“É preciso sensibilizar os decisores para a importância económica da Língua Portuguesa”-Marcelo Rebe

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A língua portuguesa é uma fonte de “energia” ao dispor dos países lusófonos e um valor económico que todos precisam potenciar, “porque há uma ligação muito estria entre a rota da língua e a rota dos negócios”, afirmou Ana Paula Laborinho, presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, na apresentação do livro «Potencial Económico da Língua Portuguesa». A obra reúne o resultado de um estudo sobre a importância económica do português, iniciado em 2008 e promovido e financiado pelo Camões e realizado por uma equipa de investigadores ISCTE-IUL, liderada pelo reitor, Luís Reto. O livro foi apresentado por Marcelo Rebelo de Sousa, que destacou o “valor incomensurável” da língua portuguesa para a afirmação de Portugal na lusofonia e no mundo…

“A língua portuguesa tem um valor incomensurável para Portugal e para a sua afirmação na lusofonia e mundo”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa na apresentação do livro «Potencial Económico da Língua Portuguesa», que decorreu dia 5 deste mês sede do Camões – Instituto da cooperação e da Língua, em Lisboa.
Marcelo Rebelo de Sousa foi acompanhado na mesa pela presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, Ana Paula Laborinho, e pelo reitor do ISCTE-IUL, Luís Reto. O lançamento foi feito perante uma plateia que reuniu embaixadores e representantes de países lusófonos, incluindo o secretário-executivo da CPLP, Murade Murargy.
Depois de destacar que o livro é uma “obra excecional”, “arrojada”e precursora, por ser a primeira vez que se estuda e escreve sobre o tema da importância económica da língua portuguesa, Rebelo de Sousa acrescentou o estudo que a originou deve ser “o começo de um processo”.
“É preciso ouvir o que os brasileiros e o Brasil pensam deste tema. É preciso que nasça uma obra semelhante nos países irmãos da lusofonia”, defendeu Rebelo de Sousa, em jeito de desafio às pessoas que encheram o salão nobre do palacete Seixas. O apresentador explicou o seu ponto de vista, afirmando que há dados que ficarão “incompletos” sem a perspetiva dos outros países lusófonos.
Marcelo Rebelo de Sousa alertou ainda para a necessidade de se olhar para o setor privado e social, que devem dar a sua perspetiva da importância do português, defendendo que o estudo deve ser decomposto pelos vários setores das sociedades lusófonas: económico, social e cultural.
O professor catedrático, jurisconsulto e comentador político sugeriu ainda que a obra seja dada a conhecer e seja tema de debate não apenas nas universidades, mas também nas escolas, ao básico e secundário, “para que se perceba o que está a ser tratado”. “A esmagadora maioria dos portugueses tem que perceber a importância deste tema”, defendeu.
Marcelo Rebelo de Sousa disse ainda ser também fundamental “sensibilizar os decisores políticos e económicos” para o facto de que “mais do que a identidade nacional, a língua portuguesa é um valor económico” e apelou fez um apelo aos órgãos de comunicação social para que “não se esqueçam do livro”.
“Nesta ocasião, até para elevar o amor-próprio e a auto-estima nacional, é muito importante percebermos o valor económico da língua portuguesa”, acrescentou, deixando como desafio, que este “possa ser um tema cimeiro em 2013”.

Rota da língua e dos negócios

Para Ana Paula Laborinho, o livro celebra o património da língua portuguesa, partilhada por uma comunidade de cerca de 250 milhões de falantes. A presidente do Camões sublinhou que o seu valor económico deve ser potenciado “não só por razões internas”, mas também “porque há uma ligação muito estreita entre a rota da língua e a rota dos negócios”. Ana Paula Laborinho referiu ainda que este é o princípio de um trabalho que gostaria de ver alargado a outros países.
Luis Reto também defendeu o alargamento do estudo aos outros países lusófonos, mas lembrou que para tal “é necessário financiamento”.
E defendeu ainda a importância de se identificar os países relevantes para Portugal “fora da lusofonia”, dando a China como exemplo. “Os próximos estudos têm que transbordar o espaço da lusofonia”, afirmou.
O trabalho de investigação sobre a importância económica da língua portuguesa foi realizado por uma equipa liderada por Luís Reto, reitor do ISCTE-IUL, e constituída pelos investigadores José Paulo Esperança, Mohamed Azzim Gulamhussen, Fernando Luís Machado e António Firmino da Costa.
O estudo teve início em 2008, tendo sido uma iniciativa do então Instituto Camões, que disponibilizou o apoio financeiro ao trabalho. O livro, que reúne as conclusões do estudo, é composto por duas partes.
Na primeira parte são apresentados estudos ligados às relações entre variáveis económicas/sociais e língua, o seu valor em percentagem do PIB nacional, no comércio externo e o investimento direto estrangeiro. É ainda apresentado a sua importância para Portugal, nos fluxos migratórios e no turismo.
Na segunda parte, o livro dá conta dos resultados de um inquérito sobre «Usos e perceção dos utilizadores da língua», realizado junto de cerca de 2.500 estudantes de português nas universidades e escolas em todo o mundo do mundo onde existem centros de língua e leitorados apoiados pelo Camões em 2008.

Português: um lugar de relevo no contexto mundial
O «Potencial Económico da Língua Portuguesa» compreende o estudo que pela primeira vez estimou em 17% o peso da língua no PIB português, a partir de um método criado por Martin Municio e aplicado a Espanha, onde o espanhol representa 15% do PIB. O livro indica a existência de 254,54 milhões de “falantes nativos” de português, correspondente às populações dos oito países de língua oficial portuguesa, o que compara com os ‘cerca’ de 400 milhões de falantes de cada um dos universos de espanhol e inglês. Os autores reconhecem que “nem todos os naturais” dos oito países, nomeadamente os africanos e os timorenses, têm o português como língua materna, mas este universo de falantes e países corresponde a 3,66% da população mundial e a 3,85% do PIB mundial, respetivamente. Os estudos colocam a língua portuguesa entre a dezena de idiomas “supercentrais”, que rodeiam o inglês e vaticina-lhe “um lugar de relevo no contexto mundial deste novo século”, ao falar do “efeito de rede”.

Ana Grácio Pinto
apinto@mundoportugues.org

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