Isabel Pessôa-Lopes deu a volta a Portugal a pé em 80 dias

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Aos 44 anos, Isabel Pessôa-Lopes cumpriu uma fantasia de infância: a 4 de Julho partiu do Padrão dos Descobrimentos e deu a volta a Portugal a pé atravessando toda a costa marítima e terrestre. 80 dias depois regressou ao mesmo local, exausta por ter andado mais de 2 mil quilómetros, mas com muitas histórias para contar…

Ainda estava na escola primária quando sonhou em conhecer todas as fronteiras portuguesas. Mais de 30 anos depois, Isabel Pessôa-Lopes concretizou o sonho e deu a volta a Portugal a pé em 80 dias. 
A aventura começou este verão mas o projecto nasceu quando se preparava para o exame da 4ª classe. Com o mapa de Portugal à sua frente, a então aluna da primária tentava decorar os nomes e percursos dos rios e linhas de caminhos-de-ferro. O esforço de concentração era muitas vezes interrompido pela imaginação: “eu tinha oito ou nove anos e lembro-me de pensar que um dia iria gostar de conhecer todas aquelas fronteiras” recorda.
Aos 44 anos, Isabel Pessôa-Lopes pôs em prática a fantasia de infância: a 4 de Julho partiu do Padrão dos Descobrimentos e deu a volta a Portugal a pé atravessando toda a costa marítima e terrestre. A viagem começou com a travessia de barco do Rio Tejo até à Trafaria e dali caminhou até ao Cabo Espichel, onde dormiu a primeira noite da sua aventura no farol. Graças a uma autorização especial da Marinha, Isabel conseguiu pernoitar em todos os faróis dos portos fronteiriços marítimos. “Eram um porto seguro ao final de cada jornada de cansaço e não existe nada de mais belo do que assistir de um farol ao nascer e ao pôr-do-sol”, lembra a antiga piloto de aviões Asas de Portugal da Força Aérea.
Do Cabo Espichel seguiu a pé até ao farol de Sagres e depois até ao de Vila Real de Santo António. Na ponta sul, começou a “subida” pela “raia seca, que é a linha fronteira entre Portugal e Espanha”: “Fui de Vila Real de Santo António até ao Parque de Montesinho e depois até Caminha, onde comecei a descer até Moledo do Minho e, depois sempre pela costa Litoral, até Lisboa, onde tinha começado a viagem precisamente 80 dias antes”.
Hoje, depois de dois mil quilómetros percorridos, diz que descobriu vários “mundos” nas fronteiras marítimas e terrestres, onde o contraste entre litoral e interior é “gritante”. A constatação de um “mundo” do interior onde a palavra “povoação” há muito deixou de fazer sentido foi uma das maiores surpresas para a portuguesa que vive há mais de 20 anos no estrangeiro. “O contacto com zonas onde não se pode falar de povoações mas sim de despovoações é incrível. Há zonas onde só me perguntava se o Estado se tinha esquecido daquela gente, que trabalhou toda a vida e está ao abandono e à mercê do vento. Eles não são lembrados por ninguém nem visitados pela família” lamenta.
A caminhante dormiu em povoações onde o habitante mais novo tinha 75 anos, percorreu centenas de quilómetros a pé onde não se via uma escola aberta nem sequer uma criança a brincar. Escolas fechadas ou transformadas em centros de dia, onde também chegou a passar algumas noites, fazem parte do retrato descoberto por Isabel.
Mas também houve momentos “gratificantes”, como a revelação da “bondade” dos bombeiros e da população que Isabel admite terem sido “verdadeiras bóias de salvação, quando as forças já não davam para mais”. A astrónoma diz que descobriu um povo solidário. A caminhante chegou a Lisboa a 21 de Setembro e admite que ainda tem muitas histórias guardadas da aventura que terminou agora.

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