Angola: Uma porta aberta para a África Austral

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O Banco Mundial colocou a economia angolana no sétimo lugar entre os vários países do continente africano e, este ano, o Produto Interno Bruto de Angola deverá registar um aumento 8,8 por cento, de acordo com o instituto de análise económica, Economist Intelligence Unit (EIU). As elevadas taxas de crescimento que a economia Angola tem vindo a apresentar, despertaram nos últimos anos o interesse de vários países, mas Portugal ainda é um parceiro privilegiado de Angola: recuperou em 2007 o lugar de principal fornecedor de bens e serviços para um mercado que já ascendeu a principal destino de exportações portuguesas fora da União Europeia, tendo representado em 2008 e 2009, um montante superior a 2 mil e 200 milhões de euros, segundo um estudo de mercado elaborado pela Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP). Foi este país que recebeu na semana passada a visita oficial do Presidente da República. Aos empresários portugueses que o acompanharam, Cavaco Silva lembrou que para além do enorme potencial do seu mercado, Angola pode funcionar como “plataforma de acesso aos países da África Austral”…

O país que é já o principal destino das exportações portuguesas fora da União Europeia, recebeu na semana passada um grupo empresarial português que reuniu mais de 135 empresários. Chegaram a Angola integrados na comitiva que acompanhou o Presidente da República, numa visita de Estado de quatro dias com uma forte vertente económica. Cavaco Silva pretende que a visita resulte no reforço da parceria estratégica que defende para os dois países.
Um estudo de mercado divulgado este mês pela Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), Angola é já o principal destino de exportações portuguesas fora da UE, que geraram para aquele país, em 2008 e 2009, um montante superior a 2 mil e 200 milhões de euros. Números que posicionam ainda o gigante africano “em 4º lugar no ranking dos clientes, depois de Espanha, Alemanha e França”.
De acordo com o estudo «Angola – Dossier de Mercado», as elevadas taxas de crescimento da economia angolana nos últimos anos, resulta principalmente “do estabelecimento de um clima de paz no país, do bom desempenho do sector petrolífero, impulsionado em simultâneo pela alta dos preços internacionais e pelo aumento da produção, e ainda pela eficácia da estratégia de estabilização económica posta em prática pelas autoridades angolanas”.
Dados do Economist Intelligence Unit (EIU) – o instituto de análise económica associado à revista «The Economist» – indicam que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2007 foi de 21,1 por cento. Sofreu um declínio a partir de 2008, mas ainda assim a taxa de crescimento é uma das mais elevadas a nível mundial – 13,4 por cento. E foi com base no PIB angolano de 2008, que o Banco Mundial classificou a economia de Angola em sétimo lugar entre os vários países do Continente Africano, tendo à sua frente apenas a República da África do Sul, a Nigéria, a Argélia, o Egipto, a Líbia e Marrocos.
A economia angolana pareceu ter escapado a alguns dos principais “canais de transmissão da crise”, como a exposição do sistema financeiro, o colapso dos fluxos de financiamento externo e a redução abrupta do comércio internacional, refere ainda o estudo da AICEP. Mesmo assim, não terá ficado totalmente imune aos «ventos» da crise económica que atingiu os países um pouco por todo o mundo. Para 2009 o EIU estima que o PIB tenha sofrido um crescimento negativo (-0,3 por cento), com os consumos e o investimento a decrescerem fortemente, assim como o investimento, ao mesmo tempo que o saldo do sector público diminui, a dívida externa aumenta e o saldo da balança corrente torna-se negativo. “Foi reconhecido que 2009 foi um ano difícil, de «bastantes incertezas», afectando o crescimento económico do país, ano em que também houve um corte na extracção do petróleo, imposto pela OPEP, bem como a continuação do seu preço em baixa e, consequentemente, menores receitas”, lê-se no documento.
O Governo avançou então com o Plano de Desenvolvimento Económico e Social de Médio Prazo, 2009-2013, que dá especial atenção à evolução do preço do petróleo no mercado internacional devido ao seu impacto sobre a economia angolana. Os «ajustes» económicos que realizou, aliados à evolução da conjuntura internacional, fazem prever que grande parte dos indicadores revele melhorias significativas, nomeadamente em termos de PIB: de acordo com o EIU, este deve registar um aumento 8,8 por cento em 2010.

737 milhões de dólares em investimento

Entre 2004 e 2008 Angola recebeu 46,8 mil milhões de dólares de investimento directo estrangeiro, refere o dossier de mercado elaborado pela AICEP. Mais de cem projectos de investimento estrangeiro foram aprovados nos últimos anos no país, atingindo uma verba superior aos 737 milhões de dólares, informa a Embaixada de Angola em Portugal.
De acordo com os dados mais recentes do International Trade Centre (ITC), o aumento na aquisição de petróleo por parte da China levou o país asiático a ultrapassar os Estados Unidos como principal destino das exportações angolanas (35,4 por cento do total), em 2008.
“A União Europeia (UE27), no seu conjunto, representou cerca de 13 por cento das exportações (de Angola) em 2008, destacando-se como principais clientes a França (3º lugar), a Holanda (8º), o Reino Unido (10º) e a Alemanha (11º). Portugal ocupou o 12º lugar do ranking de clientes, em 2008, com uma quota de mercado de 0,95 por cento, sendo que no ano anterior detinha uma quota de 1,24 por cento. No contexto da UE, Portugal está em quinto lugar. Verifica-se que o petróleo representa a totalidade ou grande parte das exportações angolanas para os seus principais países clientes”, lê-se no dossier de mercado.

