Movimento «Orgulho em ser luso-canadiano» quer aproximar os jovens da sua herança portuguesa

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   Terry Costa nasceu em Oakville, mas foi ainda bebé para a Ilha do Pico, nos Açores. Haveria de regressar ao Canadá, aos 15 anos, para concluir os estudos no país onde nasceu. Mas os constantes regressos aos Açores ajudaram a manter a forte ligação que tem às suas raízes portuguesas, a ponto de atualmente dividir o tempo entre Toronto e a ilha do Pico, que considera a sua terra natal. Em 2006, o agente cultural decidiu lançar o movimento «Orgulho em ser luso-canadiano», que está a “trazer de volta” às raízes lusas, muitos jovens descendentes, como contou a este jornal.

Aos 15 anos, Terry Costa regressou ao Canadá, para prosseguir os estudos. Frequentou o Liceu Inglês, concluiu os cursos profissionais de Teatro e Drama no Colégio Sheridan e formou-se em Drama e História na Universidade de Toronto. A partir daí iniciou uma carreira como encenador, produtor e idealizador de eventos em diversas áreas da cultura, como teatro, dança, música e ainda concursos e festivais. Mas os Açores e as suas raízes portuguesas mantiveram-se sempre presentes. “Comecei a vir aos Açores todos os anos e a aprender cada vez mais sobre este arquipélago. Gosto muito destas ilhas”, confidenciou a O Emigrante/Mundo Português.
E foi a sua ligação às raízes portuguesas que o levou a criar em 2006, em Vancouver, o movimento «Orgulho em ser Luso-Canadiano». “Este projeto está a trazer de volta, muitas pessoas que estão desligadas da comunidade portuguesa. Muitas delas não sabem, por exemplo, que existem associações portuguesas no Canadá, estão bastante afastadas da sua herança portuguesa”, explicou o produtor e encenador que quer reaproximar os jovens da sua cultura lusa e mostrar-lhes “que podem ser também portugueses, que devem conhecer Portugal”. “A maioria dos portugueses que conheço são de 3ª e 4ª gerações, mas têm um enorme orgulho nos seus avós, nos pais e na cultura portuguesa”, acredita.
Outro objetivo do movimento é mostrar à sociedade que os luso-canadianos “já fizeram muito neste país, estão inseridos a todos os níveis, artístico, económico e político e podem fazer muito mais”. Mas defende que a comunidade também tem “que gerar informações positivas”, se quiser ser tida como parte da sociedade canadiana.
A adesão ao movimento ganhou mais dimensão quando Terry Costa mudou o seu centro de ação para Toronto, cidade onde passou a residir e que acolhe o maior número de portugueses no Canadá. Ali a campanha ganhou ainda mais visibilidade, e para isso contribuiu também a página na internet (www.portuguesecanadian.com) que segundo o seu impulsionador, conta já com cerca de 50 mil contactos de luso-canadianos. 
O apoio da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas e de um grupo de empresários de Toronto são importantes para manter de pé o movimento, que ao longo de cinco anos realizou vários eventos, sempre a pensar nas gerações de descendentes. “É com os luso-descendentes que temos e começar a trabalhar, apesar de não sabermos ao certo quantos há, já que nos Census, não se identificam como portugueses”, realçou.

