Artesão mantém viva arte de construir palhetas para a gaita de foles

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Um artesão de Sendim, concelho de Miranda do Douro, é o único construtor de palhetas no país destinadas em “exclusivo” às tradicionais gaitas de fole mirandesas e transmontanas, instrumentos de sopro caracterizados pelo seu timbre peculiar.

“No início, a construção de palhetas para gaita de fole era um passatempo. Atualmente, tenho-me dedicado com mais afinco ao estudo e fabrico destes artefactos musicais, já que a procura é constante por parte dos músicos”, disse Henrique Fernandes. Por semana, o artesão chega a construir mais de meia de centena de palhetas. Porém, a sua procura é crescente e o “stock” depressa se esgota, tudo porque os instrumentistas aparecem um pouco de todo o país.
Nem o preço de 10 euros por unidade, com tendência para uma subida, devido ao aumento do custo da matéria-prima e de impostos como o IVA, faz demover os amantes das gaitas de fole na aquisição de uma série de palhetas por cada instrumento. “Uma boa palheta é fundamental para se conseguir um som mais genuíno. Por esse motivo, é preciso escolher os materiais e aplicar técnicas que permitam respeitar a tradição e integridade do instrumento”,destacou. A matéria-prima destinada à construção deste pequeno objeto musical é importada diretamente de França, devido à qualidade da cana, que está na origem das palhetas.
 Depois de escolhido o pedaço de cana, têm de ser aplicadas as medidas certas, que serão depois adaptadas às gaitas de foles, tanto mirandeses como transmontanas, já que se tratam de dois instrumentos muito semelhantes, mas com sonoridades distintas.  “A palheta vai-se degradando com o tempo e, por isso, cada tocador tem obrigatoriamente de ter as suas reservas”, observou o artesão.
Henrique Fernandes, sargento do Exército, depressa se apercebeu que a falta de palhetas para as gaitas de foles era uma constante, facto que obrigava ao recurso ao mercado espanhol, que desvirtuava o som característico das gaitas de fole.  “Dadas as características dos materiais, nem sempre há palhetas disponíveis, tudo porque as condições climatéricas influenciam o cultivo das canas que estão na origem desta peça”, frisou o artesão. 
Longe vão os tempos em que os gaiteiros tradicionais utilizavam cana cortada junto aos cursos de água da região e procuravam pequenos tubos de metal para construir as suas próprias palhetas.  No entanto, com o processo de padronização da gaita de fole na região da “Terra de Miranda” e o consequente número crescente de tocadores levam a uma maior procura de materiais nobres para o fabrico dos instrumentos.

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