Principal destino das exportações portuguesas

Portugal recuperou em 2007 o lugar de principal fornecedor de Angola – posição que tinha perdido nos três anos anteriores a favor da Coreia do Sul (em 2004 e 2005) e para os Estados Unidos (em 2006) – e detém actualmente uma quota de mercado superior a 18 por cento. Uma história comum e a comunicação facilitada pelo uso da mesma língua permitem às empresas portuguesas encontrarem em Angola, um mercado privilegiado.
Prova disso é o facto de Angola ter sido, nos dois último anos, o principal destino das exportações portuguesas fora da União Europeia. Para além dos bens, Portugal alargou a sua oferta à formação profissional, aos serviços e à área das tecnologias de informação e comunicação. O estudo «Angola – Dossier de Mercado» destaca ainda que as empresas portuguesas “olham para Angola como um mercado cada vez mais fragmentado, onde as cidades do Huambo, Benguela e Lobito se assumem como hipóteses claras de negócios, a par de Luanda”. O mesmo documento aponta para três tendências da actual presença portuguesa no país – o aumento do investimento e das transacções de bens e serviço; o alargamento dos sectores em que Portugal está presente; a diversificação de mercados, com a realização de negócios em outras cidades para além da capital.
Em 2009, as máquinas e aparelhos foram os produtos portugueses mais exportados para Angola (29,8 por cento do total), seguidos dos produtos alimentares (13,6 por cento), os metais comuns (13,2 por cento) e os veículos e outro material de transporte (9 por cento).
Dados do Instituto nacional de Estatística (INE), citados pela AICEP indicam que o número de empresas portuguesas que exportam para Angola tem vindo a aumentar: em 2004 eram 7.336 e quatro anos depois foram contabilizadas 10.130.
O estudo elaborado pela AICEP conclui que a presença portuguesa na economia angolana “é dominante”, tanto em termos de exportação, como no investimento e ainda na participação nacional em empresas angolanas. Mas alerta para o facto desta ser uma posição “ameaçada pela crescente presença chinesa, brasileira, sul-coreana e espanhola”, entre outras.

O PAÍS DO PETRÓLEO, DOS DIAMANTES E NÃO SÓ…

A atracção dos investidores estrangeiros por Angola deve-se sobretudo às riquezas existentes em petróleo e outros recursos naturais. Nas actividades não petrolíferas, o interesse recai na reabilitação das infra-estruturas.
O sector do petróleo representa perto de 60 por cento do produto interno bruto e 98 por cento das exportações, revela uma informação disponibilizada no site da Embaixada de Angola em Portugal. O governo deverá “introduzir novas concessões de impostos e novas isenções de taxas na exportação de produtos refinados em benefício das companhias petrolíferas que operam a partir de Angola, de forma a incentivá-las a realizar mais investimentos”, acrescenta.
A produção de diamantes é o segundo sector mais importante da economia do país e estende-se praticamente por todo o território angolano, ainda que as zonas diamantíferas por excelência sejam a Lunda Norte e a Lunda Sul. Angola é uma das mais importantes fontes de gemas de diamantes, sendo o 4º maior produtor mundial em termos de valor (10,5 porcento da produção mundial) e o 3º maior no continente africano, atrás do Botswana e da África do Sul. Devido à instabilidade provocada pelos anos da guerra, Angola nunca explorou os diamantes utilizando modernas técnicas. Por isso, o território pode ser considerado actualmente como uma das mais promissoras áreas para a prospecção de diamantes, a nível mundial.
Para além dos diamantes, o território angolano tem depósitos de numerosos minerais, como ferro, estanho, ouro, fosfatos, manganês, cobre, chumbo, zinco, volfrâmio, berilo, vanádio, titânio, crómio, berilo, caulino, quartzo, gipsita, tungsténio, mármore e granito. Apenas uma pequena parte destes recursos se encontra completamente avaliada.
Angola é também um dos países mais ricos de África, ao nível da agricultura. Antes da independência, era auto-suficiente em grande parte das colheitas e um importante exportador, particularmente de café e sisal. Entretanto, a produção diminuiu drasticamente e grandes quantidades de alimentos passaram a ser importados. As colheitas tradicionais de subsistência são a mandioca, o feijão e a batata-doce, no norte, o milho nas províncias do centro, e o milho e o sorgo, no sul, zona mais árida. Outras colheitas incluem banana, arroz, cana-de-açúcar, óleo de palma, algodão, café, sisal, tabaco, girassol, citrinos e outras frutas, bem como numerosos vegetais.
Um projecto que visa o desenvolvimento rural e a dinamização das trocas comerciais entre o campo e a cidade deverá começar a ser brevemente implementado na Huíla, pelo Ministério do Comércio. A agricultura é considerada como a base para a redução da pobreza e os métodos utilizadas para o seu desenvolvimento têm por fim conter a insegurança alimentar.

Ana Grácio Pinto
apinto@mundoportugues.org

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