Português de Amarante foi eleito para uma autarquia na Finlândia

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O percurso de emigração de Ilídio Flores não foi o tradicional. Chegou à Finlândia em 1989 “atrás de uma mulher”. “Vim atrás dela e já lá vão 23 anos”, disse ao MUNDO PORTUGUÊS, numa entrevista por telefone, a partir da cidade de Suolahti. Do casamento, que entretanto acabou, nasceram duas filhas, que falam bem português. Natural de Amarante, Ilídio Flores fez “um pouco de tudo” no país onde reside, mas há alguns anos que é monitor do ensino especial e tem-se dedicado desde o início da vida na Finlândia, ao voluntariado desportivo. Agora é também o primeiro português eleito para uma autarquia finlandesa…

O percurso de emigração de Ilídio Flores, de 46 anos, não foi o tradicional, na medida em que não partiu para a Finlândia para melhorar as suas condições de vida. Chegou em 1989 “atrás de uma mulher”, com quem tinha estudado, na então República Democrática da Alemanha. “Vim atrás dela e já lá vão 23 anos”, disse ao MUNDO PORTUGUÊS, numa entrevista por telefone, a partir da cidade de Suolahti. Do casamento, que entretanto acabou, nasceram duas filhas, Amanda, de 22 anos, e Sofia, de 17, que falam bem português e são a companhia do pai.
O português, natural de Amarante, que na Finlândia fez “um pouco de tudo”, mas desde há alguns anos é monitor do ensino especial. “Fiz muito trabalho precário, trabalhei no que aparecia e tive algumas dificuldades no início. Mas em 2006 fui estudar e tornei-me monitor do ensino especial”, revelou Ilídio Flores, que há cinco anos é assistente pessoal de uma criança autista, na escola.
O português sublinha ainda que desde cedo dedicou-se ao voluntariado desportivo, como treinador de futebol de crianças e jovens. “Convidaram-me a jogar na equipa local de futebol e mais tarde, houve um pai que me perguntou se gostaria de treinar os miúdos. A partir daí, nunca mais parei”, explicou
Ilídio Flores viveu sempre em Suolahti, cidade no centro da Finlândia e onde moravam apelas três portugueses, quando lá chegou. Hoje, diz, não serão mais de oito. Em 2000 foi convidado a fazer parte como independente, da lista da Liga de Esquerda, na candidatura à autarquia local. Aceitou e ficou a quatro votos de ser eleito. Em 2007 a localidade fundiu-se com outras duas cidades e passou a chamar-se Äänekoski e um ano depois, o português de Amarante voltou a candidatar-se às eleições autárquicas, pelo Partido Comunista Finlandês, mas ainda não seria dessa vez que iria integrar um executivo autárquico.
Este ano, regressou à Liga de Esquerda, novamente como independente, e à terceira foi de vez. Ilídio, que não tem nacionalidade finlandesa, atribuiu a sua eleição ao facto de ser “muito conhecido na cidade, por causa do futebol”, ter sempre sido “muito ativo na comunidade” e pelos artigos de opinião que escreve nos jornais locais. “Há muito pais de crianças que treino que disseram ter votado em mim”, garante o agora vereador que é também vice-presidente do sindicato dos monitores do ensino especial.
Questionado sobre o que o motivou a candidatar-se a um cargo político, responde com os objetivos do seu trabalho voluntário como treinador de futebol como exemplo. “No futebol, o importante não é criar estrelas, é educar as crianças e os jovens, é essa a minha perspetiva”, avança, acrescentando que pretende “contribuir para uma sociedade mais justa”, numa cidade com cerca de 20 mil habitantes e alguns problemas que diz afetarem principalmente os jovens.
“A Finlândia é o país da Europa ocidental com mais situações de violência doméstica. Aqui é um problema bastante grave e que afeta diretamente as crianças e os jovens”, afirma Ilídio Flores, apontando ainda o elevado consumo de álcool pelos mais jovens como outro grande problema da sociedade finlandesa. Questões que o português aborda com os seus jogadores, que têm entre 13 e 16 anos. “É claro que eu os alerto para os perigos do álcool, das drogas, e incentivo-os a terem uma vida saudável”, sublinha, afirmando que na Finlândia “há cerca de 3500 jovens com menos de 30 anos a receber reforma por invalidez, cuja razão mais geral é a depressão grave”.
Quer por isso estar ligado ao pelouro da Cultura e Desporto, e até já tem uma questão a defender. “Temos umas piscinas municipais em Suolahti e querem fechá-las. Temos que defender com unhas e dentes a sua manutenção, visto serem para muita gente, o único contato com o exercício físico que têm”, revela.
Ilídio toma posse em janeiro de 2013 e nos próximos quatro anos gostaria de contribuir para a melhoria de vida de crianças e para a criação de empregos para os jovens. “A percentagem de desemprego na Finlândia é de 8%, para uma população de cinco milhões de habitantes. Apesar de continuar a ser um país de bem-estar, já começa a haver sem-abrigo e segundo as estatísticas, há cerca e 400 mil pobres no país”, revelou.
Portugal é o país onde sempre gostou de regressar, todos os anos, para “recarregar baterias” em Amarante e rever a família. Mas com a morte dos pais, diz que provavelmente passará a vir menos e em 2013 deverá incluir nas suas férias a Alemanha e a Suíça, onde tem irmãos. Apesar de viver na Finlândia à mais de duas décadas, assume que ainda não está totalmente adaptado a um país onde o inverno é muito rigoroso: “são sete meses de inverno, está escuro quando saímos para trabalhar e quando voltamos para casa”.

Ana Grácio Pinto
apinto@mundoportugues.org

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