Diáspora açoriana representa 1,5 milhões de pessoas

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Do total de 4,5 milhões de portugueses residentes no estrangeiro, cerca de 1,5 milhões são emigrantes açorianos e seus descendentes. E basta acrescentar que residem nos Açores cerca de 250 mil pessoas, para se ter a noção da importância da diáspora açoriana para o arquipélago. Uma importância vincada pelo presidente do Governo Regional, Carlos César, ao afirmar que as comunidades emigrantes açorianas “são parte da nossa História e extensões da nossa condição contemporânea” e ainda pelo secretário Regional da Presidência, André Bradford, ao apelar às organizações da diáspora açoriana para que participem no “esforço de projecção dos interesses da Região” no exterior.

Os números foi referidos mais do que uma vez no decorrer da 16ª Conferência Internacional Metrópolis que se realizou entre 12 e 16 de Setembro em São Miguel, Açores, para debater as migrações num mundo global.
Os 1,5 milhões de açorianos e descendentes espalhados pelo mundo estão concentrados em grande número no Canada, Estados Unidos, Brasil e ainda nas Bermudas, mas não se pode esquecer pequenas comunidades como a que reside no Uruguai. Só nos últimos 60 anos, emigraram cerca de 200 mil açorianos, que se fixaram maioritariamente no Canadá e Estados Unidos, como destacou André Bradford, secretário regional da Presidência, no encerramento da Conferência que decorreu em Ponta Delgada e que é considerada o maior fórum mundial sobre migrações.
Números que levaram o mesmo responsável a afirmar que a diáspora açoriana “é a maior e a mais distante das nossas ilhas”. “A sua estreita ligação à terra mãe tem um universo social, económico e político muito maior que as fronteiras do arquipélago”, acrescentou. André Bradford defendeu que as responsabilidades do Governo Regional quanto à sua emigração são emocionais mas também políticas, porque as instituições da diáspora “têm sido os principais promotores da ligação” ao Açores.
Nesse sentido defendeu que as Casas dos Açores Canadá Estados Unidos, Brasil e Portugal Continental devem desempenhar funções de “proto-consulados”, funcionando com uma “agenda comum”.
“Tendo surgido inicialmente de forma quase aleatória e com objectivos variáveis de caso para caso, mas genericamente circunscritos à comunidade local e à celebração da memória de terra de origem, as Casas dos Açores são hoje mais actuantes, mais qualificadas e mais conscientes do seu papel de instâncias de representação”, explicou.
André Bradford, revelou que “só no continente americano existem mais de mil organizações açorianas em diversas áreas, espalhadas pelo território do Canadá e dos Estados Unidos” e que se torna necessário “criar ligações” com essas associações que ajudem a intensificar a promoção do Açores nesses países. O secretário Regional da Presidência dos Açores disse ainda que o Governo Regional pretende que as organizações da sua diáspora participem no “esforço de projecção dos interesses da Região” no exterior, para além da preservação da herança cultural do arquipélago.

Emigrantes:
“Capital imprescindível”

Para o presidente do Governo Regional, os emigrantes açorianos são parte da história do arquipélago e um “capital imprescindível” na afirmação dos Açores. “Para nós, as comunidades emigrantes açorianas não são apenas consequência da nossa História e vestígios do DNA açoriano. Elas são parte da nossa História e extensões da nossa condição contemporânea”, destacou Carlos César na abertura da Conferência.
Carlos César recordou as várias vagas migratórias, que no decurso dos últimos 60 anos levaram cerca de 200 mil açorianos da sua terra natal, em consequência “dos atrasos estruturais” do arquipélago e da “falta de perspectivas de um futuro melhor”, sublinhando que esse número representa quase tantas pessoas quantas as que vivem actualmente nas nove ilhas “ao longo de 600 quilómetros no oceano”.
Mas não deixou de referir no seu discurso as outras vagas migratórias: a dos imigrantes de várias nacionalidades que chegam ao arquipélago, considerando ser “positivamente estimulante” que o desenvolvimento dos Açores “seja hoje foco de atracção para outros” e um facto que coloca o Governo perante os desafios inerentes “à condição de local de acolhimento”.
Segundo informações da Direcção Regional das Comunidades, vivem actualmente nas ilhas dos Açores, “pessoas de 86 nacionalidades diferentes”.

Regressados:
Retorno às origens

Mas a partir de meados dos anos 80 do século XX, os Açores começaram a ser terra de regresso para os seus emigrantes. O fenómeno levou recentemente a Direcção Regional das Comunidades a encomendar um estudo sobre o tema. Realizado por Gilberta Rocha, professora e investigadora na Universidade dos Açores, o estudo acabou por dar origem ao livro «Entre dois mundos – emigração e regresso aos Açores», escrito pela docente em co-autoria com Eduardo Ferreira e Derrick Mendes e lançado a 13 de Setembro, em Ponta Delgada, no decorrer da Conferência Internacional Metrópolis.
“A partir de meados dos anos 80 houve emigrantes que começaram a regressar aos Açores, até porque já se vivia melhor aqui”, explicou Gilberta Rocha a O Emigrante/Mundo Português, à margem do lançamento do livro.
A docente e investigadora revelou que “regressaram as gerações que emigraram nos anos 60 e 70, muitos já em idade de reforma”. “A maioria regressou assim que se reformou, pois podiam receber as suas reformas nos Açores, ao abrigo de acordos bilaterais”, disse, sublinhando “a grande ligação entre os emigrantes e as famílias que ficaram nos Açores”, esteve na origem de muitas das decisões de regresso. “Muitos vêm cá visitá-las e começam a pensar em regressar definitivamente.
Quando retornam às suas ilhas, vão trabalhar a agricultura, não por uma questão de subsistência, mas porque era o que a maioria fazia antes de emigrar. E quando regressam, trabalham na agricultura por prazer”, revelou ainda, acrescentando que “até 2007, registavam-se cerca de 200 regressos por ano”.
De acordo com o estudo, foi no período entre meados dos anos 80 e os anos 90 do século passado, que se registou o maior número de regressados. As ilhas de São Miguel e da Terceira acolheram o maior número de açorianos que retornaram ao arquipélago e a maioria tinha 55 anos ou mais. “O regresso é mais importante para as ilhas mais pequenas, como o Faial ou o Corvo, mas por outro lado, enfatiza o envelhecimento nas ilhas, já de si com uma população bastante envelhecida”, conclui.

Ana Grácio Pinto
apinto@mundoportugues.org

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