Festival em Março

O próximo evento decorre em Março e será o primeiro que Terry Costa realiza em Toronto: uma conferência e um festival cultural onde a moda, a música e a dança vão estar em evidência, animam a cidade entre os dias 15 e 25 do próximo mês.
A Conferência e Festival Cultura Orgulho em ser Luso-Canadiano terá lugar no MOD Club Theatre e tem já confirmadas as presenças de luso-descendentes conhecidos da comunidade e da sociedade canadiana, como Carmen Correia, presidente da Chef Network, que deverá fazer a palestra de abertura da conferência e a cantora de jazz Susana da Câmara, que está a compor um tema exclusivamente para o evento. Woodrow Monteiro, conhecido modelo, Brian Melo, vencedor do Canadian Idol, Gorete Almeida, bailarina e coreógrafa, e Lucas Silveira, cantor, letrista e fundador da banda «The Cliks», são outros nomes conhecidos do meio luso, que estarão presentes. Confirmado está também o arquiteto Derek Chaves, que tem em mãos a criação de um edifício para albergar a Casa de Portugal, baseado no seu projeto final de curso.
O dia 17 é dedicado à conferência, que abre com o tema «A vida pública e a vida política», com a presença de políticos como Ana Bailão, conselheira na Câmara de Toronto. A tarde será dedicada ao tema «Moda e entretenimento» e o debate vai contar com a participação de luso-descendentes ligados a estes meios.
O programa integra ainda o evento «O melhor de Portugal» que pretende “dar a conhecer os projetos e iniciativas que estão a ser criadas em Portugal e lançadas noutros mercados”, explicou Terry Costa. É o caso da Manjerica, lançada em Portugal por Maria Teresa Bettencourt e da marca de roupas Frank & Stein, criada por três designers portuguesas.
Com este mega evento, Terry Costa quer passar aos participantes a mensagem de que não devem “ter receio de dizer que são luso-canadianos”. “Isto, sem deixarmos de ser quem somos”, sustentou o produtor que entre as parcerias que granjeou para a Conferência e o Festival Cultural, está “o apoio do secretário de estado das Comunidades Portuguesas”, revelou.
Terry Costa insiste na união dos portugueses, mas também sustenta que os jovens da comunidade não têm obrigatoriamente que falar português “para ter orgulho em ser luso-canadianos”. “Temos que os deixar desenvolver a herança e a cultura portuguesas à sua maneira”, defende. O exemplo pode bem ser o vídeo enviado por Ken Flynn, para o concurso de curtas, intitulado «Who’s your vavo». Ao longo de 35 segundos, o luso-canadiano neto de açorianos, explica porque tem orgulho na sua herança portuguesa: foi-lhe transmitido pelo avô, a quem dedica o pequeno filme.

Concursos de vídeo e escrita apelam à criatividade

Para além da conferência e do festival cultural que irão decorrer em Março, o movimento tem a decorrer um concurso de curtas metragem em vídeo e outro de escrita, ambos subordinados ao tema «Orgulho em ser luso-canadiano».
O vídeo deverá ter mo máximo 30 segundos e ser o mais criativo possível. “Qualquer luso-canadiano pode concorrer e criar um vídeo a explicar porque tem orgulho na sua ascendência portuguesa. Já recebemos mais de 30 e vamos escolher os dez melhores”, revela Terry Costa. O vídeo vencedor recebe um prémio num valor equivalente a mil dólares.
Realizado com o apoio do Luso Learning Centre (Centro de Aprendizagem Luso), o concurso de escrita criativa foi lançado no dia 23 de janeiro e destina-se a luso-canadianos com menos de 30 anos. Para participar, basta escrever um texto com menos de 200 palavras a explicar o motivo de se sentir orgulhoso de ser luso-canadiano. Na página eletrónica do movimento, Terry Costa explica que os concorrentes podem escrever em francês, inglês ou português. O vencedor será anunciado no primeiro dia da conferência. Os dois concursos terminam a 1 de março e tanto o vídeo como a redação devem ser enviados para o endereço eletrónico proudtobeportuguesecanadian@gmail.com 

O curta metragem pode ainda ser alojado no youtube e o respetivo link enviado para o endereço acima.

  A paixão pelos Açores levou Terry Costa a abrir um escritório na Mirateca, localidade na freguesia da Candelária (concelho da Madalena do Pico) e terra natal dos pais. Um investimento que o leva a dividir o tempo entre o Pico e Toronto, mas que tem permitido o tão desejado regresso às raízes.
No ano passado, foi convidado e aceitou apresentar o Dia do Migrante na ilha, perante uma plateia de mais de 500 pessoas. E não pára. Está a aprender «Chamarrita» (uma das mais antigas danças tradicionais dos Açores, bailada sobretudo nas ilhas do Pico, Faial e Flores) e tem em mãos a criação e desenvolvimento de um musical centrado na figura do primeiro presidente da República português, que pretende ter pronto a estrear em 2015. “Estou neste momento a desenvolver o processo de escrita, centrado na poesia de Manuel de Arriaga (1840-1917), açoriano natural da Horta (ilha do Faial), que escreveu um poema a contar a experiência vivida com a subida à montanha do Pico”, explicou numa entrevista por telefone a O Emigrante/Mundo Português. Terry conta que será um musical apenas com instrumentos de corda, que têm grande tradição nos Açores, e não deverá ser encenado apenas em Portugal. “Quero que esta história chegue a outros lugares, daí estar a trabalhar o texto em português e em inglês”, revela.
Ana Gracio Pinto
apinto@mundoportugues.org

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