Fado é tema de mega produção de La Feria

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“O fado nasceu um dia, quando o vento mal bulia e o céu o mar prolongava, na amurada dum veleiro, no peito dum marinheiro.” As palavras do poeta José Régio ecoam na abertura de «Fado, História de Um Povo», o novo espectáculo de Filipe La Féria que se estreou no dia 9 de Julho, no Casino Estoril.

Este era um sonho antigo de La Féria. “Quando me convidaram a fazer o Passa por Mim no Rossio, o que eu queria era fazer a história do fado, não era a história da revista”, diz o encenador. A oportunidade surgiu agora com o convite de Mário Assis Ferreira, administrador da Estoril Sol, para criar um espectáculo “genuíno” para o Salão Preto e Prata do Casino Estoril. O resultado é uma “megaprodução imprópria para tempos de crise”, como é costume em La Féria, mas que, promete, será “bastante diferente” das anteriores produções.
A história do fado é contada cronologicamente – desde o regresso da corte portuguesa do Brasil, trazendo a influência da modinha e do lundum, passando pela lenda da Severa, pelas casas de fado, pelo 25 de Abril, até aos nossos dias. E há também quadros dedicados a “algumas figuras extraordinárias”, como Amália, Hermínia Silva, Alfredo Marceneiro, Maria Teresa de Noronha, Fernando Maurício. Há outros quadros mais simbólicos, como aquele que é dedicado ao “anjo da morte” e a toda a melancolia que está associada ao fado.
Este é um espectáculo que fala de Portugal e da alma portuguesa, diz La Féria. Porque o fado se confunde com a história do povo português. Mas deixa o aviso: “Não é um espectáculo revivalista nem será uma sucessão de fados. É um musical, com músicas originais, algumas das quais da minha autoria. As pessoas não podem vir à espera de ouvir os fados conhecidos. Haverá alguns fados incontornáveis e haverá homenagens, mas não haverá imitações”, garante.
Henrique Feist, um dos intérpretes principais, a par de Alexandra, Liana Costa e Gonçalo Salgueiro, Paula Sá e Inês Costa revelam a história do fado de forma artística e não documental. Neste espectáculo a imaginação de Filipe La Féria foi mais longe do que a mera reconstituição das raízes do Fado. O espectáculo corporiza, é certo, essa viagem às origens, esse regresso ao presente, essa antecipação às tendências, tão magistralmente retratadas na sua dedicatória final ao “renascer” do espírito de Amália, vertido, também, no vanguardismo conceptual do “Novo Fado”. Num Salão Preto e Prata que habitualmente só serve jantares e espectáculo de seguida e com uma plateia que reduz o número de mesas para jantar, há a  possibilidade de jantar ás 20 horas e de seguida ver o espectáculo às 21h30, ou, só espectáculo onde actuam 80 intérpretes: bailarinos, orquestra conduzida por Mário Rui e um grupo de actores e cantores. Estamos perante outro sucesso como Amália? Cabe aos espectadores a última palavra…
António Freitas

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