Um passeio pelo Pinhal Interior…

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A Volta a Portugal desta semana visita localidades que nasceram e se desenvolveram nas margens de importantes rios, nomeadamente o Zêzere, de ribeiras como a de Isna, Sertã e Oleiros. Visitámos o Centro Geodésico de Portugal e provámos uma gastronomia única…

É provável que não encontre esta «viagem» nos habituais roteiros. É um passeio pelo interior de Portugal, em regiões classificadas como pobres, mas de uma grande riqueza paisagística, onde a natureza se encontra no seu máximo esplendor, numa área que vai de Abrantes a Pedrogão Grande, passando por locais tão interessantes como Vila de Rei, Sertã, Oleiros, e terminando na Barragem da Bouçã.
Esta região, das Beiras, hoje denominada Pinhal Interior, encerra no seu interior uma riqueza paisagística deslumbrante, uma gastronomia única, em que o Maranho e o Cabrito reinam, já que os povos que  aqui se fixaram há séculos e devido à pobreza agrícola, viram na criação de gado caprino e ovino uma forma de vida, sabendo tirar proveito em confeccionar estas carnes.
Por esta região, só agora as modernas vias de comunicação começam a chegar. Num percurso de 120 Km, ao qual aconselhamos que dedique dois dias, almoce e jante da gastronomia local, visite museus em Vila de Rei, o centro Geodésico de Portugal, as igrejas, as praias fluviais das ribeiras de Isna, Sertã e Oleiros o Zêzere e as suas albufeiras, aldeias históricas. E encontre um povo simples, trabalhador, amigo do seu amigo, que franqueia a casa ao visitante e que nos faz sentir em família. Certamente que já não haverá muitos lugares assim. Venha daí e parta à descoberta do Pinhal Interior…

Vila Rei – Centro geodésico

Vila de Rei situa-se precisamente no centro geodésico de Portugal continental e integra a Zona do Pinhal Interior Sul. Pertence ao distrito de Castelo Branco (limite sul do distrito) e à diocese de Portalegre e Castelo Branco.
A norte, a ribeira da Isna faz a fronteira com o concelho da Sertã. A Oeste, o rio Zêzere e a Albufeira do Castelo de Bode separam-nos de Ferreira do Zêzere. A Sul é a ribeira do Codes e a mesma Albufeira que estabelecem a linha de fronteira com o Sardoal e Abrantes. A Este encontramos o concelho de Mação.
Tem uma superfície de 193km2 e cerca de 4000 habitantes. Vila de Rei está presentemente servida de bons acessos rodoviários qualquer que seja a procedência dos seus visitantes. Contudo, e para quem vem do sul, aconselha-se a auto-estrada Lisboa – Porto (A1) até Torres Novas. Depois a A23 que tem saída directa para Vila de Rei através do excelente traçado do EN2.
A cerca de de 2 km encontra-se o Centro Geodésico de Portugal, na Serra da Melriça. No alto desta serra, encontra-se construído um marco com cerca de 20 metros de altura, denominado de “Picoto”, marcando assim o Centro a nível de coordenadas geodésicas. Vila de Rei recebeu foral de Dom Dinis em 1285.  A Câmara Municipal de Vila de Rei organiza anualmente a Feira de Enchidos, Queijo e Mel.

Museu Geodésia

Ao lado do Picoto da Melriça, no Centro Geodésico de Portugal, encontra-se o Museu da Geodesia, único no país. O Museu da Geodesia, inaugurado em 2002 no âmbito de uma parceria entre o Instituto Geográfico Português (IGP) e a Câmara Municipal de Vila de Rei, veio preencher uma lacuna relacionada com o importante legado histórico e científico deixado por grandes nomes de cientistas portugueses que trabalharam em prol da modernização geodésica nacional.
O vértice em alvenaria da Melriça, situado a 592 metros de altitude, é uma das primeiras pirâmides geodésicas do país, tendo estado na origem do sistema de coordenadas geográficas associado ao Datum 73, o sistema de referência nacional. Foi Francisco António Cieira quem escolheu o topo desta serra como um dos pontos da triangulação fundamental em Portugal. Os trabalhos arrancaram em 1790, mas foram interrompidos treze anos depois devido às invasões francesas. As primeiras observações tendo em vista a triangulação do local seriam feitas em 1870, enquanto que as observações astronómicas de latitude, longitude e azimute, bem como as primeiras observações por satélite no picoto da Melriça se realizaram nas décadas de 1960 e 70. Em 1982 procedem-se a observações de distância integradas num poligonal norte-sul, usando-se pela primeira vez, já no início dos anos de 1990, o sistema de posicionamento global GPS.
Já no interior do museu, ao qual se acede por uma passadeira de metal, e atravessando um corredor de vidro de onde se avista o picoto, entramos na sala de exposições, onde estão os painéis que constituem a exposição permanente. O espaço integra ainda uma zona de venda de produtos alusivos ao museu e ao concelho, um bar e um pequeno auditório multimédia. 

