Canadá: Embaixador e cônsul contra escola especial para alunos portugueses

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O embaixador de Portugal no Canadá e o cônsul português em Toronto manifestaram-se contra a ideia de criação de uma escola especial para alunos portugueses. Pedro Moitinho de Almeida e Júlio Vilela defendem que o espaço será um “gueto linguístico”.

A possível criação da escola especial para alunos de origem portuguesa – que teria como objectivo ajudar a combater a taxa de abandono escolar – foi anunciada, em meados de Março, na imprensa diária de Toronto por Maria Rodrigues, uma administradora escolar portuguesa («trustee») da direcção escolar do ensino público de Toronto (o TDSB – Toronto District School Board).
A ideia de uma escola para alunos de origem portuguesa surgiu após a divulgação do último relatório do TDSB, que enumera na lista das conclusões, e como parâmetro reincidente, que os alunos que “falam português, espanhol ou somali em casa” figuram entre os que certamente não terminarão os seus estudos secundários.
No período 2004-2009, segundo o relatório, só 66 por cento do total de 103 alunos no 9.º ano que falam português concluíram o liceu, refere a Lusa. Trata-se da segunda pior taxa de graduação da TDSB, a seguir aos alunos falantes de somali (67,5%) e antes dos de espanhol (57,8%).

Dados são «incompletos»

O embaixador de Portugal no Canadá, Pedro Moitinho de Almeida, explicou que a mediatização de dados sobre o insucesso escolar de alunos de origem portuguesa originou “uma tentadora atribuição de uma etiqueta de conotação negativa à comunidade (portuguesa) em geral”.
O embaixador frisou à Agência Lusa que “não é possível aferir com rigor qual a verdadeira situação do abandono escolar de alunos de origem portuguesa em Toronto, no Ontário ou no Canadá”, por não existirem estudos com dados completos e aprofundados.
Por seu lado, o cônsul português em Toronto, Júlio Vilela, reconhece que possam existir problemas de desempenho escolar por parte de alunos de origem portuguesa, mas salientou à Lusa que “não é pela via de criação de um gueto linguístico que se melhora o desempenho escolar dos alunos. É pela via da integração”.
“Não tenho a informação de que tal projecto exista. O que há actualmente é um grupo de trabalho criado e que por nossa sugestão irá incluir a Coordenação do Ensino de Português (no Canadá), o qual irá avaliar a situação, ver o que está na origem do problema e sugerir medidas que podem ser tomadas a médio prazo”, asseverou Júlio Vilela.

Críticas da comunidade

Junto da comunidade portuguesa, o projecto recebe igualmente duras críticas. O mais antigo administrador escolar português no Canadá, Eduardo Viana, considerou que “não é uma boa ideia separar os alunos e vai prejudicar a imagem da comunidade portuguesa”.
“Na nossa comissão escolar (Halton-Oakville) temos 30 mil estudantes, dos quais cerca de cinco mil de origem portuguesa e felizmente não temos portugueses com necessidades especiais de ensino por mau aproveitamento escolar”, disse.
Nellie Pedro, que foi administradora escolar no TDSB de 2000 a 2003, manifestou-se contra a ideia, contestando, desde logo, o critério baseado na etnicidade utilizado pelo TDSB para fazer o estudo. “As notícias sobre esse estudo só têm o efeito de rotular todas as crianças de origem portuguesa, com a mensagem de que não vale a pena investir nelas pois já se sabe que irão falhar. Esquece-se até que elas são canadianas”, disse.         
A Lusa tentou falar com Maria Rodrigues, que não esteve disponível para qualquer resposta.

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