Médico colecionador guarda mais de 700 mil peças em Leiria

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Herdado o “vício”, do avô e do pai, o médico e escritor Cândido Ferreira assumiu a missão de preservar património, não apenas português, e nas últimas décadas reuniu mais de 700 mil peças, algumas tão antigas como a escrita.

As de origem mais remota que estudou e catalogou são da Suméria, de 6.000 anos antes de Cristo. A coleção atravessa toda a antiguidade até à atualidade e abarca seis grandes áreas temáticas – a arqueologia, pintura portuguesa dos século XIX e XX, artes decorativas, história do dinheiro, história postal e temáticas populares.
Nos dias de hoje, algo que o preocupa é encontrar parcerias com instituições que lhe permitam disponibilizar para fruição pública as suas coleções, com 700 mil peças de Portugal e 20 ou 30 mil que adquiriu numa centena de países, nas viagens de lazer e profissionais.
“Nunca considerei essas peças como minhas. Considero-as como coletivo e sempre as fui guardando para as devolver à sociedade, que me deu condições para poder ter o prazer de possuir, de estudar essas peças”, diz à agência Lusa, enquanto mostra algumas delas em Leiria, onde reside.
Nascido em Febres, Cantanhede, ainda criança viu o avô materno e o pai a exercitarem o prazer coletor de latas de conserva ou de moedas. Só a partir dos anos 80 do século passado, com os rendimentos da carreira médica, de clínico e empresário, passou a reunir uma coleção avaliada em sete milhões de euros antes de a crise financeira assolar o mundo. “A vida deu-me mais do que aquilo que merecia”, exclama Cândido Ferreira.
Como só costuma dormir três horas por noite, tem a possibilidade de “viver duas vidas”, uma para trabalhar e outra para os ‘hobbies’. Entre as singularidades da sua coleção, elege uma cruz em prata, de finais do século XIX, com mais de seis quilogramas de peso, e uma tapeçaria de Portalegre, do século XX, mas também se orgulha de outras peças únicas como a primeira edição de Sonetos de Antero de Quental de 1861, com uma dedicatória ao seu amigo Alexandre Herculano, ou um Livro de Horas do século XVI.
Destaca ainda as coleções de pintura portuguesa, composta por 160 quadros e avaliada em dois milhões de euros, a arqueologia, das idades da Pedra Lascada ou Bronze, das épocas fenícia ou grega, e a numismática, com as edições portuguesas e, ainda, duas mil moedas romanas e bizantinas, muitas delas cunhadas a ouro. Nas “coleções populares”, os lápis portugueses são 11.500 e os postais portugueses 180 mil, todos eles escritos e expedidos.
Cândido Ferreira recorda que um dia, entre novas aquisições, descobriu o que uma antiga namorada escrevera a uma tia a relatar um jantar de ambos. Nesse vasto espólio, diz que há duas vertentes que contam apenas com escassos exemplares, a bélica, porque é objetor, e a religiosa, por ser ateu. Nas “duas vidas” que diariamente vive, Cândido Ferreira conseguiu ainda ser produtor de vinhos no Alentejo, que exporta, participação na criação de organizações não governamentais para o desenvolvimento, envolver-se civicamente no “Caso Esmeralda”, ser autarca, dirigente partidário e escrever romances, sendo o último “Setembro Vermelho”.

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