Encontro organizado pelo Mundo Português trouxe luso-descendentes à redescoberta de Portugal

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Quarenta jovens luso-descendentes tiveram este mês a oportunidade de descobrir ou reencontrar Portugal, através do IV Encontro Mundial de Jovens da Lusofonia & Friends. O evendo, organizado pelo jornal MUNDO PORTUGUÊS contou com o Alto Patrocínio do Presidente da República e o apoio da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas…

Na sua grande maioria, muitos nunca tinham visitado Lisboa, já que filhos de pais portugueses emigrados, visitam Portugal todos os anos mas ficam pela terra de origem dos seus progenitores, em regiões como o Norte de Portugal e região de Viseu e algumas idas ao Algarve, mas como tiveram oportunidade de referir na visita ao Ministério dos Negócios Estrangeiros – ou conheciam Lisboa muito mal, outros não conheciam e nenhum conhecia esta realidade que este IV Encontro lhes estava a proporcionar, ou seja visitar  a Assembleia da República e o Palácio das Necessidades e Palácio de Belem.

Dia I- Palácios S. Bento e Necessidades

Após a sua chegada ao aeroporto de Lisboa, em voos da TAP, alojados no Hotel Ibis na zona da Praça de Espanha,  a visita iniciou-se com uma almoço no refeitório da Assembleia da República, a que se seguiu uma visita guiada ao edifício – Palácio de S. Bento, à sala do hemiciclo e sala do Senado, onde tiveram oportunidade de se sentar nas cadeiras onde os deputados se sentam nas secções parlamentares. Após esta visita, em que os cliques das máquinas fotográficas pessoais eram constantes, novas descobertas estavam programadas, para este primeiro dia de visita a Lisboa. Seguiu-se o Palácio das Necessidades, onde está o Ministério dos negócios Estrangeiros e a Secretaria de Estado das Comunidades em que foram recebidos por Margarida Aroso, técnica superior dos serviços de protocolo de Estado, faz uma visita guiada ao Palácio, explicando as suas origens e mostrando os salões Nobres, quartos de reis e rainhas. O Convento escapou ileso aos danos provocados na cidade de Lisboa pelo Terramoto de 1755, mantendo até hoje, praticamente, intacta a sua traça original. Ficaram a saber, após a explicação profissional de Margarida Aroso que o  Palácio das Necessidades não foi habitado por D. João V mas sim por seus irmãos, os infantes D. António e D. Manuel. Assim, veio a servir inicialmente como residência a visitantes ilustres, nomeadamente príncipes estrangeiros de passagem por Lisboa, como sucedeu com o futuro rei Jorge IV de Inglaterra, então Príncipe de Gales, ao partir para e regressar de Gibraltar, e o seu irmão, o Duque de Sussex.  Os jovens, uma a um tiveram ainda oportunidade de se apresentar, referir as cidades e países de nascimento, profissão e terra de origem dos pais e dar a sua experiência do conhecimento de Portugal

