Fundo Monetário Internacional “toma conta” de Portugal

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Uma equipa de técnicos do Fundo Monetário Internacional, do Banco Central Europeu e da Comissão Europeia estão em Portugal para analisar em pormenor as contas públicas e apresentar um plano de resgate.

À porta do Ministério das Finanças, em Lisboa, um elemento não identificado do Banco Central Europeu afirmava que se iriam iniciar “discussões muito técnicas”, abordando “uma base alargada de temas”. Foi na semana passada.
Vários membros da missão técnica das três instituições que negoceiam o apoio financeiro com Portugal – a saber: Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia – entraram uma tarde no Ministério das Finanças, recusando identificar-se e fazer comentários aos jornalistas presentes. São estes senhores incógnitos que vão decidir o futuro próximo financeiro e económico  de Portugal. O futuro político, esse, será decidido em eleições legislativas a 5 de Junho.
O único elemento da equipa que falou aos jornalistas, identificando-se apenas como um membro do Banco Central Europeu, afirmou que os técnicos iriam começar as discussões técnicas.
A última semana foi passada a ultimar pormenores. Portugal pediu ajuda financeira, e ela chegará com um preço a pagar. Em troca de dinheiro, emprestado a um juro inferior àquele que Portugal conseguiria nos mercados financeiros, os países e entidades que emprestam esse dinheiro impõem as suas condições.
Austeridade, austeridade, austeridade. Estas são as palavras de ordem das economias que tiveram necessidade de pedir intervenção do Fundo Monerário Internacional, e em Portugal não será diferente. Depois de acordado o plano de resgate – o montante a disponibilizar e as medidas a aplicar pelo país –, uma equipa das três instituições que referimos no início deslocar-se-à a Portugal 3 ou 4 vezes por ano para assegurar que o plano está a ser cumprido.

Economia já está em contracção

A economia portuguesa deverá registar uma contracção de 1,1 por cento este ano, tendo apresentado uma quebra de 0,2 por cento no primeiro trimestre do ano, indica a Universidade Católica, sublinhando que Portugal já está em recessão técnica. De acordo com a folha trimestral de conjuntura do Núcleo de Estuduos de Conjuntura da Universidade Católica (NECEP), esta estimativa representa um desempenho da economia “algo melhor que o esperado”, pelo menos até Março, tendo em conta as medidas incluídas no Orçamento do Estado para 2011 e o atual contexto financeiro.
A explicar este desempenho estão, segundo os autores do es-tudo, o bom desempenho das exportações e uma melhoria ines-perada do investimento.
A entidade, liderada pelo economista João Borges de Assunção, explica no entanto que em Março verificou-se “um agravamento substancial de alguns indicadores”, naturalmente associados às mudanças na cena política, e na situação financeira e orçamental do país, e que este agravamento não estará completamente refletido nas estimativas agora apresentadas, assumindo que haverá “necessidade de medidas adicionais de redução do défice para 2011 e 2012, bem como maior rigor na execução” dos objetivos orçamentais.
Assim, o NECEP prevê uma recessão na ordem dos 1,1 por cento este ano (anterior projeção era de 0,8 por cento) e de 1 por cento em 2012, estimando ainda “num exercício ainda meramente indicativo” que o recurso a ajuda externa leve a uma contração de 1,4 por cento do Produto Interno Bruto este ano e de 2,2 por cento em 2012.

Um problema europeu

O director do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Khan, diz que a União Europeia está abordar de maneira “fragmentada” e ineficaz a crise da dívida soberana europeia, que se estendeu da Grécia à Irlanda e a Portugal.
“Estamos a defender no FMI, há pelo menos há seis meses, que é preciso um plano mais abrangente no lado europeu. Que a abordagem fragmentada de lidar um dia com taxas de juro e outro dia com outra coisa qual-quer não está a funcionar bem. Muita coisa tem de ser implementada e ainda estamos à espera que isto apareça realmente”, disse o responsável máximo do FMI.
Entretanto, a ministra do Trabalho defendeu que as previsões do mesmo FMI, de aumento do desemprego para Portugal, não devem assustar, mas antes motivar a agir na procura de soluções que ajudem os desempregados a regressar ao mercado de trabalho.
“O desemprego em Portugal tem tido aumento no último ano e não nos podemos assustar. Temos de agir e temos de encontrar soluções para apoiar o regresso das pessoas ao mercado de trabalho e é isso que estamos a fazer”, defendeu Helena André.
Na semana passada, o Fundo Monetário Internacional divulgou o seu relatório “Panorama Económico Global”, em que as previsões para Portugal apontavam que será a única das economias periféricas da zona euro em recessão no próximo ano, com um crescimento contínuo da taxa de desemprego para os 12,4 por cento em 2012.
Nesse sentido, a ministra apontou que os números do FMI fazem o Governo agir. “Agir na necessidade de continuarmos a qualificar estas pessoas para que elas possam num momento de retoma económica aumentar a sua capacidade de voltar ao mercado de trabalho”, apontou.

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