Prémio Empreendedorismo na Diáspora galardoou empresário português em França

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Isidro Fartaria chegou a França há 48 anos. Hoje preside um grupo que reúne 11 empresas e que começou a tomar forma em 1981, quando criou a Labo Centre France, uma fábrica que produz e distribui produtos químicos para a construção civil. A holding, de que é presidente e director-geral, emprega actualmente 470 trabalhadores, muitos dos quais luso-descendentes. “São filhos e netos de portugueses, jovens com formação superior”, revelou a O Emigrante/Mundo Português pouco depois de ter sido agraciado com o Prémio Empreendedorismo Inovador na Diáspora Portuguesa, instituído pela Cotec-Portugal com o alto patrocínio do Presidente da República.

Em 1996, Isidro Fartaria alargou o grupo a Portugal ao criar a Labo Portugal, próximo de Santa Catarina da Serra, terra onde nasceu. Uma empresa que emprega 70 pessoas e que para Isidro Fartaria deverá ser o ponto de partida para a distribuição dos produtos em novos mercados. Este espírito empreendedor, que o faz ser um empresário de renome em França, mas que o levou também a o investir no seu país natal, está na génese da sua escolha para receber o galardão este ano.
A terceira edição do Prémio Empreendedorismo Inovador na Diáspora Portuguesa recebeu 81 candidaturas de empresários portugueses com idades entre os 29 e 91 anos, oriundos de 26 países e que actuam numa diversidade de sectores, destacando-se o empresarial e financeiro, a investigação e ciência, a restauração, o turismo e o empreendedorismo social.
Este ano, foi ainda atribuída uma Menção Honrosa para o Empreendedorismo Social, entregue a Acácio Vieira, fundador e director-geral da Healing Wings, destinada a actividades de apoio comunitário em Moçambique.

Exemplos a seguir

No discurso de entrega dos prémios, Filipe de Botton assumiu que “Portugal é claramente a sua Diáspora”. “Há que ter o maior orgulho nas pessoas e empresas que concorrem a este prémio, são exemplos a seguir”, afirmou. O presidente da Cotec notou que pode parecer uma ironia “que seja justamente neste momento de dificuldades, que Portugal peça todo o apoio à sua Diáspora, por quem tem feito tão pouco”, mas sublinhou que “é preciso e premente, aumentar a entreajuda entre todos”.
Filipe de Botton defendeu que é preciso fazer com que as empresas e empresários de Portugal “se apoiem nos seus colegas que vivem fora de fronteiras, e vice-versa”, sublinhando que estas parcerias deverão permitir “exportar mais, mobilizar empresários experientes”, voltar a interligar, e indicar “caminhos por vezes ainda não percorridos”.

Mais-valia para a economia

O aprofundamento dos laços que unem Portugal à sua Diáspora é fundamental e reveste-se de uma importância que se torna mais forte “perante os enormes desafios que Portugal enfrenta, com destaque para a sua recuperação económica e a criação de emprego”, defendeu o Presidente da República durante a sua intervenção após a entrega do prémio.
Cavaco Silva convocou presentes, “enquanto empresários de sucesso”, a “contribuírem para vencer o desafio da transformação da economia portuguesa”. “O vosso sucesso, como empresários e empreendedores, é actualmente uma mais-valia que Portugal não pode desperdiçar”, sublinhou.
Uma mais-valia que o Chefe de Estado disse estar assente em três factores, nomeadamente o facto de conhecerem simultaneamente duas realidades sócio-culturais “podendo criar ligações extremamente frutuosas, perceberem bem os mercados onde operam o que poderá ser “de extrema utilidade” em actividades de exportação e ainda por serem “depositários de uma relação pessoal e muito próxima com os milhões de luso-descendentes”.
Perante a plateia de empresários portugueses residentes no estrangeiro, Cavaco Silva defendeu uma maior proximidade das relações económicas a nível das câmaras municipais, defendendo que nas autarquias há hoje uma maior “receptividade ao investimento dos empresários da Diáspora”.
Na sua intervenção, o Presidente da República defendeu ainda que os portugueses têm que conseguiu “ultrapassar as barreiras mentais” que os “atemorizam” perante o “risco da incerteza”, e apontou a propensão para “manter o estado das coisas” e a reserva com que muitas vezes “se encara a inovação”, como dois dos “maiores obstáculos à tão necessária transformação do nosso país”.
“Todos, sem excepção, serão necessários para percorrer os caminhos que nos levem de regresso ao crescimento economicamente sustentável”, finalizou.

ISIDRO FRATARIA
“Este prémio tem uma grande importância para a Diáspora”

“Este prémio tem uma grande importância para a Diáspora, para todos os portugueses que saíram do país”, sublinhou Isidro fartaria no discurso de agradecimento do prémio Empreendedorismo Inovador na Diáspora Portuguesa, com o qual foi galardoado este ano.
Tinha sete anos quando chegou a França, com os pais, no ano de 1962. “Os meus pais «obrigaram-nos» a ir à escola e a respeitar os franceses, a dizer «bom dia» e «adeus»”. Aos 16 anos, com um curso técnico de canalizador, começou a trabalhar na área da construção civil. Passou por uma empresa americana de produtos químicos, onde trabalhou como vendedor, chegando rapidamente a responsável máximo. Ingressou mais tarde numa empresa francesa, líder do mercado na mesma área até que, três anos depois, estabeleceu-se por conta própria, ao criar a Labo Centre France, de produção e distribuição de produtos químicos para a construção civil. Essa primeira empresa deu origem à holding que hoje preside e que reúne 11 empresas em França.
Em 1996, investiu perto da sua terra natal, Santa Catarina da Serra, no concelho de Leiria, ao abrir ali a Labo Portugal, que actua na mesma área da congénere francesa. “Cheguei a Portugal com uma caneta e um papel para conhecer o mercado. Hoje somos uma empresa líder no mercado português. “Meu pai sempre disse que gostaria que um filho dele se instalasse na terra de onde ele tinha saído”, disse no discurso de agradecimento. Isidro Fartaria concretizou o desejo do pai, mas fez muito mais. Em França dá emprego a 470 trabalhadores, muitos dos quais luso-descendentes. Em Portugal emprega 70 pessoas e quer fazer da empresa na Marinha Grande, o ponto de partida para novos mercados. Já tem Brasil, Angola e Cabo Verde «debaixo de olho»…

Acácio Vieira
ONG em Moçambique

Instituída pela primeira vez este ano, a Menção Especial para o Empreendedorismo Social foi entregue pelo Presidente da República a Acácio Valadas Vieira.  Fundador e director geral da Healing Wings (Asas que Curam), uma ONG criada em 2000 na sequência das cheias que assolaram Moçambique, Acácio Valadas Vieira rganizou grupos de cidadãos para ajudar a aliviar os problemas causados pelas cheias de 1999 e 2000.
O contacto com o povo moçambicano das áreas rurais revelou uma realidade caracterizada pela pobreza extrema. Dessa experiência resultou a criação da ONG Asas que Curam, dedicada principalmente a actividades de desenvolvimento comunitário. Acácio Valadas Vieira, de 36 anos, desenvolve as suas actividades em Moçambique e na África do Sul.
Ana Grácio Pinto
apinto@mundoportugues.org

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