Dia II: Da Baixa lisboeta ao Castelo

Foi uma manhã fria mas de sol que convidou os 40 luso-descendentes a conhecerem a Lisboa histórica. Dos Restauradores até à Praça do Comércio, com passagem pelo Rossio, os jovens fizeram uma caminhada por ruas Pombalinas e outras ainda mais antigas, sempre a subir, na segunda parte do percurso que os levou até à Sé e ao Castelo de São Jorge.
O passeio começou nos Restauradores, com a subida ao Elevador de Santa Justa, construído na viragem do século XIX para o XX. Obra do engenheiro português Raoul Mesnier du Ponsard, liga a rua do Ouro e a rua do Carmo sendo um dos monumentos mais interessantes da capital. O frio do início da manhã não assustou os jovens. Acostumados a temperaturas mais frias, aproveitaram a vista do alto da torre do elevador para as primeiras fotografias do dia, antes de seguirem pela Rua do Carmo até à Praça do Comércio, com passagem pela Rua Augusta. “Já bebíamos uma ginjinha para aquecer”, brincou um dos jovens, enquanto outro perguntava à guia se não era aquela a rua onde se assistiam às performances das «estátuas vivas». Na subida até à Sé, os jovens pararam na escadaria da Igreja de Santo António, um dos marcos religiosos da cidade de Lisboa, por se encontrar no local onde se diz ter vivido Santo António, de seu nome Fernando de Bulhão. A imponência da Sé não passou despercebida e antes de chegarem ao castelo, os luso-descendentes ainda pararam no Miradouro de Santa Luzia para admirar a imponente vista panorâmica. O belo espaço ajardinado rodeado de painéis de azulejo e esplanadas do Miradouro e a vista do labirinto de ruas de Alfama e do estuário do Tejo, abaixo, convidaram a mais uma sessão de fotografias. O restante percurso até ao Castelo fez-se com calma, a aproveitar o ambiente do casario típico do bairro do Castelo. Já dentro das muralhas do Castelo de São Jorge, os jovens ouviram atentamente um resumo da história daquele que é um dos mais deslumbrantes monumentos de Lisboa e ficaram a saber que foi construído no século VI, ocupado pelos romanos e visigodos antes de se tornar um palácio mouro, e conquistado em 1147 pelo primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques. Depois de visitarem os recantos do castelo, os luso-descendentes regressaram à Sé e daí seguiram para o já merecido almoço.

Palácio de Belém e Museu da Presidência

Após o almoço os jovens dirigiram-se para uma visita que foi especial. Divididos em dois grupos, o primeiro começou por visitar o Museu da Presidência da República e o segundo o próprio Palácio Presidencial.
Muito apreciado no museu foram as diferentes peças em exposição, nomeadamente alguns dos presentes que os presidentes receberam no decurso de viagens e missões oficiais e a série de quadros pintados a óleo, de todos os presidentes e que ali se encontram expostos cronologicamente. Visitaram demoradamente toda a exposição e prestaram uma especial atenção às ordens honoríficas, achando muito curioso que exista uma ordem só para condecorar professores. Uma jovem, futura professora a estudar em Genebra comentaria mesmo que “por isso é que nós portugueses somos muito cultos, pela atenção que se dá à educação”
 A seguir visitou-se o Palácio Presidencial, tendo-se começado pela sala das bicas, assim chamada por duas fontes que ali se encontram. Alguns estranharam a existência de fontes dentro da sala do palácio. A explicação veio logo a seguir dada pelo guia que acompanhou a visita, que foi dizendo que aquela sala havia sido um pátio exterior e que mais tarde teria sido fechada e passado a fazer parte da zona coberta do palácio.
Explicação dada avançou-se para o resto do Palácio, onde despertou natural curiosidade a sala de trabalho do Presidente, bem como a sala dos embaixadores, onde o Presidente da República recebe as credenciais dos embaixadores acreditados em Lisboa, e onde ainda recentemente recebeu a Chanceler Alemã, Sra. Angela Merkel quando esteve de visita a Lisboa.
Bastante apreciada também foi a Capela do Palácio, recentemente restaurada pelo Arquitecto João Nascimento e que recebeu um notável conjunto de pinturas de Paula Rego, uma encomenda feita à artista pelo Presidente Jorge Sampaio. De seguida visitou-se a famosa varanda do palácio sobranceira ao jardim de buxo de inspiração francesa, e terminou no não menos famoso jardim da Cascata no exterior da Palácio e que retoma a tradição dos grandes jardins europeus, mandado construir por D. Maria I em 1780 e que na época era uma luxuosa gaiola para aves exóticas vindas de todas as partes do império português.