Sertã

O Concelho da Sertã situa-se na região Centro de Portugal, Distrito de Castelo Branco. Berço de homens tão notáveis como D. Nuno Alvares Pereira, Gonçalo Rodrigues Caldeira, António Lopes dos Santos Valente e Padre Manuel Antunes. As suas origens históricas remontam ao terceiro milénio A.C. Os primeiros sinais de povoamento são-nos dados pela existência de antas. No primeiro milénio A.C. existem vários testemunhos de castros – Santa Maria Madalena, em Cernache do Bonjardim e Nossa Senhora da Confiança, em Pedrógão Pequeno. Da mesma época, encontramos nos dias de hoje, manifestações artísticas gravadas na rocha – Fechadura, na freguesia do Figueiredo e Lajeira, na freguesia da Ermida.
Conta-nos a lenda que nos tempos de Sertório, a fortificação foi atacada pelos Romanos, tendo morrido na refrega um corajoso Lusitano, cuja mulher, de seu nome, Celinda, ao ter conhecimento da sua morte, e estando a fritar ovos numa sertã (frigideira), despejou o azeite a ferver sobre o inimigo que assim se viu impedido de tomar de assalto a fortaleza.
E para memória de tal façanha se deu o nome de SERTÃ à vila, sede de Concelho.
Alguns historiadores defendem que o foral foi concedido pelo Conde D. Henrique, então senhor de todas as terras no interior da Beira, em 9 de Maio de 1111, após ter procedido a reedificação da Vila e do seu castelo. Em 1165, D. Afonso Henriques doou esta região à Ordem dos Templários. Em 1174, foi entregue à Ordem dos Hospitalários, por D. Sancho I.
Em 20 de Outubro de 1513, D. Manuel I concede novo foral declarando expressamente que é dado à Sertã, “por inquirições e justificação, em razão de não aparecer o antigo”. Destacam-se as vilas de Cernache do Bonjardim e de Pedrógão Pequeno, e em termos arquitectónicos relevam-se os Paços Bonjardim, em Cernache do Bonjardim, onde nasceu D. Nuno Álvares Pereira e as Igrejas do Seminário das Missões e Matrizes da Sertã, Cernache do Bonjardim e Pedrógão Pequeno.
No século passado, o Concelho foi contemplado com o privilégio de desfrutar das potencialidades de três grandes albufeiras de barragens que regularizaram o impetuoso rio Zêzere: Cabril, Bouçã e Castelo do Bode.
De uma raridade preciosa é a gastronomia deste Concelho. As iguarias mais conhecidas são o maranho, o bucho recheado e a sopa de peixe, mas os enchidos, o peixe do rio, a broa de milho, os cartuxos de amêndoa, os coscorões, as merendas doces, os queijinhos de cabra, o queijo fresco e a aguardente de medronho são igualmente de relevar.

Castelo da Sertã

Segundo a lenda, o castelo da Sertã teria sido fundado por Sertório, capitão romano, em 74 a.C.. As escavações arqueológicas efectuadas no local datam a sua ocupação inicial do período islâmico (séculos X/XI). No seu recinto, ergue-se a capela de S. João Baptista, primeira Igreja Matriz da vila, datada do século XVII, construída sobre a primitiva igreja medieval. Reza a lenda que o castelo da Sertã foi atacado por soldados romanos. Neste ataque ficou ferido de morte o capitão do castelo. Celinda, sua esposa, que estava frigindo ovos numa sertã, ao saber do sucedido, insurgiu-se sobre os atacantes, matando alguns e cegando outros com o azeite a ferver, salvando, deste modo, o castelo. Esta lenda estará na origem do concelho.

