Brasil: Novos emigrantes integram-se pouco com a comunidade

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Os novos emigrantes portugueses que se fixam no Brasil integram-se menos com a comunidade compatriota que lá vive. A afirmação é de investigadores universitários que participaram no seminário «Os Portugueses no Brasil – Novos Desafios», realizado no dia 3 em São Paulo. “Os jovens migrantes não têm interesses em associações tradicionais. Não são os almoços e os jantares com grupos folclóricos que os atraem, e cabe às associações descobrirem outras formas para chamar esse público”, afirmou a historiadora brasileira Sónia Maria de Freitas.
A docente da Universidade de São Paulo (USP) realçou que, como muitos, os imigrantes acabam por ficar numa situação de trabalho ilegal enquanto aguardam que a documentação seja autorizada, e, por isso, são mais “fechados”.
O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, também presente no evento, afirmou que as novas gerações têm um nível de individualismo mais acentuado, influenciado pelo desenvolvimento de relações por meio da internet, que dificulta o relacionamento com a comunidade local. Por seu turno, o historiador José Jobson Arruda disse que a diferença de qualificação profissional entre as gerações pode gerar tipos de comportamentos diferentes.
Durante a conferência, foi apresentado um estudo desenvolvido com os emigrantes portugueses que fazem parte da comunidade «Nova Geração de Patrícios no Brasil», no Facebook, que conta com quase 2.500 membros. Ao todo, 63 pessoas responderam à pesquisa, desenvolvida por Sónia Maria de Freitas, a maioria dos quais (51 por cento), imigrou para o Brasil para trabalho, sendo que 59 por cento possui nível superior completo e outros 18 por cento pós-graduação. Os entrevistados afirmaram-se integrados na sociedade brasileira (75 por cento), mas a grande maioria (84 por cento) não teve ajuda ou orientação de entidade luso-brasileira para emigrar. Sónia Freitas afirmou que algumas das dificuldades citadas por membros da nova geração foram a burocracia brasileira, a dificuldade em conseguir vistos de trabalho, a falta de equivalência em diplomas de engenharia e arquitetura, a falta de “networking e a dificuldade de se abrir uma empresa.
O secretário José Cesário afirmou que as especificidades da migração para o Brasil estão a ser analisadas e que será lançado um guia de aconselhamento para as pessoas que desejem emigrar para aquele país. Cesário realçou que a língua portuguesa em comum é uma vantagem e que deve ser usada como um fator de promoção de desenvolvimento. Para isso, disse que “anseia” pelo momento em que o Brasil trabalhe ao lado de Portugal no esforço para internacionalizar o idioma.
Depois de São Paulo, o seminário foi realizado no Rio de Janeiro, dia 6, e em Salvador, dia 11. Integrado na programação oficial das comemorações do Ano de Portugal no Brasil, o ciclo é organizado pelo Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade (CEPESE), em colaboração com a Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, com o objetivo de estabelecer um espaço de reflexão sobre a emigração portuguesa para o Brasil até ao presente.

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