo como um bom investimento”.
“Trata-se de uma competência que será uma mais-valia no quotidiano de todos os lusodescendentes”, defendeu.

Base das Lages e deportados

No período de debate que se seguiu foram várias as questões que os luso-eleitos colocaram à Secretária de Estado Adjunta e da Defesa Nacional. Tony Cabral, de New Bedford, e Tony Castro, de Nova Iorque, EUA, inquiriram a governante sobre a situação da base das Lajes, de onde os EUA pretendem retirar parte significativa do contingente militar atual.
Berta Cabral explicou a todos qual o trabalho que o governo tem feito e como as comunidades podem ajudar nesta questão. “O lobby tem estado ativo em Washington, Massachusetts e Califórnia. Não está em causa a presença dos militares americanos nas Lajes, mas sim, a dimensão dessa presença”, afirmou Berta Cabral, acrescentando que essa presença terá em conta “a estratégia assumida pelos EUA na Europa”, mas que Portugal está a argumentar ainda com o facto da presença militar norte-americana nas lajes tem já “histórica” .
Já Paulo Pereira, vice-presidente da câmara de Mineola, EUA, perguntou sobre o que mudou na problemática dos deportados portugueses dos EUA, para os Açores. Berta Cabral referiu que estes são normalmente jovens que não se integraram nas comunidades locais e na sociedade americana, tendo na sua maioria problemas de toxicodependência e tráfico de drogas, e lamentou que, a viver no país há muitos anos, não tenham adquirido a nacionalidade.
“A pergunta que coloco é por quê esses cidadãos, que estão nos EUA há tantos anos, não têm a nacionalidade americana? E nesta questão há um trabalho que os luso-eleitos podem fazer. Devem ser realizadas campanhas que apelem à naturalização americana” defendeu.

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