Olhar sobre Oleiros

Numa viagem pela Beira Baixa, este é um dos mais bonitos concelhos de Castelo Branco. Com serras verdejantes a perder de vista, é a paisagem que nos oferece um local absolutamente paradisíaco. Há sempre qualquer coisa de poético na origem do nome de uma terra e Oleiros não é excepção. Na origem da sua toponímia estará, muito provavelmente, o facto de na região existirem muitas fontes, nascentes. O nome Oleiros derivará de “olleiros” ou olhos d’água.
O concelho tem bem presente este nome, com toda a sua beleza reflectida no sussurrar de águas cristalinas. Ribeiras e ribeirinhas encaminham-se para o rio Zêzere que estabelece uma das fronteiras do concelho. As excelentes águas de Oleiros são também responsáveis pela rica e famosa gastronomia que é possível saborear por estas paragens, uma vez que nelas crescem deliciosas trutas. Pescá-las já é um prazer; cozinhá-las, é só imaginação.
Muitos gastrónomos são atraídos a esta região para degustar o exclusivo cabrito estonado, os maranhos, o bolo de mel, as almôndegas de lebre, as favas à moda de Oleiros ou o achigã frito (proveniente do Zêzere). O vinho Calum, proveniente de uma casta única que se estabelece na região, é o acompanhante por excelência do cabrito estonado, sugerindo-se que seja servido bem fresco. Como digestivo, refira-se o sabor requintado da aguardente medronheira. Perdido entre serranias, Oleiros manteve-se fiel às suas tradições, à sua maneira de viver e de ver os horizontes. Terra de gente afável e hospitaleira, deu ao Mundo filhos ilustres que enchem de orgulho o concelho que os viu nascer. Em 1581, nasce nesta vila o Padre António de Andrade, um padre jesuíta que surpreendeu o mundo ao revelar a existência dos reinos do Tibete. Foi o primeiro europeu a entrar nas terras do Dalai Lama, chegando onde nenhum outro tinha chegado antes. Ali funda a sua missão em 1634. 
Terra de soutos e carvalhais, por aqui andou el-Rei D. Carlos I em caçadas, mais precisamente na zona da Isna, terra com forte tradição cinegética. Nesta povoação existe uma rua com o seu nome, atestando a estadia real, assim como um fontanário mandado construir por sua majestade a pedido das mulheres da localidade: a “Fonte das Mulheres”. É das mãos das emblemáticas mulheres da Isna que ainda hoje de produz uma broa de milho única, com uma digna história de vários séculos para contar e que se prepara para ser certificada. A fé e as lendas de outrora inspiraram tecedeiras que aproveitavam o linho da região para dar origem a toalhas e colchas de uma beleza sem igual.
As peças de linho aqui fabricadas são das mais perfeitas do país. O artesanato, assim como os genuínos produtos locais, são só alguns dos atractivos para realizar a Rota das Montanhas, um itinerário por estrada que vem complementar os percursos pedestres existentes e a Grande Rota do Zêzere.
Integrando o Geopark Naturtejo, no concelho encontram-se ainda importantes monumentos geológicos, ilustrados por paisagens arrebatadoras, que juntamente com os fósseis existentes retratam a História do Planeta nos últimos 600 milhões de anos.
Para além das apetecíveis praias fluviais, as aldeias típicas em xisto não deixam ninguém indiferente. A “mui nobre villa de Álvaro”, estendendo-se ao longo de uma crista sobranceira ao Rio Zêzere, parece o centro de gravidade de uma paisagem imponente que nos atrai desde o primeiro instante. O rio meneando as suas curvas por entre vales profundos e verdejantes é só o prólogo para uma viagem de descoberta por todos os “azimutes do lazer”.
A villa de Álvaro, avistada do alto da magistral paisagem que a circunda, parece uma alva muralha que guarda a passagem do rio. Esta é uma das Aldeias do Xisto em que o casario é maioritariamente rebocado e pintado (estando o xisto na base da sua construção), o que atesta que esta já foi uma mui nobre “villa” e sede de concelho, um estatuto herdado da sua história por onde passaram visigodos, romanos e que foi uma importante base para a Ordem de Malta.

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