Valpaços: Há emigrantes que regressam de propósito para a apanha da castanha

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Muitos emigrantes regressam de propósito nesta época do ano à zona da Padrela, Valpaços, para apanharem as castanhas, a principal atividade económica desta região e um produto que dá rendimento.

António Carlos e a mulher vivem no Rio de Janeiro. Ele é dentista e ela engenheira. De dois em dois anos vêm a Rio Bom, Valpaços, no nosso outono, mas em pleno verão no Brasil. “Eu tiro férias nessa época porque tenho que apanhar essas castanhas aqui, que eram dos meus sogros. Então, de dois em dois anos a gente vem aqui”, afirmou à agência Lusa. No ano em que não vem a Portugal, a tarefa cabe à sua cunhada. O casal contrata mão-de-obra para o trabalho de apanhar o fruto, porque não está acostumado ao trabalho no campo ou ao frio que já se faz sentir na região. António Carlos não sabe muito bem quantos soutos possuem ou qual a produção deste ano, no final far-se-ão as contas, mas diz que ainda compensa. “Dá para manter a propriedade, já que foi uma recordação de família, e ainda se ganha algum”, salientou.
O fruto é vendido para a Agromontenegro, empresa especializada na embalagem de castanhas para consumo nacional e exportação.   “A gente obrigatoriamente tem de vir aqui nessa época de frio, pegar esse friozinho, a chuva, mas não tem jeito, é a época que tem a castanha e então a gente tem que vir, senão não tem quem apanhe”, concluiu. Almendre Alves também vem da França, onde trabalha, para a apanha em Rio Bom. “É para apanhar castanha e pelo amor ao país também”, frisou. O emigrante apanha sozinho com a família e apesar de dizer que a situação “está mais difícil agora”, a produção “ainda compensa alguma coisa”.
“Não é que se arranje muito, mas a venda dá para as despesas”, sublinhou. Alfredo Alves e a mulher Dodelina Pereira vivem em França e já estão reformados. Por isso, é com mais regularidade que regressam a Portugal. Obrigatória é a vinda nesta época do ano. “Viemos de propósito para apanharmos meia dúzia de castanhas que temos para aqui”, afirmou Alfredo Alves. O emigrante diz que já não consegue apanhar, mas a Dodelina ainda vai para o souto, pois diz que sempre é menos uma pessoa que tem que contratar.
“Gasta-se muito com as lavouras. É preciso estrumar, sulfatar. Temos que botar produtos para os manter, de um ano para o outro secam quase metades e temos de os enxertar”, referiu ainda. Este ano perspetiva-se uma boa produção de castanha nesta zona, apesar de esta ainda estar um pouco atrasada.
“Dizem que vai haver um bocadinho delas, agora a gente ainda não sabe. No ano passado ficamos quase sem metade”, sublinhou Dodelina Pereira.
A Denominação de Origem Protegida (DOP) da Padrela estende-se por cinco mil hectares, concentrando-se principalmente na zona de Carrazedo de Montenegro (Valpaços), mas abrangendo ainda algumas freguesias de Chaves, Murça e Vila Pouca de Aguiar.

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