Obra Católica das Migrações quer rede de apoio a portugueses em França e Suíça

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Em França, a Obra Católica Portuguesa das Migrações (OCPM) vai estudar as necessidades da comunidade portuguesa para, em parceria com a Caritas, tentar criar uma rede de apoio em todo o país. E na Suíça, está a estudar a criação de refeitórios sociais para garantir comida aos emigrantes portugueses em situações de desemprego e carência.

Em declarações à agência Lusa depois de um encontro com o bispo da diocese de Paris e com os padres das missões na capital francesa, o diretor da OCPM, frei Francisco Sales, afirmou que “os casos de fragilidade económica e social entre a comunidade são pontuais e não tão graves como alguns relatos conhecidos nos últimos dias noutros países”.
Mas mesmo assim, diz que é preciso ter em conta a especificidade da comunidade portuguesa em França, que “é composta por pessoas que saíram de Portugal com a ideia de que vinham para vencer e que têm, por isso, muita vergonha de pedir ajuda”.
Além desta “pobreza envergonhada”, o diretor entende que “é preciso olhar para o resto da França, para além da realidade da região parisiense”: “Chegam-nos de outras zonas do país relatos de alguns casos de exploração laboral. Um dos principais problemas da comunidade é a angariação de mão de obra em Portugal, muitas vezes por portugueses. As pessoas são iludidas, vêm e depois são exploradas ou ficam a executar tarefas que não correspondem às expetativas que tinham”, acrescentou.
Portanto, a prioridade agora é analisar a situação social e económica da comunidade em França, “perceber onde estão as necessidades dos portugueses e que necessidades são essas”. Esse trabalho será feito “sensibilizando” atores da igreja e da sociedade civil.
Ao mesmo tempo, a OCPM pretende, em parceira com a Caritas francesa, “tentar criar uma rede de apoio para dar resposta às necessidades dos emigrantes”. Esta é uma ideia que terá escala europeia, explicou ainda o diretor, que acrescentou que ela ganhará mais forma no encontro dos dias 18 e 19 de abril entre os coordenadores da OCPM na Suíça, Alemanha, França, Luxemburgo e Holanda e os presidentes das Caritas destes países.

Situações “dramáticas” na Suíça
Na Suíça, a OCPM está a estudar a criação de refeitórios sociais para garantir comida aos emigrantes portugueses em situações de desemprego e carência. “Estamos a tentar criar uma plataforma para dar uma resposta ao nível dos refeitórios sociais para, pelo menos, garantir algumas refeições às pessoas que se encontram nesta situação”, disse frei Francisco Sales. O diretor da Obra falava à agência Lusa no final de fevereiro, após um encontro com uma delegação do Partido Comunista Português (PCP) sobre a situação dos emigrantes na Suíça.
A missão da Obra Católica Portuguesa na Suíça tem vindo a alertar nos últimos tempos para a quantidade de portugueses que estão a chegar à Suíça, sem emprego, sem qualquer apoio, muitos vítimas de angariadores de mão-de-obra, que são abandonados à própria sorte e acabam a pedir ajuda às missões e a instituições de solidariedade suíças.
Francisco Sales estima que sejam “vários milhares” os portugueses que atravessam “situações dramáticas”, vivendo “na rua, praticamente abandonados”. “Apenas 10 a 20 por cento é que contactam as missões. As que nos contactam dizem-nos que não fazemos ideia da realidade concreta das pessoas que estão na rua. Não podemos avançar números, mas calculamos que são muitos milhares”, avançou.
O diretor da OCPM fala de pessoas que durante a noite dormem em estações de comboios, carros ou abrigos e que durante o dia “vagueiam” à procura de emprego. “Há famílias inteiras. Tivemos uma família com crianças que dormiu durante 15 dias num carro e outra que foi bater à porta de uma igreja suíça que depois contactou a nossa missão”, disse, adiantando que são apenas dois exemplos de “uma realidade vasta e dramática”.
Estas situações são resultado do “total desespero” que se vive em Portugal, onde as pessoas “não encontram saídas”, garantiu Francisco Sales. “As pessoas vêm-se obrigadas a sair, mas saem sem o mínimo de conhecimento da realidade suíça, sem contratos de trabalho, sem relações pessoais. O mercado de trabalho está saturado e não encontram emprego”, disse. Para o responsável da Obra Católica, a embaixada e os consulados portugueses no país apenas agora estão “a tomar consciência desta realidade”. “Não existe uma resposta social. Quem está a dar a resposta social são as missões, as associações de emigrantes e as instituições suíças”, disse. Francisco Sales lembrou que a Suíça não é caso único, adiantando que em países como a França ou o Luxemburgo também existem problemas “de igual dimensão”.

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