Carlos Ramalho é um fotógrafo português na Alemanha

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Carlos Ramalho apaixonou-se pelo mundo da fotografia ainda nos tempos de escola. “Comecei a fotografar e percebi que o que fazia era arte. Fui estudando, descobrindo novos truques e passou a ser o meu vício” conta em entrevista ao O Emigrante/ Mundo Português. Em 2000, deixou Portugal e hoje, apesar das saudades do seu país, sente que a sua vida está em Mainz onde formou família e tem muitos amigos.

Carlos Ramalho tinha 18 anos quando deixou Oliveira do Douro (Vila Nova de Gaia) para iniciar a sua vida na Alemanha. Cresceu numa família portista e desde cedo lutou pela sua independência. Deixar Portugal acabou por ser a melhor opção face às dificuldades no seu país. “Vim para a Alemanha porque percebi como Portugal estava a ficar. Não estava a resultar. Tenho família cá desde os anos oitenta e tal. Tenho umas tias minhas e quando tinha 18 anos acabei por optar por vir para aqui” conta em conversa com o Emigrante/ Mundo Português. “Sempre me dei com pessoas mais velhas e talvez por isso sempre soube o que queria. Queria ganhar dinheiro para depois investir em mim, naquilo que gosto” acrescenta.
“Trabalhei sempre na gastronomia. Para se começar a trabalhar aqui o mais fácil é a área da gastronomia, construção civil ou limpezas” avisa Carlos “Comecei por trabalhar num restaurante português mas agora estou num italiano à cerca de oito anos” recorda.
Carlos tem uma grande paixão na vida: fotografar. “Faço isto como hobby. A verdade é que me pedem para fotografar casamentos e baptizados. Também já faço alguns eventos” acrescenta. Apesar de já ser requisitado a verdade é que Carlos não faz da fotografia o seu modo de vida: “não me valia a pena. A verdade é que não conseguia viver como profissional portanto vou fazendo fotografias através das minhas amizades, de pessoas minhas conhecidas”. “É engraçado porque a maior parte das pessoas junta dinheiro para alimentar o seu hobby. Eu faço o contrário: tento alimentar o meu hobby com o dinheiro que vou fazendo com a fotografia.” acrescenta.
A paixão pela fotografia já vem dos tempos de escola. “Depois comecei a fotografar e a perceber que o que fazia era arte. Fui estudando, descobrindo novos truques e passou a ser o meu vício. Hoje já tenho material de topo e já faço isto como uma actividade como qualquer outro fotógrafo profissional” afirma.
Percebeu que fotografar podia ser uma actividade séria quando descobriu o poder de uma fotografia: “ a fotografia é uma coisa que permanece imortal. É um segundo. Se quiseres voltar a fazer já não consegues. Tirar a fotografia certa é uma sensação única”.
Carlos gosta de viver na Alemanha, apesar das saudades do seu país. Quando chegou a língua foi o seu principal obstáculo. “Sempre falei melhor espanhol e inglês (risos)” começa por contar. “No princípio precisava da minha família mas depois fui-me habituando e hoje já me safo bem”.
“A mentalidade alemã é em algumas coisas melhor que a portuguesa. A nível de funcionamento das coisas, as coisas correm muito mais depressa. Infelizmente, tenho que dizer isto, em Portugal as coisas demoram uma eternidade. Estou tão habituado a esta agilidade que ás vezes nem me imagino a viver em Portugal” refere. Mas o regresso não está posto de parte no futuro. “A minha mãe bem queria mas se voltar não será no imediato. Eu tenho uma filha pequena e aqui o sistema de saúde funciona muito melhor. A minha vida agora está dependente do que é melhor para ela. Para já fico cá!” desabafa. Sempre que pode visita Portugal nas férias. “Tenho saudades. Acho que é normal” admite.
Hoje, conta com alguma preocupação, “a maior parte dos portugueses que chegam à Alemanha agora têm como objectivo ganhar dinheiro para pagar a casa e o carro. A verdade é que a crise em Portugal obriga a que as pessoas optem por emigrar”. “Chegam a vir famílias inteiras” acrescenta. “Nota-se que estão a chegar mais portugueses. Conheço alguns portugueses que por causa do fecho de algumas fábricas em Portugal foram obrigados a emigrar. Isso preocupa-me e por agora nem penso regressar” admite.
Carlos vive na Alemanha com a sua mulher Sofia e a sua filha Jéssica. E admite que quer que a sua filha fale também português. “Como a minha mulher também é portuguesa ela já fala português também. Fala alemão claro mas ela própria já diz algumas coisas em português. Eu quero que ela também saiba falar a nossa língua. Mas não me preocupo muito: as crianças aprendem com muito mais facilidade e portanto acho que a Jessica vai saber falar alemão e português” diz.
Ana Rita Almeida
ralmeida@mundoportugues.org

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