Dia III: Por recantos de Belém

O último dia do Encontro começou com uma passagem pela Torre de Belém. Apesar do frio que se fazia sentir, todos os jovens quiseram ver de perto o monumento que em 1983 foi classificado pela UNESCO como Património Cultural de toda a Humanidade. Símbolo incontornável da cidade de Lisboa, a Torre de Belém foi construída estrategicamente na margem norte do rio Tejo, entre 1514 e 1520, para defesa da barra de Lisboa, sendo ainda hoje uma das jóias da arquitectura do reinado de D. Manuel I.
Localizada na margem direita do rio Tejo, onde existiu outrora a praia de Belém, todos quiseram tirar fotografias, tendo elogiado a beleza da zona que, brindada pelo fantástico sol que se fez sentir, deixava todos absorvidos.
Ainda antes da partida para um dos momentos altos do dia – os Pasteis de Belém – ainda houve tempo para uma paragem junto ao Padrão dos Descobrimentos, edifício idealizado pelo arquitecto Cottinelli Telmo e que Leitão de Barros e Leopoldo de Almeida deram forma. O Padrão dos Descobrimentos foi erguido em 1940 por ocasião da Exposição do Mundo Português.
Os participantes puderam confirmar a beleza deste monumento que apresenta o formato de uma caravela, ladeada inferiormente por duas rampas que se reúnem na proa e onde se destaca, com 9 metros de altura, a figura do Infante D. Henrique. Ao longo das rampas encontram-se esculpidas dezasseis figuras de cada lado, que representam uma síntese histórica de vultos ligados aos Descobrimentos.
Ainda antes da partida para os famosos e ansiados Pastéis de Belém, todos quiseram ver de perto a decoração do terreiro de acesso ao Padrão dos Descobrimentos: a Rosa-dos-Ventos, oferecida pela República da África do Sul. Idealizada pelo Arquiteto Cristino da Silva, tem 50 metros de diâmetro, executada em mármores de vários tipos, contém naus e caravelas embutidas que marcam as principais rotas dos Descobrimentos Portugueses.
Depois os tão comentados Pastéis de Belém. Todos os jovens queriam provar ou matar saudades da receita original desta iguaria portuguesa, um segredo exclusivo da Fábrica dos Pastéis de Belém. Ninguém quis deixar de comer pelo menos um Pastel de Nata e houve mesmo quem quisesse levar para os seus amigos e familiares uma lembrança. Foi o caso de David Bernardino que não quis regressar à Suíça sem levar 50 pastéis de Belém para a sua família. Uma forma de também eles matarem saudades de Lisboa, de Portugal! O grupo dirigiu-se de seguida para o Mosteiro de Jerónimos. Para perpetuar a memória do Infante D. Henrique, pela sua grande devoção a Nossa Senhora e crença em S. Jerónimo, D. Manuel I decidiu fundar em 1496, o Mosteiro de Santa Maria de Belém, junto ao rio Tejo. Doado aos monges da Ordem de S. Jerónimo, é hoje conhecido por Mosteiro dos Jerónimos Património Cultural de toda a Humanidade pela UESCO.
Os jovens elogiaram a beleza do claustro do Mosteiro dos Jerónimos que representa um dos monumentos mais significativos da arquitetura manuelina. Destinado essencialmente ao isolamento da comunidade monástica, era um local que permitia a oração, a meditação e o recreio dos monges da Ordem de S. Jerónimo. Ainda antes do almoço, uma visita ao Museu Nacional dos Coches, que antigamente era uma escola de arte equestre – o Picadeiro Real do Palácio de Belém – construída pelo arquiteto italiano Giacomo Azzolini, em 1726. Em 1905, foi transformado num museu pela rainha D. Amélia, esposa do rei D. Carlos, sob o nome Museu dos Coches Reais que, após o golpe republicano, teve o seu nome alterado. Feitos em Portugal, Itália, França, Áustria e Espanha, os coches abrangem três séculos e vão dos mais simples aos mais sofisticados. 
Depois do almoço, tempo para as despedidas. Todos os jovens elogiaram a visita a Lisboa e a partida para o aeroporto foi feita já com algum saudosismo do país que tanto amam.

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